Mercedes GLA 250 – Um hatch esportivo de salto alto

Avaliação / Mercedes-Benz

Mercedes GLA 250 – Um hatch esportivo de salto alto

SUV compacto é baixinho, mas tem bom motor 2.0 turbo

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O que um Kia Picanto, um Fiat Punto, um Geely GC2, um Volkswagen Gol Rallye e um Mercedes GLA têm em comum? O SUV compacto da Mercedes tem a mesma altura que estes compactos despretrenciosos que vemos nas ruas todos os dias: 1,49m. E isto está bem longe de ser um problema para um utilitário que adora asfalto, como é o caso do GLA 250.

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Pra começar, é preciso lembrar que o GLA é baseado na mesma plataforma do Classe A. E não estou falando daquele monovolume curtinho e alto que precisou recorrer ao controle de estabilidade para não capotar, mas sim de seu sucessor, um hatch pequeno mas muito interessante. Coloque rodas maiores, suspensão reforçada, volumes em lugares específicos da carroceria (para deixá-lo um pouco abrutalhado) e algumas peculiaridades extras e você terá um GLA para chamar de seu.

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Ah sim, esqueci que a receita também leva molduras nas caixas de roda e apliques prateados nas saias laterais e na base do para-choque traseiro, que só existem para disfarçar o quanto o Mercedes GLA é urbano. Se você não percebe esta malícia de cara, percebe em movimento.

Epa! Cadê o câmbio?

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IMG_2938Se tem algo complicado em dirigir vários carros é se adaptar rapidamente a cada um deles. No GLA o impasse está no câmbio. Não há alavanca nem seletor no console central: ele fica numa haste na coluna de direção, atrás do volante. Sabe o que isso significa? Você vai tentar lavar o para-brisas e vai colocar o câmbio em “neutro” algumas vezes até se acostumar. Isso é comum a todos os utilitários da Mercedes. Também é de se estranhar o freio de estacionamento eletrônico acionado do lado esquerdo do painel. Mas basta um leve toque no acelerador para que os freios libertem o carro. Pode ser uma forma de afirmar o GLA como SUV.

Mas a impressão que fica é realmente a de que estamos diante de um hatch anabolizado, baixo e com bitolas largas. Atarracado como um legítimo bulldog alemão. Você não sente como “o cara da guarita” no trânsito como em outros utilitários esportivos, mas dirige em posição mais elevada do que o motorista do Classe A, o que já pode ser uma vantagem.

Utilitário esportivo, literalmente

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Há um lado bom em tudo isso: o comportamento dinâmico do Mercedes GLA 250 também não é o de um utilitário. E isso é muito bom. Apesar da suspensão com curso maior, a inclinação da carroceria é pequena mesmo em curvas de alta velocidade. E o é rodar tão mais suave do que no hatch A e no sedã CLA que faz parecer que eles usam tarugos de aço no lugar das molas.

Enquanto isso, o desempenho do motor 2.0 turbo sobressai. São 211cv e 35,7kgfm de torque, coordenados pela caixa automatizada de dupla embreagem DCT, de sete marchas. O mesmo conjunto do CLA 250, mas com tração dianteira — o sedã tem tração integral. Considerando a pegada do carro e os pneus esportivos, a tração integral faria diferença no controle do carro em trechos sinuosos ou na neve – algo que, infelizmente, é raro no Brasil – e não aproximaria o GLA das estradas de terra e da lama.

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Voltando ao câmbio, ele não é perfeito. As trocas para as marchas seguintes são bem sutis e rápidas mesmo no modo econômico, padrão ao ligar o veículo. Mesmo assim, há certa demora nas reduzidas ao se pressionar o acelerador – o famoso kickdown. Dá para contornar isso e a antecipação das trocas de marcha ativando o modo Sport. Faz os giros do motor subirem 500rpm instantaneamente e faz a transmissão esticar mais as marchas, enquanto o motor responde mais rápido a qualquer toque no acelerador.

