Volkswagen Up! TSI ou Renault Sandero RS? – Diversão em jogo

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Volkswagen Up! TSI ou Renault Sandero RS? – Diversão em jogo

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Precisamos conversar alguns paradigmas relacionados a carros e o que nos impressiona neles. Claro que o design é o cartão de visitas, mas vemos o motor e sua potência, o zero-100km/h e a velocidade máxima, números que para nós, que jogamos Super Trunfo na infância, tornam-se base de comparação entre dois ou mais carros. A questão é que estes números nem sempre expressam como os carros realmente são. O Volkswagen Up TSI e o Renault Sandero RS estão aqui para ajudar a desconstruir estas ideias e se enfrentarem.

O Sandero RS representa aquilo que todo apaixonado por carro já quis fazer: transformar um carro sensato em algo divertido e usável no dia a dia com peças de prateleira. A receita poderia se resumir a um simples “swap” com motor 2.0 e câmbio manual vindos do Duster, porém, isso exige algum trabalho em outras partes do carro.

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Quem assina o acerto de chassi é a RenaultSport. O câmbio teve suas relações encurtadas, os freios são mais poderosos e ainda há direção elétrica convenientemente mais pesada e direta que a hidráulica, controles de estabilidade e tração, rodas maiores (16″ ou 17″, esta opcional), escape retrabalhado – que pode ficar com ronco mais encorpado ao retirar uma plaquinha do filtro de ar – e até mesmo bancos com apoios laterais melhores. O motor também é mais potente, com 150 cv em vez de 148 cv. Melhor que isso, só se a base para todas essas alterações fosse um Clio…

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E o Up TSI? Bem, é completamente diferente, por ser despretensioso no que diz respeito a esportividade. O que a Volkswagen buscava ao usar motor três cilindros com turbo e injeção direta era economia, mas, além disso, também conseguiu desempenho de tirar largos sorrisos até do marmanjo mais bruto. Tem a sua disposição 105 cv e excelentes 16,8 kgfm de torque em rotações bem baixas e, ainda assim, bebe menos que um camelo. É a prova de que a tendência de downsizing de motores não é de todo ruim, mesmo que esteja acabando com os grandes motores.

Um mundo chamado “vida real”

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O aparelho que mede a aceleração dos carros em testes de pista usa GPS, acelerômetro, altímetro e giroscópio para dar seus resultados, já o corpo humano tira suas impressões usando quatro de seus sentidos: visão, audição, tato e olfato, pois ainda não há carros comestíveis. Na vida real, o prazer de dirigir está mais relacionado à força que o motor consegue entregar em giros baixos e intermediários, nas retomadas e nas sensações que o carro consegue te transmitir – como a de seu corpo colando no banco ou vibrando na mesma frequência do carro. São coisas que podem alterar por completo sua sensação de velocidade.

Você também não vai para o trabalho saindo de cada sinal de trânsito com controle de largada e não há um cronômetro no parabrisas que é zerado ao passar por cada radar (ou checkpoint, como queira). No mundo real, você usa o Waze e mede o tempo em minutos; os milésimos que seu carro dos sonhos ganhou em Nürbugring com alterações aerodinâmicas seriam inúteis, as frações de segundo de diferença no 0-100 com novo mapeamento do motor também.

Referência em diversão

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A Renault anuncia 0 a 100 km/h em 8 segundos cravados para o Sandero RS, um ótimo tempo. Para conseguir isso, precisaram deixar o câmbio manual de seis marchas com escalonamento tão curto quanto o câmbio de cinco marchas usado no Sandero 1.0, salvando-se apenas pelo diferencial pouco mais longo. É ótimo ter uma marcha coladinha na saída das curvas de um autódromo, mas, na vida real, isso significa que você será obrigado a trocar as marchas mais cedo para conter os ânimos do 2.0, sendo que este câmbio não tem engates certeiros (reduções para terceira e segunda marchas são complicadas). Se a sexta marcha fosse um pouco mais longa as viagens também seriam mais tranquilas.

