Pneus e segurança, equação diretamente proporcional

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Pneus e segurança, equação diretamente proporcional

Por Hélio Cardoso
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A princípio, os motoristas não se preocupam muito com os pneus dos veículos. Normalmente verificam apenas se estão lisos e, para evitar multas durante uma viagem, decidem se precisam ser substituídos. Os pneus, juntamente com os sistemas de freio e direção, são os principais componentes de segurança de um veículo automotor. Especialmente quanto aos pneus, podemos dizer que são a única parte do carro que tem o contato direto com o solo, portanto afetam diretamente a estabilidade, o conforto, a frenagem e a segurança do seu veículo. Para um desempenho seguro, os pneus não devem apresentar nenhum tipo de anomalia, manter a pressão indicada pelo fabricante, ter profundidade dos sulcos adequada (mínimo de 1,6 mm). Além disso, o alinhamento de direção e o balanceamento das rodas conforme padrão original de cada modelo específico são fatores importantíssimos. Na lateral de um pneu verificamos que existe uma série de informações, normalmente ignoradas. Isso é um erro comum e influencia diretamente a segurança e condução do veículo. Esta coletânea de letras e números informa as medidas do pneu e os códigos determinam, dentre outras informações, a velocidade máxima para aquele pneu, a capacidade de carga e o tipo de uso (asfalto, fora de estrada, neve, etc.). Um simples exemplo 175/70 R 13 82 T, onde “175” é a medida da largura da banda de rodagem em milímetros (175 mm), “70” representa um percentual da altura da lateral do pneu em relação à banda, neste caso 70% da largura da banda, ou seja, aproximadamente 122,5 mm. A letra R representa que o pneu tem construção do tipo radial, “13” representa o raio da roda em polegadas (13 polegadas). Já a inscrição “82” informa a capacidade de carga do pneu, neste caso 475 quilos e “T” a velocidade máxima segura para o componente, 190 quilômetros por hora
Estes valores são tabelados e podem ser verificados na internet ou em catálogos dos fabricantes de pneus.
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A utilização de pneus diferentes daqueles originais ou recomendados pelos fabricantes interfere diretamente na segurança do veículo, até porque uma equipe de engenheiros realiza estudos e testes, que demoram anos, para determinar qual o melhor pneu para cada modelo de veículo. A vida útil segura de um pneu, independente do uso e quilometragem, é de cinco anos. Pneus acima dessa idade devem ser analisados com mais rigor, pois pode ocorrer ressecamento da borracha com perda de flexibilidade, além de micro-rachaduras e tendência à falha. Para saber a “idade” dos pneus instalados no seu veículo, verifique a data de fabricação que normalmente está marcada na lateral do pneu ao final da identificação “DOT”. Como exemplo um pneu com marcação 2506 significa que foi fabricado na 25ª semana de 2006. Os pneus reformados requerem atenção especial por parte do usuário e devem, por preceito de lei, estar identificados claramente na lateral através de uma etiqueta colada ao pneu. No caso dos pneus remoldados não existe tal etiqueta, porém, a palavra “remold” ou remoldado está inserida na própria borracha da lateral do pneu. Portanto, quando for adquirir um pneu que tenha um preço baixo, verifique a data de fabricação, se é novo ou reformado e se atende as especificações técnicas do seu veículo quanto às medidas, velocidade máxima e capacidade de carga. Certamente ofertas podem trazer conjugado um grande problema futuro.
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Em determinado momento, você percebe que os pneus do seu veículo estão chegando ao limite com os sulcos próximos de 1,6 milímetros, valor mínimo determinado na legislação brasileira. Porém, somente dois dos quatro pneus necessitam troca imediata e você opta em substituí-los mantendo os outros dois. Raciocínio óbvio, porém inteiramente equivocado: Instalar os novos na dianteira e transferir os outros dois, já usados, para a traseira. Sempre os pneus em melhor estado devem ser instalados na traseira, pois na dianteira o motorista mantém a sensibilidade ao volante e pode reverter um possível problema, enquanto na traseira uma perda momentânea de controle pode transformar o motorista em um mero passageiro. Agora que você conhece melhor este amigo instalado no seu veículo, certamente dará a ele a atenção que realmente sempre mereceu.

Hélio da Fonseca Cardoso é Engenheiro Mecânico; Membro da Comissão Técnica de Segurança Veicular da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva); Diretor Financeiro gestão 2010/2011 do IBAPE/SP – Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de São Paulo; Pós Graduado em Perícias e Avaliações de Engenharia e Gestão de Negócios; Especialista em Transporte;  Professor de Inspeção, Perícias e Avaliações de Veículos Automotores dos cursos do IBAPE/SP; co-autor dos livros: "Inspeção Predial" da Ed LEUD e "Perícias de Engenharia", Ed PINI, autor de artigos técnicos publicados em revistas especializadas sobre Veículos Automotores e Recall; Autor de trabalhos técnicos apresentados em Seminários e Congressos Internacionais da SAE, AEA e IBAPE; Colaborador da "Norma Básica para Perícias de Engenharia” e do "Estudo de Vidas Úteis para Máquinas e Equipamentos" do IBAPE-SP; e Perito Judicial.

  • Anônimo

    Ouvi alguns desses conhecimentos e recomendaçõesnuma entrevista dada por Emerson Fitipaldi, que afirmava o mesmo, ou seja, que os pneus mais novos devem ficar na traseira do carro. Hoje, porém, eu gostaria de esclarecer uma dúvida. Tenho um carro LUGUS 1996, todo reformado. Ele tem rodas aro 14, com pneus 175-65-14. Por estética, estou pensando em colocar pneus 195-65-14. Seria bom ou ruim? Peço uma opinião. Grato, C.L.Cardozo – (Calistrato@oi.com.br).