Pergunta da Semana – Qual a solução de engenharia mais estranha que você já viu em um carro?

Pergunta da Semana

Pergunta da Semana – Qual a solução de engenharia mais estranha que você já viu em um carro?

As mil formas de resolver um problema em um automóvel

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Sim, aqui estamos! De volta com mais uma Pergunta da Semana. Como alguns de vocês sabem, este escriba é um quase-engenheiro, em fase final de formação. Em um conversa informal na faculdade, vieram à tona diversas soluções vistas em automóveis que fogem do habitual. Algumas delas para problemas que sequer existiam:  o desejo de mudar falou mais alto. Ok, por diversas vezes tivemos inovações geniais que ainda habitam entre nós, mas em outras o que vimos foi uma caçamba inteira de invenções inúteis – e mortas – registradas na história.

Como separar o joio do trigo? Como diferenciar aquela sacada genial de algo simplesmente inútil e de existência inexplicável? No time dos solteiros inteligentes, temos saídas como a água dos lavadores de farol ligeiramente aquecidos nos modelos de origem escandinava, visando tirar a película de neve que se deposita sobre eles sem causar um choque térmico na superfície da lente do componente; criar um porta-objetos oculto sob o banco do passageiro da EcoSport; criar um simples botão que modifica a iluminação do painel de instrumentos para ajudar o motorista em longa condução noturna como os SAAB ou mesmo solucionar a necessidade de trocas manuais em câmbios automáticos na época pré-computação automotiva por meio do bizarro – mas eficaz – Hurst Lightning Rod.

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Hurst Lightning Rod – Engatar de primeira a quarta de forma inteiramente manual em um câmbio automático

Por outro lado, por que diabos a Alfa Romeo criou um porta-luvas em formato de MALETA no Alfa 90 dos anos 1980? Para que o cara saísse carregando o manual do carro com classe e distinção quando fosse necessário? De forma semelhante, alguém me explica a presença de uma mesa dobrável, que fazia par com bancos dianteiros rotativos, no Imperial Mobile Director’s Coupe dos anos 1960? Será mesmo que achavam que o dono faria reunião ou comeria McDonald’s no interior de um carro desses? Definitivamente, criam-se soluções bisonhas para problemas inexistentes.

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Sim, a paixão e a razão andam de mãos dadas mas distam entre si. Feliz do engenheiro automotivo que, com base na razão, cria um automóvel apaixonante (ponto para os italianos!). Por outro lado, que mil raios partam a cabeça do cidadão que, seja por interpretação errada de uma solução lógica, ou por necessidade simples de ser inventivo, dá asas às mais estranhas soluções nos carros – com voo curto de galinha em termos de duração.

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Agora é com vocês. Quais soluções diferentes, inteligentes ou não, você se lembra de ter visto em um automóvel? Seu carro possui alguma sacada dessas? Vamos, conte suas histórias – compartilhe conosco o seu saber! E até a próxima!

  • Marcos Garanito

    O Ford Ka tinha um porta treco no teto. Quando abria, os trecos caiam! No Ford Ka da minha esposa, fica aberto direto, pois a presilha (que parecia de balde de lixeira) não prestava.

    • Renato Passos

      De qual geração?

  • Marcio

    Quando foi lançado, o Fiat Uno era repleto de idéias inovadoras de design, como a substituição da “calha” por uma fita plástica no teto (presente em todos os carros de hoje), maçanetas embutidas nas portas, a palheta única do limpador do pára-brisas, etc… Mas tinha também aquele cinzeiro que corria pra lá e pra cá no painel que todo mundo achava superlegal mas que, no fundo, não servia para nada.

    • Renato Passos

      Era fácil de tirar para limpar!

  • Dudu Pimentel

    No F40, os italianos da Ferrari queriam fazer um carro bem leve e aboliram as maçanetas internas. Sabe como se faz para sair do carro? Puxe um cordinha instalada em um buraco na porta. E o Ecosport que até hj a porta do porta-malas abre como se fosse uma porta comum. Alguns modelos 4×4 tem engate desta tração e suas variantes por um uma manopla que parece com uma de câmbio e outros é por um botão giratório que fica no cubo da roda. Vemos hj 206 SW, Sonic hatch, Veloster, HR-V e DS4 com maçaneta embutida, que ao menos prá mim é estranho.

  • Pagar 2x o valor do carro financiando sendo que você poderia comprar e pagar um só à vista

  • Diggo

    Não sou das antigas, mas uma solução estranha que lembro e que, obviamente, não vingou foi a do Agile wi-fi, que vinha com kit de internet, em tempos de 3G engatinhando.
    Mas no Alfa 90 a maleta é ficha perto desse tacômetro mais do que bizarro.

  • millemiglia

    Lembra da Ford pampa 4×4? Ela possuía dois tanques de combustível do lado direito da caçamba. Um ficava logo após a porta e outro antes da roda traseira (se não me engano). No total somavam 102 litros (um era para 40 e outro para 62 litros). Sabe como se mudava de um tanque para outro? Girando uma torneira atrás do banco do motorista.

    • Dudu Pimentel

      102 litros de combustível em um carro compacto? PQP o carro vai rodar o mês inteiro e ainda vai sobrar pro próximo mês…por essa eu não contava.

      • millemiglia

        Esqueci de incluir o detalhe que a Ford Pampa 4×4 era produzida só com o motor CHT 1.6 a álcool. Mesmo depois que a Ford e a VW se uniram na Autolatina a versão 4×4 continuou com esse motor enquanto a versão 4×2 passou a usar os motores AP.

        • Dudu Pimentel

          Tudo bem que são 2 tanques e o combustível é o álcool, mas me corrija se eu estiver enganado: é a maior capacidade de armazenamento de combustível já vista em um carro compacto no Brasil e talvez no mundo.

          • millemiglia

            Acho que nisso você tem razão Dudu. Hoje ela seria realmente considerado um carro compacto pois com seus 4,49m de comprimento ela tem o mesmo tamanho que o Nissan Versa e o Renault Logan, que são considerados compactos.

    • Milton Quadros

      Mas isso tinha uma razão: foi durante a ditadura militar, quando o Brasil quebrou pela primeira vez e produzia míseros 100 mil barris de petróleo por dia. Como os postos de gasolina ficavam fechados durante o final de semana – determinação do governo para economizar combustível -, quem não levava galão corria o risco de ficar a pé. O então presidente João Figueiredo chegou a enriquecer o anedotário nacional, ao sugerir aos brasileiros uma alternativa para o petróleo caro e pouco: “Botar o cavalo no arado e andar a pé. A solução é esta.” . Talvez passemos novamente por essas fortes emoções novamente 🙂

      • millemiglia

        Milton, a Pampa 4×4 foi lançada em 1984 (a 4×2 foi dois anos antes), ou seja, ainda no governo do general Figueiredo. Mas o motivo para ter dois tanques era que o tanque da Pampa 4×2 era nuito grande (76 litros) e teve que ser reduzido para acomodar o sistema de tração traseira. O tanque ficou com apenas 62 litros. Como essa versão só era produzida com motor a álcool e seu consumo era mais alto ( afinal ainda usava carburador), a Ford resolveu adicionar mais um tanque para 40 litros. A soma dos dois (102 litros) é apenas 5 litros a menos que o tanque do Landau.

        • Milton Quadros

          Tem razão, Millemiglia. Obrigado pela correção.