Acordo automotivo entre Brasil e México estaria por um fio

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Acordo automotivo entre Brasil e México estaria por um fio

page[Atualizado às 21:20] De acordo com o jornal Valor Econômico, o Brasil está prestes a acabar com o acordo econômico com o México. O país norte-americano tinha um acordo de isenção de impostos para automóveis desde 2002. O acordo prevê um índice de nacionalização de 60% dos carros mexicanos, mas, graças a uma brecha no acordo, a maioria dos carros lá fabricados tem, no máximo, 16% de nacionalização. Agora que a quantidade de importados superou – muito – a nossa exportação, o país decidiu contestar o fato. Ainda não se sabe, porém, se ele irá terminar com o acordo ou se irá ajustá-lo de acordo com o interesse de ambos os países. Ainda de acordo com o jornal, o Brasil lucrou R$ 376 milhões em 2011 com as exportações para o México, enquanto o país dos chillis e tacos lucrou incríveis R$ 2 bilhões. É uma diferença de mais de R$ 1,6 bilhão. O governo brasileiro notou, portanto, que não havia uma grande vantagem comercial, e espera ampliar a indústria nacional ao acabar com os modelos mexicanos competitivos, já que eles passariam a pagar os 35% de impostos de importação. familia_tiida_sedan hatch tras_5031
De acordo com o Jornal Nacional, da TV Globo, ainda não está claro se o governo pretende mesmo acabar com o acordo, já que existe também a possibilidade de reavaliar as condições impostas por ele e, muito provavelmente, alterar muitas condições a fim de que nenhum dos países saia prejudicado. Ainda de acordo com o telejornal, o fato dos veículos mexicanos contarem com apenas 16% de nacionalização, e não 60% como previsto, não confere às montadoras uma irregularidade, mas não especificou o porquê. De uma forma ou de outra, o acordo prevê que, caso um dos países rompesse com o acordo, deveria respeitar um prazo de 14 meses até que as novas taxas sejam impostas. Ou seja, ela só passaria a valer em abril de 2013 caso o cancelamento do acordo seja feito neste mês. Exatamente por isso, não serão afetados pela alta do IPI, que termina em dezembro. Caso o acordo seja mantido e mudanças sejam realizadas em seus conceitos, o prazo para as novas normas serem cumpridas deverá ser o mesmo. Até lá, uma das mais afetadas pela ação, a Nissan, já contaria com boa parte da fábrica em Resende (RJ) pronta, e o aumento do imposto poderia ser absorvido pela margem de lucro em curto prazo. Apesar disso, ao contrário do IPI dos importados em alta, que vale até dezembro de 2012, as principais montadoras afetadas são as nacionais, principalmente Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Ford. Estas marcas possuem modelos bem competitivos ou bem vendidos por aqui, entre eles, o New Fiesta, o Jetta, a Jetta Variant, o 500, Freemont e Captiva. Até Honda, Dodge e a já citada Nissan entram na lista, com modelos estrategicamente importantes, como o CR-V, Journey, March, Versa, Tiida e Tiida Sedan. 500_cult_007
Com exceção do March e Versa, que estão previstos para serem fabricados por aqui em 2014, todos os outros não tem previsão para serem fabricados por aqui. Em contrapartida, o mercado mexicano também será afetado, por receber os Volkswagen Gol, Gol Sedan (nosso Voyage) e o CrossFox. Além disso, modelos como o EcoSport e o Fiesta RoCam também são importados para lá. A Mazda, que pretendia abrir uma fábrica no México e utilizá-la como base para o seu retorno no Brasil, também seria afetada. Como nada foi confirmado até o momento, é necessário aguardar antes de julgar qualquer coisa acerca das possíveis reações do governo mexicano e da Anfavea (Agência Nacional das Fabricantes de Veículos Automotivos). O anúncio da decisão, seja ela qual for, deverá ser feito quando a comitiva presidencial retornar de sua visita a Cuba. Volkswagen-Jetta_2011_1600x1200_wallpaper_11 

Com informações do MotorDream e Car and Driver Brasil