Mini Cooper D Countryman – Menos é mais? Parte 2

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Mini Cooper D Countryman – Menos é mais? Parte 2

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Hamburgo/Alemanha – A Mini oferece para seus modelos uma grande variedade de opções para personalização. Por exemplo, é possível escolher acabamentos cromados, teto e retrovisores pintados em cor distinta do restante da carroceria,. ou cobertos por grafismos que remetem à bandeira britânica ou às pistas de corrida entre outros ítens. Nosso Countryman, entretanto, veio inteiro pintado em preto e sem contar com qualquer adereço estético opcional, com as belas rodas de 16” em alumínio que são o padrão da versão Cooper. Ainda assim, o visual pretensamente discreto deste Mini Countryman cativou desde o primeiro olhar! clip_image004
Mesmo não apresentando o mesmo equilíbrio de linhas e proporções vistos no Mini Cooper, o pequeno crossover é visualmente interessante e distinto nas ruas – ainda que acreditemos que seu desenho deva envelhecer mais rapidamente que o de outros modelos da linha. Seu porte, de fato compacto para um modelo cuja proposta procura aproximá-lo dos SUV, é apropriado para o uso urbano. São 4, 01 metros de comprimento, 1,79 de largura e 1,56 de altura, pouco mais alto e largo que o Fiat Punto nacional, ou bastante semelhantes às medidas de um Juke (não oferecido pela Nissan em nosso mercado, mas cotado para o futuro). Um primeiro exame confirma indícios de boa qualidade construtiva, com painéis da carroceria alinhados e vãos uniformes. Conferimos também que o modelo veio equipado com pneus de inverno, apropriados para rodagem com neve ou gelo – e item de uso obrigatório durante essa estação no continente europeu.

É hora de conhecer o interior do Countryman
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A maçaneta em formato de alça, como em tantos outros modelos, sugere que basta puxá-la para liberar a porta. Mas a alça é fixa, sendo necessário pressionar um gatinho na parte interna, de formato incômodo. clip_image008clip_image010 As portas, têm bom vão e ângulo de abertura, permitindo acesso fácil e, uma vez no interior do veículo, a primeira coisa que se nota é o gigantesco velocímetro circular no centro do painel. Abaixo dele estão posicionados os sistemas de áudio, com interface Bluetooth para celulares, do ar-condicionado eletrônico e do aquecimento dos bancos dianteiros, dos vidros elétricos, faróis suplementares, desembaçadores e o botão que permite desligar o ESP. Todos esses comandos se dão por meio de botões pequenos e muito próximos, o que dificulta o clip_image012uso durante a condução do veículo. A leitura da velocidade também é apresentada no conta-giros montado acima da coluna de direção, um pequeno visor digital, assim como as informações do computador de bordo e as luzes-espia. O acabamento interno é correto em termo de montagem e transmite qualidade, mas os plásticos, mesmo onde há superfícies macias, ficam devendo texturas mais agradáveis ao olhar e tato. Os revestimentos internos usam um tecido simples mas de boa qualidade e o volante de 2 raios, sem comandos nos aros, é o mesmo encontrado nas versões mais acessíveis do Mini no Brasil. Falta uma pega mais definida para as mãos e o diâmetro poderia ser ligeiramente reduzido, mas não chega a comprometer a direção. Seu revestimento, que imita couro, também fica devendo textura mais agradável ao toque. O padrão, no geral, é bom mas não impressiona. clip_image014O modelo veio equipado com um kit de iluminação interna, opcional, em pontos estratégicos como nas maçanetas, na base da alavanca de câmbio, na região dos pés dos passageiros e acompanhando contornos nas molduras das portas. É possível escolher entre cinco diferentes tons de luz, o que cria um efeito muito agradável alem de ajudar a localizar comandos. Mas algumas combinações, como a luz roxa com o âmbar dos instrumentos, é discutível. Embora a distância entre-eixos de 2,59m seja generosa para um compacto, em espaço interno o Countryman lembra modelos de porte semelhante, como hatchs compactos premium ou médios de gerações menos recentes.  Os bancos dianteiros mais estreitos e menos espessos (nosso carro não veio equipado com os bancos dianteiros esportivos) contribuem para a sensação de espaço, mas a largura da cabine é limitada e três adultos não viajam com conforto no banco traseiro, que ainda tem assento um tanto baixo, fazendo com que passageiros viajem com joelhos flexionados e sem apoio adequado para as pernas. Vale notar que há apoios de cabeça e cintos de segurança de três pontos para todos e que os assentos traseiros podem ser recuados ou rebatidos – através de um mecanismo semelhante ao encontrado da linha Fox da VW – o que permite aumentar o volume do porta-malas de 350 para 450 litros, às custas do espaço para as pernas dos passageiros. Com bancos rebatidos, o volume chega a 1170 litros.

