Chevrolet Impala SS – Um mau elemento, revisitado

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Chevrolet Impala SS – Um mau elemento, revisitado

Sedã esportivo ressuscitou o espírito de sua primeira geração

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Todos nós gostamos de um bom sedã esportivo, não é mesmo? Se ele for americano e empurrado por um digno V8, a coisa se torna ainda mais saborosa. Um dos precursores desse segmento que arrebata uma legião de fãs mundo afora surgiu com o Impala SS, sedã full-size da Chevrolet norte-americana. O Impala, por si só, é um modelo icônico nascido nos anos 1950 e que atualmente encontra-se na sua décima geração, com uma história que alterna glórias e fracassos, altos e baixos. Mas o interessante aqui é que não trataremos do Impala SS pioneiro, e sim de seu renascimento em meados dos anos 1990.  Mas, para conhecê-lo, vamos voltar no tempo e conhecer seu antecessor direto.

Em 1961, o Impala SS (Super Sport) foi introduzido no mercado. O emblema “SS” iria tornar-se, com o tempo, a assinatura da Chevrolet em termos de alto desempenho em seus modelos, embora muitas vezes tenha sido utilizado vergonhosamente como denominação de simples pacotes de aparência. No ano de lançamento, a linha SS era um pacote de opcionais de alto desempenho que, além da decoração exclusiva, trazia suspensão revista e motores V8 de alto desempenho, que iam da unidade com 348 polegadas cúbicas (5,7 L) e 305 cavalos de potência até o então novato propulsor com 409 polegadas cúbicas (6,7 L) que estava disponível com até 425 cavalos. Ao contrário dos anos seguintes, o pacote Super Sport 1961 estava disponível em qualquer Impala, incluindo sedãs e peruas. O pacote também incluía novos pneus, molas e amortecedores.

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No ano-modelo 1962 a coisa ficou um pouco, digamos, estranha. Para esse ano, o Impala SS era um pacote limitado ao cupê hardtop (na verdade, um sedã de duas portas) e conversível, disponível com todos os motores da série Impala, desde o básico motor seis-em-linha  de 235 polegadas cúbicas (3,9 L) e 135 cv oferecido ​​até 1967. Entretanto, os esperados V8 big block com especificação heavy duty ainda estavam disponíveis, sendo o modelo mais solicitado pelos clientes. As vendas continuaram em alta até 1965, com pequenas mudanças para esses anos em relação ao Impala regular, que por sua vez era submetido a mudanças sutis ano após ano. Um total de 243,114 Impala SS foram fabricados em 1965.

Para 1966 o Impala SS foi reestilizado com uma nova grade e lanternas traseiras retangulares que substituíram as unidades redondas triplas. Outros detalhes de acabamento também foram revistos, além de interior com novo console central e bancos individuais da Strato. Entretanto, as vendas do Impala SS neste ano caiu em um patamar superior a 50%, sendo vendidas cerca de 117.000 unidades. Isso se deveu, principalmente, à mudança no mercado de carros esportivos, que saiam dos modelos grandes para os intermediários, como o Chevelle SS396 da Chevrolet e Pontiac GTO. Soma-se a isso o mercado crescente para modelos ainda menores, em que o Ford Mustang era o maior expoente, e cuja resposta seria dada pela Chevrolet em 1967 com o Camaro.

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Em 1967 o Impala SS foi decorado de forma mais discreta do que em anos anteriores. Dos 76,055 Impala SS fabricados nesse ano, apenas 2.124 foram encomendados com o RPO (Regular Production Option) Z24, um pacote de performance especial que incluía suspensão reestudada RPO F41 e outras benesses de alto desempenho, o RPO L36 que trazia consigo o V8 Turbo-Jet de 427 pol³ (7,0 L) e 385 cavalos, bem como um pacote especial substituindo os emblemas “Impala SS” por “SS427” pela carroceria. Como nenhum desses carros tinha o nome “Impala” em qualquer lugar seja no interior ou exterior, a Chevrolet frequentemente comercializava-os apenas como a “Chevrolet SS427.