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O início de um bate-volta do Rio de Janeiro a São Paulo foi animado. Curvas da Dutra entre a Serra das Araras e Resende eram comemoradas. O Sandero é ótimo de chão, tem freios eficientes e, embora tenha controles de estabilidade e tração, é bastante permissivo. Na volta ao Rio, após encarar as longas retas de São Paulo, passar pelo mesmo caminho já não tinha a mesma graça. Eu já sentia meu coração bater no mesmo ritmo do escape borbulhante quando o motor trabalhava próximo dos 3.500 rpm, a 120km/h. Bastaria uma noite de descanso para voltar a achar o Sandero divertido.

Volkswagen Up TSI ou Renault Sandero RS

Pela tabela, um Renault Sandero RS parte dos R$ 61.509, mas não é difícil fazer este preço cair para cerca de R$ 55 mil na concessionária. Isso por um carro verdadeiramente esportivo, com bom gosto nas mudanças sofridas no design e praticamente pronto para que você se divirta em um track day – não precisa nem trocar os pneus Continental Sport Contact. Tem mimos como a central MediaNav e o ar-condicionado automático, mas ainda é um Sandero, com espaço interno e porta-malas amplos, mas sem one-touch nos vidros e chave canivete…

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Quando a razão tem voz

Volkswagen Up TSI ou Renault Sandero RS

Há quem ache um pecado capital comparar carros de preço e características tão distintos, mas este é um caso atípico. Claro que quem só tem dinheiro para um Up! TSI não poderá comprar um Sandero RS. Mas quem pode comprar um Sandero RS, pode comprar um Up! TSI, guardar o troco e ser feliz. Tudo bem que, dependendo da versão escolhida, o troco pode nem pagar o IPVA…

Volkswagen Up TSI ou Renault Sandero RS

O Volkswagen Up, assumidamente diferentão, desdenha do ótimo câmbio de cinco marchas. Na prática, quase funciona como um quatro marchas com a quinta de overdrive. A 120km/h o indicador no quadro de instrumentos pede a quinta, mas parece fora de marcha de tão longo que é seu escalonamento. Isso é legal: na cidade, dificilmente você precisará ir além da terceira marcha, pois poderá fazer praticamente tudo com ela. Se o Sandero trava uma batalha para encontrar os 20,9 kgfm de torque aos 4.000 rpm, o Up flerta com seus 16,8 kgfm de torque máximos aos parcos 1.500 rpm. Se assim chega aos 100km/h em 9,1 s, se acordo com a Volks, imagine se sua proposta fosse realmente a de ser um carro esportivo!

Volkswagen Up TSI ou Renault Sandero RS

Outra questão é que no Up as sensações são outras. As vibrações do três cilindros e o ronco diferente do motor com injeção direta são mais notáveis com o carro parado, em movimento o que mais se escuta é vento. A ergonomia é muito melhor, a suspensão, embora calibrada visando conforto, tem acerto bem acima da média para um compacto e a força do motor faz você colar no banco de forma surpreendente, ainda que o controle de tração seja mais presente do que o desejável – principalmente se você ainda estiver preocupado com segundos e milésimos.

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Um High Up! como o das fotos custa hoje R$ 52.990. Olhando sua ficha técnica é difícil encontrar algo relevante que ele tenha e o Sandero RS não, além da chave canivete. Pelo contrário, faltam no Volks os vidros elétricos traseiros, controle de estabilidade (sim, ele só tem controle de tração) e uma central multimídia. Explico: o Maps&More, disponível como opcional no configurador da Volkswagen, se tornou lenda para a rede de concessionárias ainda nos primeiros meses de 2014, quando o Up! tinha apenas o motor de 82 cv. Mas há algo no Up! que o Sandero RS nunca terá, que é o baixo consumo. Com gasolina, o Up! TSI faz 13,5 km/l na cidade e até 18 km/l na estrada, enquanto o Renault pena para fazer 7,5 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. É por isso que o anjo no pé do seu ouvido defende o Up TSI…

Pecado capital seria definir um vencedor entre os dois. É simples: vence aquele que melhor atender às suas expectativas. O que importa não é a classificação nem os números, mas sim encontrar o carro que lhe deixe feliz e satisfeito.

