A bicicleta motorizada com uma pena de enfeite

Indian

A bicicleta motorizada com uma pena de enfeite

Por Thiago Ramos 1928 Indian Scout 101 45 cu. in. 750 cc
A Indian roubou meu coração. No instante em que a vi, seus cabelos por entre os suspiros do vento pareciam formar um longo cocar. Todo alinhado. Sua pele era bronzeada e de simples beleza. Apaixonei-me. Claro! Alguém não se apaixonaria? Foi criada para ser irresistível. E, excepcionalmente naquela noite, a tela do cinema ultrapassou os seus limites: Ela brilhou – atuou. Moldou todo o precioso momento de aparição da clássica motocicleta. A arte transfigurada em magia da sala cinematográfica preencheu-se de cor no desbotar da ferrugem do tanque da velha Scout 101. A moto confunde-se com a Indian. Springfield, América. O primeiro veículo de duas rodas estava ainda quente. Em 1902 algo que era um pouco mais que uma bicicleta estava quebrando a casca do ovo. Do talento do engenheiro sueco Carl Oscar Hedstrom e do ímpeto do também jovem empresário George M. Hendee foram criados os estalos dos famosos cilindros em V. Mil novecentos e três foi o ano em que as Indians portavam, não só com o lindo borbulhar do motor, como com suspensão traseira com braço oscilante e caixa de duas ou três velocidades.Indian-1902 No topo da glória, em 1912, a fabricante americana arrebatou os 3 primeiros lugares na corrida Tourist Trophy (TT), Isle of man. Inflou-se em atrevimento ao experimentar o arranque elétrico. Logo tornou-se em 20 mil cópias vendidas ao ano. Emplacada e entusiasmada pelo crescimento, a pioneira fábrica tornou-se a maior construtora de motocicletas do mundo, até 1916. A partir de então a Indi sofreu com os desafetos entre seus fundadores e diretores. Os fundadores retiraram-se e a marca decaiu.
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O entre guerras foi penoso para a menina que escorregou de “cacique” à simples “cunhã-poranga”. Mesmo assim, em profundos lamentos e desgastes, a marca conseguiu um contrato de fornecimento de todas as suas motos para o exército americano. Mas sua grande concorrente, uma tal de Harley-Davidson, conseguiu se manter no mercado mesmo fornecendo motos para militares, e desta forma se fortaleceu. A Indian era absolutamente desejada por dois principais atributos. A Scout era a primogênita. Produzida a partir de 1919, teve por base o motor Powerplus. As classificações de cilindradas percorriam desde das 600 ate as 1200. As 750 e 1000 cc também incluíam-se entre os modelos. Especialmente não só de admirações e paixões a senhorita Scout era colecionadora. Ela e sua irmã, Sport Scout, também colecionaram vitórias em pistas por aquelas décadas. Foi criada para competir: Charles B. Franklin, seu idealizador, era um vencedor piloto na Isle of Man.Indian_BigChief_1923
As saias que cobrem as pernas em forma de lindas rodas raiadas nasceram da Chief. O segundo atributo foi lançado em 1921 com um motor de 1000 cc. Posteriormente o propulsor foi ampliado a 1200, no que denominaram Big Chief. A respiração tornou-se menos ofegante em 98. Declarada falência, três empresas uniram-se e puderam injetar mais oxigênio aos já velhos pulmões da Indian Motorcycle Company. A produção passou para a Califórnia e os modelos escolhidos para a comercialização foram o Chief, o Scout e o Spirit.Indian1942
Em dias atuais a Indiana pode ser considerada decadente se comparada aos dias de luz. O charme e a tradição indígena passou com a ascensão do conceito de contemporâneo. Antiquada talvez seja a palavra para definir uma Indian. Mas no meu imaginário, uma índia será sempre uma mulher desnuda estrategicamente borrada pela tinta extraída da mata.
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