O Opala pode ser um clássico, mas o Maverick é muscle

Antigo / Chevrolet / Ford

O Opala pode ser um clássico, mas o Maverick é muscle

“Honra em oito cilindros em V. Se nunca escutou, procure a orquestra mais próxima”

1973_maverick[5] Muitos chamam o Opala de clássico. Eu concordo. Mencionam, às vezes, o tradicional Fusquinha e a Fiat 147. E como não lembrar-se do pequeno valente Chevette? Para todos esses eu assino nesse atestado de tradição. Mas vamos combinar? Eu quero torque de incomodar a coluna! Mustang e Maverick representam o ‘M’. Já o Camaro e o Corvette começam com ‘C’. Forma-se, então, o dueto ‘MC’. Leia-se: Muitos cavalos. Chevrolet Opala SS
Preste bastante atenção: eles já são "muscle cars". Entretanto irei além. Com maior profundidade traduz-se: Chevrolet Camaro Z28. Corvette Stingray. Ford Mustang Shelby Cobra GT 500-KR e, finalmente, Maverick GT. Ou Maveco, para os íntimos. Minha audição sente o zunido. Pois sim. Eles são V8. Honra em oito cilindros em V. Se nunca escutou, corra ao procurar a orquestra mais próxima. Você precisa da brisa dessa sinfonia para viver em plenitude. Nesse mundinho já me deparei com cilindros em V de todo o tipo. V2 e V4 para motos, normalmente. V6, V10, V12 e até V16. Caro leitor; nada se compara a um V8 bem regulado estalando no seu ouvido enquanto acaricia-se o acelerador de um desses brinquedos para marmanjos. A estrutura do automóvel treme em configurações de motores mais violentos. Dói. Machuca muito o peito ter de deixar de acelerar uma fera como essas quando o velocímetro já bateu a velocidade permitida na via. O som da aceleração faz o mundo inteirinho parar por alguns instantes. A gente sente a máquina por debaixo do capô trabalhando ao sinal dos nossos pés. É apaixonante. Mesmo. Obriguei-me a discursar sobre a sensação sensorial porque iremos adentrar no universo dos grandes diamantes. Lapidados minuciosamente. Manipulados para serem detalhadamente brutos. Inicia-se, a partir de agora, a degustação dos raros e antigos vinhos da Ford e da GM.
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Atentando-me ao ano de 1969, uma só palavra bloqueia todos os meus outros pensamentos: Carroceria. Inexplicável é a fluidez com que as linhas de um Maverick e um Stingray comportam-se ainda naquela época! Era década de 60. Tudo bem que quase o início dos anos 70. Mas mesmo até hoje (principalmente naquela famosa terra do futebol) não se fabrica tanto charme sobre quatro rodas com tanta frequência.1965 327 cid V8 FI (L84) for Chevrolet Corvette O Chevrolet Corvette, em sua forma mais enxuta, configurava-se em um V8 de 435cv de potência máxima. Tinha como joelhos uma suspensão dianteira independente de braços triangulares e molas. Já para a parte de trás também uma suspensão independente, contudo com feixes de molas transversais e braços triangulares inferiores. O peso máximo era de 1500 kg, assim como sua velocidade, de 275 km/h. O 0 a 100 km/h ficava pela casa dos 5,4 segundos. Números bem relevantes para os padrões de 40 anos atrás.

Falta-me delicadeza para descrever o Ford Maverick GT. Sorte a minha ele se descrever por si só. Apesar da feição invocada, certamente esse automóvel não assusta ninguém. Mesmo ele bebendo litros de gasolina. Muitos Litros. Pessoas o idolatram. Quem está por volta dos sessenta, setenta anos de idade, sabe do que estou falando.
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Os números aqui não são, na verdade, o que mais importa. A história de sobrevivência desse guerreiro, todavia, é o que é o foco da situação. Um coração de 5.0 V8 ajuda um pouquinho, admito. E o ronco. Estar na presença desse motor V8 302 de 197 cavalos quando a ignição é acionada é indescritível. Quando amarelo, é considerado um astro dos dias de hoje. No entanto, o Camaro Z28 já arrancava suspiros desde 1967. Um segredo: meu sangue circula mais rápido quando me deparo com uma relíquia de cabelos grisalhos. O Chevrolet antigo é ímã para o meu olhar.
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Eu só torço muito, para que um dia se eu me deparar com um Z28, (o que duvido muito), que ele não passe a 225 km/h, em sua velocidade máxima. Ou não arranque no semáforo para corroborar sua faixa de 7 segundos de 0-100 km/h. Já que assim, ficaria bem complicado dar a ele toda a necessária apreciação que ele merece. E, quem sabe até, não bater aquela rápida foto da câmera do celular. O Rei da Estrada. “King of the Road” foi assim intitulado. O Rei de tudo. Sinto frio e calor ao mesmo tempo com o Mustang e o seu inseparável cavalo corredor. Porém, é com o bote da serpente que vamos nos preocupar. O Shelby Cobra GT 500-KR assim foi batizado para ser esclarecedor. ‘KR’ para justificar seu batismo. E, o símbolo da Naja na grade frontal para intimidar os pequenos ratos do asfalto.
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autowp.ru_shelby_gt500_kr_22A ficha técnica não tem como desagradar. Potência: 339 cv a 5.200 rpm. Torque de 60,8 kgfm a 3.400 rpm e um desempenho espetacular de, por volta, 6 segundos em 0-100 km/h. Sentir a textura do volante e o conforto do banco deve ser algo parecido como estrelar em um papel principal em Hollywood. Olhos e mais olhos de atenção e a sensação de que está pertinho de chegar à calçada da fama. É um estereótipo de carro de cinema. Como é. Popularmente comentam em rodas de bate-papo que nada é mais sábio do que palavras de mãe. A minha, volta e meia, retrucava pelos cantos: "Panela velha é que faz comida boa". Curiosamente, em tempos de garoto, eu não dava bola. Eu nem acreditava. Por Thiago Andrade Ramos