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Dados da fabricante

Renault Sandero RS

Motor Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, flex; Cilindrada 1998 cm³; Potência 145 cv e 150 cv com gasolina e etanol a 5.750 rpm; Torque 20,2 kgfm e 20,9 kgfm com gasolina/etanol a 4.000 rpm; Câmbio manual, 6 marchas; Tração dianteira

Dimensões: Comprimento 4,07 m; Largura 1,73 m; Altura 1,50 m; Entre-eixos 2,59 m; Porta -malas 320 l; Peso 1.160 kg.

Aceleração de zero a 100 km/h: 8 segundos com etanol

Velocidade máxima: 202 km/h com etanol

Origem: São José dos Pinhais, Paraná.

Volkswagen High Up! TSI

Motor Três cilindros em linha, dianteiro, transversal, flex; Cilindrada 999 cm³; Potência 105 cv e 101 cv com etanol e gasolina a 5.000 rpm; Torque 16,8 kgfm entre 1.500 e 4.000 rpm com etanol e gasolina; Câmbio manual, 5 marchas; Tração dianteira

Dimensões: Comprimento 3,64 m; Largura 1,64 m; Altura 1,50 m; Entre-eixos 2,42 m; Porta -malas 285 l; Peso 971 kg.

Aceleração de zero a 100 km/h: 9,1 segundos com etanol

Velocidade máxima: 184 km/h com etanol

Origem: Taubaté, São Paulo.

 

Fotos | Fabio Perrotta e Henrique Rodriguez
Colaboraram | Fabio Perrotta Jr. e Michael Figueredo
  • Félix

    Ficaria com o Sandero RS… acho que dá pra ter por anos e anos de boa diversão! Até acho que o Up é mais para o dia-a-dia: pequeno e rápido. O mais engraçado no Up TSI é que NINGUÈM abre pra vc…. todos vêem aquele carrinho no retrovisor e nem te dão moral..

  • Marco Antônio

    Desanimei do Sandero RS. Parece que eu sou a única pessoa que acha ele um carro legal.! kkkkk

  • Elizandro Rarvor

    Ótimo texto, não sei ao certo, mas o Sandero RS você já sai com ele direto para os track day, um UP não tem esta estabilidade toda para isso, eu acho, ai precisa fazer uns ups na suspensão do UP

  • Pedro Cunha

    A matéria é bem ao gosto do pessoal que “ama carros”…(Eu me incluo!)
    Sem dúvidas que o Sandero é a escolha passional e o Up! apela pro racional, porém o VW dá em “bônus” aquela esportividade que jamais sonhamos ao guiar um modelo “1000”. Realmente, a escolha se define tão somente pelo perfil do sujeito e o quê ele quer fazer com o carro, já que a esportividade será encontrada em ambos.
    Pessoalmente escolheria o Sandero RS, apesar de ser perfeitamente contemporâneo, ele tem um “espírito” que remete aos anos 80~90 com seus hatches pequenos equipados com motores de hatches/sedãs médios(Monza/Vectra cedendo motores ao Kadett, Gol recebendo motores do Santana, Tipo ganhando motores do Tempra, Escort ganhando motores do Versailles….) bons tempos. E tudo sem controle eletrônicos.

  • aloísio maciel

    o up tsi é mesmo surpreendente, só dirigindo para entender o que o carrinho é capaz de proporcionar no motorista. como dizem, a sensação é a de dirigir um mini-golf.

  • Até que não podemos reclamar muito da falta de opções em carrinhos divertidos na faixa de até 60 mil. Além do up! e do Sandero, acrescentaria o HB20 nas versões turbo e 1.6, March 1.6, além de alguma unidade 2016 do finado Punto T-Jet. São compras emocionais. Mas trazem um prazer danado!

    ps: o texto precisa de uma pequena revisão em algumas partes.

  • DSG

    Bom texto… parabens!