Em 1968 as vendas cairiam ainda mais. Além da subida das vendas do Caprice, como concorrência interna na mesma categoria, a disponibilidade de motores de bloco grande nos modelos intermediários e até mesmo pequenos se tornou uma pedra no sapato para o modelo. Sendo assim, somente 38.210 Impalas foram fabricados, dos quais 1.778 com o pacote Z24. Para 1968 não ocorreram grandes modificações. Já em 1969, o Impala SS estava disponível somente como o Z24 (SS427), vindo exclusivamente com o V8 de 427 pol³ (7,0 L) de 335, 390 ou 425 cavalos de potência. Este foi o último ano para o Impala SS até 1994. E é para aí que viajaremos. Ou melhor: iremos para 1990.

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Nossos tempos

Após definhar por anos a fio, com versões medíocres e sem identidade, sendo um derivado direto e sem inspiração do Chevrolet Caprice, o Impala morreu em 1985. O próprio Caprice passou pelos anos 1980 sem grandes mudanças, chegando em posição desfavorável no início dos anos 1990. A forte concorrência vinda da Europa e Japão demandava um carro novo. E o esperado aconteceu: no final de 1990, já como modelo 1991, chega um Caprice novo. A despeito de utilizar a mesma plataforma e mecânica do modelo anterior, lançada para ele e também para o Impala em 1977, o grande sedã chegou com desenho revolucionário, com linhas arredondadas e condizente com os novos tempos.

Bom, mas porque estamos falando do tradicional e sisudo Caprice aqui? É simples: é dele que nasceu o Impala SS dos anos 90, como um filho rebelde e transgressor frente à tradição e conservadorismo norte-americano. E como foi que isso ocorreu? Bem, as vendas do tradicional sedã não iam exatamente de vento em popa. Então, no final de 1992, Jim Perkins, o gerente geral da Chevrolet, perguntou a Jon Moss, o então gerente da divisão de veículos especiais da Chevrolet, se ele poderia produzir algo que aumentasse o ânimo do mercado. Para esse fim, Jon imaginou construir um carro conceito que poderia ser facilmente colocado em produção caso fosse necessário.

1993 Chevrolet Caprice Classic

Logo, ele partiu de um Caprice 9C1, de especificação policial e mais reforçado que o modelo de linha. Foi adicionado originalmente um motor de V8 de 500 polegadas cúbicas (8,2 litros!), além de ter a suspensão rebaixada em duas polegadas frente ao modelo regular. A carroceria ficou por conta da Vehma, uma divisão da Magna International, que produziu o spoiler, a grelha, apliques de carroceria e os emblemas exclusivos da versão e que davam outra cara ao veículo, que era monocromático e reduzia um pouco a aparência bolhosa atribuída ao full-size americano.

O conceito foi criado em apenas 14 dias, apenas a tempo para o SEMA Show e o Salão de Detroit em seguida. Poucas pessoas fora da equipe de construção do protótipo sabiam da existência do projeto. Ao longo do desenvolvimento, a única coisa que surpreendeu Jon Perkins foi a tremenda resposta que a GM recebeu do público entusiasta. Quando a Chevrolet levou o conceito para a convenção nacional dos concessionários em 1993, foram recebidos algo em torno de 3.000 encomendas, o suficiente para motivar a produção do Impala SS para 1994. Nada mal para um mero protótipo para chamar a atenção do público.

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Sendo assim, em 14 de fevereiro de 1994, na fábrica de Arlington, Texas, começava a produção do Impala SS, basicamente uma versão de alto desempenho do Caprice. Frente ao protótipo, a única mudança visível que era o logotipo da Chevrolet cromado ao invés de vermelho como no protótipo. Mecanicamente, a suspensão era uma polegada mais baixa que o Caprice, além de amortecedores mais rígidos da marca De Carbon que faziam par com as molas de menor altura e de maior constante elástica. Freios a disco nas quatro rodas, com 12,1 polegadas na dianteira, ajudavam a segurar a barca, juntamente das belas rodas de alumínio de 17 polegadas e pneus 255/50 com índice de velocidade Z. Um sistema elétrico de maior capacidade também era adotado. Mas era debaixo do capô e na transmissão que vinham o grande diferencial do modelo.