Em funcionamento

É preciso encaixar a chave eletrônica no painel e pressionar o pedal da embreagem (para modelos com transmissão manual, ou o pedal do freio para os automáticos) e então apertar o botão de partida, à direita da coluna de direção. O motor 1.6 diesel é capaz de render até 112 cv de potência às 4000 rpm e muito bons 27,5 Kgfm já às1750 rpm. Apesar do ótimo torque, falta alguma força, nas saídas, o que é característica dos diesel de baixa cilindrada e exige algum costume para não deixar o carro morrer. Em compensação, são muito boas retomadas. Os números do fabricante indicam, retomadas de 80-120 km/h em 4a e 5a marchas em 9,7 e 11,9 segundos, respectivamente.
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Impressiona a suavidade de funcionamento, com poucas vibrações (o que é notável em se tratando de um pequeno diesel), principalmente considerando que o veículo conta com o sistema start-stop, cuja finalidade é reduzir consumo e emissões de poluentes. O mecanismo entra em operação assim que o motor atinge temperatura ideal de funcionamento e desliga o motor a cada parada. Basta parar o carro e deixar o câmbio em ponto-morto, como em cruzamentos com semáforos, para o sistema desligar o motor do carro, que volt a funcionar assim que o pedal da embreagem é acionado. O funcionamento do sistema é rápido, silencioso e, associado à suavidade do motor, não compromete o uso ou o conforto. No geral, Countryman se mostrou bem esperto e gostoso de dirigir, tanto na cidade como na estrada. Bom acerto mecânico, posição de dirigir correta e boa visibilidade estão entre os pontos fortes. Manobras foram fáceis, auxiliadas pelos sensores traseiros de estacionamento, mas os retrovisores externos poderiam ser maiores. A suspensão é firme sem chegar a ser desconfortável… ao menos nessa versão, sem pretensões esportivas e usando pneus de medida 205/60 R16. A direção é ágil no trânsito e transmite confiança até os 140 km/h. A partir desse ponto, o comportamento da dianteira perde em precisão e o carro exige maior atenção do motorista. Alem disso, a partir dos 130 os níveis de vibrações e de ruído interno passam a incomodar, o que pode ser considerado como uma sugestão para que se reduza a velocidade. Já o câmbio manual de 6 marchas tem engates fáceis mas não chega a ser uma referência, e certas trocas demandam alguma atenção para evitar erros. A posição de  6a e 4a marchas são muito próximas, e o engate da ré pode causar confusão com a 1a marcha. Pode parecer bobagem, mas aconteceu mais de uma vez durante a avaliação, e engatar a ré ao invés da 1a pode provocar pequenos acidentes em saídas de semáforos ou em garagens. A velocidade máxima alcançada nas Autobahns (nos trechos em que não havia limite de velocidade, que fique claro) foi de 175 km/h indicados no velocímetro. Certamente bem abaixo do número divulgado, de 185. A maior parte do percurso foi feito em estradas mas, considerando que não houve preocupação com uma condução econômica, o consumo médio na casa dos 13 km/l (de acordo com o computador de bordo) pode ser considerado como uma boa marca. Como dissemos anteriormente, o Countryman cativa! Tem visual interessante, espaço interno bom para um compacto e conta com boas qualidades dinâmicas. Mas frente à sua proposta, de ser um carro prático com visual descolado, ele justifica sua compra? Continua….! Veja Também: Mini Cooper D Countryman – Menos é mais? (Parte 1)