Por último, há o modo manual, que delega ao motorista a decisão sobre o momento das trocas, feitas nas borboletas atrás do volante.

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Mas o botãozinho no console que muda o comportamento do carro também tem peso sobre o consumo. No modo Sport , o apetite é voraz. Após me comover com a média de 6,6km/l exibida no computador de bordo — que literalmente mapeia todo o modo de condução do motorista —, passo para o econômico e logo a autonomia com 1/4 de tanque sobe de 80km para 180km. É bruxaria ou algo muito parecido.

Rodando manso, o que se escuta é o vento passando pelos vidros laterais. Um pecado num carro desta estirpe. Pelo menos a assistência elétrica da direção fica mais firme à medida em que se ganha velocidade (mas poderia ser um pouquinho mais comunicativa).

Sem apresentações

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Apesar de ser de uma linhagem de compactos, o Mercedes GLA faz jus a qualidade de acabamento que se espera de um Mercedes. Quase tudo que não é – ou imita – aço escovado tem toque macio. Mas, se o quadro de instrumentos é simples, objetivo e muito funcional, a central multimídia é tão intuitiva quanto um manual de instruções em cirílico. Parece um tablet pendurado no painel, mas nem toque na tela pois os comandos estão no console e sob as saídas de ar. É de fazer você desistir de parear seu smartphone e ouvir a Hora do Brasil.

Insista, pois usar o navegador GPS não é das tarefas mais difíceis. Porém, o navegador de internet da telinha de 7″ é uma daquelas funções que só servem para contar pro amigo que o carro tem. Levei 30 minutos para acessar este site por meio dele.

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Nesta versão Sport, de R$ 195.900, sobressaem os bancos esportivos de couro, os ajustes elétricos para o volante e para os bancos, com direito a memória para o banco do passageiro, os espelhos externos antiofuscantes, a partida por botão e ainda as belas rodas aro 19″ da AMG (divisão esportiva da Mercedes).

Já o GLA 250 Vision, que custa R$ 176.900, tem por padrão itens como teto solar panorâmico, ar-condicionado digital de duas zonas e o interessante sistema de estacionamento automático Active Parking Assist. Ainda há sete airbags, freio de estacionamento eletrônico e sistema Start/Stop, mas as rodas aro 18“ não são de grife.

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O Mercedes GLA 250 representa o “meio-termo” na gama de versões do modelo. Primeiro vem o GLA 200 com o 1.6 turbo, de 156cv  (R$ 134.500). Depois, o poderoso GLA 45 AMG com poderoso 2.0 turbo de 360cv e tração integral, que custa R$ 307.900. Só que seus concorrentes são Audi Q3 e Range Rover Evoque, que têm porte maior.

Vale lembrar que o Mercedes GLA será fabricado em Iracemápolis (SP) a partir deste ano, junto com o sedã Classe C. Enquanto isso não acontece, chega importado da Alemanha.

Ficha Técnica – Mercedes-Benz GLA 250 Sport

Origem: Alemanha

Preço: R$ 195.990

Motor: gasolina, quatro cilindros, 16v, 1.991cm³,potência máxima de 211cv (a 5.500rpm) e torque máximo de 35,7kgfm (a 1.200rpm)

Transmissão: automatizada de dupla embreagem. Tração dianteira

Suspensão: McPherson na frente e independente multilink atrás

Freios: a disco ventilado nas quatro rodas

Pneus: 235/45 R19

Dimensões: 4,41m (compr.), 2,70m (e.e.)

Peso: 1.455kg

Porta-malas: 421 litros

Desempenho: 0-100 em 7,2s e máxima de 235km/h

Consumo: 9km/l na cidade e 12km/l na estrada

Galeria
Fotos | Henrique Rodriguez

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  • Alexander NotTheKing

    “…mas dirige em posição mais elevada do que o motorista do Classe A, o que já pode ser uma vantagem.”

    Qual seria esta vantagem?