Pergunta da Semana – Qual o maior sufoco que você já passou com um carro?

Pergunta da Semana

Pergunta da Semana – Qual o maior sufoco que você já passou com um carro?

Alguma vez você já esteve com a vida por um triz ao volante?

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O tema dessa semana veio à tona após receber uma cartinha da dona Lúcia, uma doce senhorinha que diz também ter escrito uma carta para a CBF após o 7 a 1 que a seleção canalhinha tomou esse ano. Mentira. Ela não me escreveu nada. Na verdade, comecei a rascunhar essa pauta na sexta-feira passada, por volta das 16 horas, no quilômetro 377 da BR 381 em São Gonçalo do Rio Abaixo, Minas Gerais. Infamemente chamada de "São Gonçalo do Morro Abaixo", por motivos que serão óbvios. Lá estava eu me dirigindo para a casa de meus pais, operando milagres no meu lépido 1.0 para ele andar, quando pego o trecho de serra extremamente sinuoso próximo à cidade citada. Chovia no momento. E quando chove na BR 381, meu amigo, os acidentes se multiplicam mais rápido que filhos do Mr. Catra, sendo que muitas vezes são fatais. Ainda mais com muitas curvas em um traçado sacana, em um corte de serra com paredões de pedra de um lado e um precipício do outro. Quem dança aí pode tanto bater na lateral, quanto em outro carro ou descer capotando o vale lateral. Não tem muita escapatória. Então não foi muita surpresa quando encontrei um Honda Fit, de primeira geração, capotado no meio da serra. Felizmente não aparentava grandes danos, talvez fruto de uma velocidade contida. Entretanto, uma fila de curiosos se formou no sentido contrário ao meu por NENHUM motivo que não seja o interesse pelo mórbido que quase acaba em tragédia. Porque a fila terminava no meio de uma curva. Na descida. Asfalto molhado. E vinha a carreta. O motorista foi pego de surpresa e, para não fazer um strike nos curiosos que estavam à sua frente, jogou a carreta de lado. Entrou eu "L" (quando a cabine e a caçamba, de forma descontrolada, se movem em frente com um ângulo de 90º entre si). Por perícia do condutor, foi a cabine que derrapou, ao invés da caçamba, poupando a tragédia muito maior que ocorreria logo à minha frente: eu era o primeiro no sentido contrário, que eventualmente também seria o primeiro atingido. Daí vem a pergunta: você já viu a vó pela greta, sentiu o coração na garganta ou mesmo foi vítima de algum evento deste tipo no trânsito? E olha que esse nem foi o maior susto que já passei, pois era a segunda vez que uma carreta entrava em "L" na minha frente, fora motoristas alucinados em ultrapassagens fisicamente impossíveis, motoristas brincando de Harry Potter com capa de invisibilidade na neblina e aquaplanagens. Mas foi na mesma BR 381, uns 40 quilômetros a frente, próximo do Natal de 2011, de saco cheio da estrada entulhada de gente e de motoristas estúpidos que transformavam um percurso até então de 2 horas em uma jornada de mais de 4 horas pelos mais diversos motivos, que eu quase passei dessa para melhor. Em um raro trecho de pista dupla, aproveitei para passar o máximo de motoristas rastejantes. Reduzi as marchas do meu finado Clio 1.6 16v (saudades!) e enfiei o pé. Curvas para lá e para cá sem problemas, tomei distância dos roda-duras. Mas quando vou entrar em uma das últimas curvas do trecho, devidamente apoiado e apontado para a tangente, necessário para a velocidade em questão, a coisa desandou. Peguei uma poça de óleo na tomada da curva. Sim, óleo. Na curva. Em uma fração de segundos eu estava apontado para a mureta do canteiro central. Como meu carro não tinha seguro (as seguradoras consideram o Clio Dynamique versão esportiva!), comecei a falar "eu não vou bater essa m**da!". E dá-lhe redução e contra-esterço, para uma vez que o carro respondesse…girando em 180º para o sentido contrário! Agora estava apontado pro barranco profundo ao lado da rodovia. E toca acelerar e contra-esterço mais uma vez. Ia de um lado ao outro cada vez mais controlado. Mais uma e pronto, coloco o carro de novo em linha reta. Paro o carro logo a frente e encosto. Estou mais branco que a Marina Ruy Barbosa e tremendo mais que palmeirense na última rodada do campeonato brasileiro. Não foi dessa que eu fui vencido. Olho para a poça de óleo e penso no posto que está situado há pouco menos de um quilômetro antes da curva. Páginas de uma tragédia anunciada. E aí, você já chegou encomendar seu paletó de madeira por apertos no trânsito dessa forma, desistindo de pegar o elevador divino na última hora? Já viu cenas lamentáveis nas estradas que cortam do reino encantado do Brasil? Vamos, conte sua história e compartilhe conosco a sua experiência!