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O motor do carro de exibição deu lugar ao renomado V8 350 LT1 Small Block Chevy, de 5,7 litros e próximo ao do utilizado no Camaro e no Corvette naquele ano. A principal diferença entre o LT1 no Impala e o dos cupês era o cabeçote (ferro fundido no sedã, alumínio nos outros), além do comando de válvulas situado no bloco e que foi projetado para maior entrega de torque em menores regimes de rotação em detrimento de potência em altas rotações. Outra diferença era que bloco utilizado no Impala tinha apenas dois furos nos mancais, enquanto o utilizado no Corvette LT1 tinha quatro. Um distribuidor Opti-Spark mais eficiente também era utilizado.

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Ainda assim, o desempenho era satisfatório. Entregando saudáveis 260cv de potência e 450Nm de torque, o sedã se movia vigorosamente pelas highways americanas. De acordo com o teste realizado em 1994 pela renomada revista americana MotorWeek, o Impala SS fazia de 0 a 96 km/h em 7,3 segundos, cumprindo o quatro de milha (402m) desde a imobilidade em 15,6 segundos a 145 km/h. Nada mal para um sedã de duas toneladas de peso (nomeadamente, 1.913 kg) há mais de 20 anos atrás! Faziam par com o motor um sistema de arrefecimento revisto, dotado de radiador com alta capacidade de fluxo também derivado do Corvette LT1, além de escapamento esportivo.

O sedã foi equipado de série com um diferencial de deslizamento limitado (a tração é traseira), de relação maior (3.08) que o Caprice, sendo mais curto portanto. A transmissão usada no carro era a GM 4L60E, que posteriormente foi fonte de problemas em carros com mais de 100.000 milhas (160.000 km) rodados. Um refrigerador ar-óleo para o câmbio também era equipamento de série. Embora estudada na fase de projeto, a transmissão manual não estava disponível no Impala SS. No entanto, muitos entusiastas substituíam a transmissão original pela caixa manual T-56 da Tremec, de seis velocidades e de série no Chevrolet Camaro, havendo kits prontos para conversão do mesmo.

Para 1994, o SS estava disponível apenas na cor preta com interior cinza. Devido à escassez das rodas de alumínio exclusivas de cinco raios, apenas 6.303 carros foram vendidos. No entanto, tal problema foi remediado para 1995 e 21.434 veículos foram vendidos neste ano, ano em que as cores cereja-escuro metálico e verde-acinzentado escuro foram adicionados como opções de cores. Também para 1995 foram modificados os painéis laterais traseiros e a colocação dos retrovisores externos, juntos à coluna A ao invés de posicionados na porta.

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O melhor e último ano do Impala SS foi 1996, com 41,941 unidades vendidas. O Impala SS também foi exportado neste ano para o Oriente Médio como o Caprice SS, sendo idêntico ao seu irmão norte-americano. A produção do Impala SS 1996 foi encerrada em 13 de dezembro de 1996. Nesse ano, pequenas mas significativas mudanças ocorreram: o velocímetro digital foi substituído por um analógico e ganhou a companhia de um tacômetro. A alavanca de comando do câmbio, até então na coluna de direção, passou para o console central, e o motor foi dotado de sistema de diagnóstico computadorizado via OBD-II, fazendo com que a árvore de cames passasse por pequenas alterações.

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E por que acabou? A realidade é triste: Os carros montados na plataforma B da Chevrolet, nomeadamente os Chevrolet Caprice e Impala SS além do Buick Roadmaster, tiveram sua produção interrompida para que sua linha de produção desse espaço para a montagem de SUVs, tido como mais rentáveis. Em 2006, o Impala SS ressurgia, também com o V8. Mas com tração dianteira. E isso é papo para outro dia.

Por hora, até mais!

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  • Jorge Osório Cortese Magalhães

    MAU elemento, não mal…

    • Diggo

      Você que está errado. Mau com “u” é o contrário de bom. “Um bom elemento” e não “um bem elemento”.

      • Jorge Osório Cortese Magalhães

        Exatamente! Um BOM elemento, um MAU elemento. Não é “mal elemento”, como está na matéria.
        Leia novamente meu comentário.

        • Diggo

          Quando eu fiz o comentário eles tinham mudado. Acho que voltaram atrás.