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Impressões – Chevrolet Onix e Prisma 2017 mostram que pequenas mudanças dão resultado

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A Chevrolet tem navegado por mares tranquilos. Seu hatch compacto, o Onix, é campeão nacional de vendas, dominando 7,2% de seu segmento em 2015. Com 20% das vendas dos sedãs pequenos, o Prisma é tricampeão de vendas em sua categoria. Pode parecer uma conquista qualquer, mas não é bem assim. Desde 1986 o veículo mais vendido do país é um hatch compacto – inicialmente Volkswagen Gol, depois o Fiat Palio. É um segmento em que cada palmo é severamente disputado. Antes disso, em 1984 e 85, o líder de vendas era justamente o Chevrolet Monza. Somente em 2015 a fabricante norte-americana retomou o topo do pódio. Buscando manter a pole position, a GM promoveu pequenas mudanças no Onix e no Prisma. É tomar fôlego para se manter à frente da concorrência. Será o suficiente? É o que vamos ver.

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Pelo lado de fora, as alterações saltam aos olhos. Entretanto, são de bom gosto, sem a impressão de “remendo” muitas vezes verificadas em reestilizações. A intervenção do designer Wagner Dias é de rara felicidade, e não nos faz sentir a mínima saudade de Carlos Barba, seu polêmico antecessor. A maior quantidade de alterações se concentra na dianteira, onde novos faróis e para-choques completam o inédito conjunto em que linhas retas horizontais são a temática dominante. A grade dividida em consoante com o estilo adotado pela fabricante nos últimos lançamentos, trás um frescor ao desenho dos carros, que ganharam as ruas no final de 2012. Uma falta sentida é dos faróis biparabólicos, a despeito na adoção de peça inteiramente nova, com luzes de uso diurno (DRL)  na versão LTZ, topo de linha.

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As mudanças são mais distintas na seção traseira. Enquanto o Onix recebeu novos parachoques e lanternas ligeiramente redesenhadas, com perfil mais horizontal e retangular, o Prisma apresenta mudanças nos mesmos componentes além de um novo desenho da tampa do porta-malas. Foi adicionado um pequeno aerofólio nesta última, tornando o desenho elegante e de muito bom gosto, modificando a silhueta da região no sedã da Chevrolet. Ponto para a equipe de desenhistas, portanto. Um emblema com os dizeres “Eco” se mostra na tampa do porta-malas, do lado do motorista. A lateral praticamente intocada, a despeito de discretas modificações percebidas na seção final de faróis e lanternas.

Mudanças na calibração da suspensão acabaram por deixar os modelos 1cm mais baixos, melhorando também o stance de ambos. Colaboram para a sensação de bem estar visual as novas rodas de 15 polegas, em alumínio usinado na versão LTZ (em aço, com calotas, na LT 1.4). No âmbito geral verifica-se uma boa qualidade construtiva, com gap (distância entre as chapas) uniformes.  Apenas cinco cores estão disponíveis para o ano-modelo 2017: branca (sólida), cinza, prata, preto e vermelho (metálicas).

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Entramos nos carros. Por dentro, a mudanças são menos numerosas, se resumindo a novos puxadores de porta que substituem os anteriores, de péssima operação, e novos revestimentos, distintos para Prisma e Onix. Uma análise mais profunda revela a novidade que se estampa no topo da manopla de câmbio: o câmbio manual de seis marchas em todas as versões, tanto para o motor 1.0 (apenas disponível para o Onix) ou 1.4, como parte do pacote de soluções técnicas para maior eficiência mecânica

Festa tecnológica para o bem da nação

Um novo rol de equipamentos de série se faz presente. Começando pelo básico Onix LT 1.0 (de R$ 44.890) temos como principais equipamentos: ar condicionado, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos tipo um-toque, alerta de mudança de marcha, sistema de áudio com Bluetooth e entrada USB, chave tipo canivete com controle remoto das travas e vidros elétricos, banco do motorista e cintos de segurança dianteiros com regulagem de altura, porta-revista no dorso do assento do carona, limpador e desembaçador traseiro, sistemas antifurto, aviso sonoro para não-afivelamento do cinto de segurança, rodas aro 14 em aço, além dos onipresentes freios ABS com EBD e airbag duplo.

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Uma novidade alardeada pela Chevrolet é a presença do OnStar em todas as versões, com o primeiro ano de uso gratuito. Na LT 1.0 básica, o pacote oferecido é o Safe, estando disponíveis as funções “Diagnóstico” –  onde por meio de um aplicativo o usuário pode conferir alguns parâmetros do veículo, como a quilometragem total percorrida e a pressão dos pneus, este com monitoramento via infravermelho emitido por equipamento instalado nas rodas originais do automóvel; “App/Web” – Acesso a esses dados via computador ou smartphone –  e “Segurança” – auxílio na recuperação veicular em caso de furto ou roubo. O veículo pode ser monitorado, e o motor, bloqueado remotamente pela Central de Atendimento.

Ainda na versão LT 1.0, é oferecido como opcional o pacote MyLink, que abrange acabamento interno em dois tons (preto e cinza), volante com comandos de áudio e telefone, luz de cortesia no porta-luvas, abertura do porta-malas por controle remoto, o pacote Protect do OnStar que acrescenta a função “Emergência”(Salvamento e socorro médico acionado em botão junto ao retrovisor ou pelo disparo dos airbags). Mas a grande vedete do pacote é o sistema multimídia MyLink de segunda geração.

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É quase impossível distinguir o MyLink do Onix – sistema multimídia que fez sua estréia em 2012 justamente no Onix, é um diferencial para o público do segmento que faz questão de um equipamento de mídia interativo. Sem dúvida, um artificie de vendas que ajudou a levar o Onix e o Prisma para o topo das paradas. Para não cair na obsolescência tecnológica, a Chevrolet oferece sua evolução natural, já vista na S10, Trailblazer e Cruze. O MyLink2 oferece tela tátil de 7 polegadas, integração com Android Auto e o Apple CarPlay e permite ditar e ouvir mensagens de texto por meio do sistema de áudio do veículo, obter itinerários com as condições atualizadas de trânsito, fazer buscas de pontos de interesse e até mesmo acessar aplicativos como WhatsApp, de troca de mensagens, e o Spotify e o TuneIn, de músicas online.

O aparelho também informa data, hora e temperatura externa e permite configurar vários parâmetros do automóvel. As teclas de avançar e retroceder do multimídia foram deslocadas do visor para o painel externo do aparelho e o botão do volume passa a ser giratório.  Várias funções do sistema de áudio e telefonia ainda podem ser comandadas por teclas no volante. A versão LT 1.4 parte do pacote MyLink do LT 1.0 e acrescenta coluna de direção com regulagem de altura, sensor de estacionamento traseiro com auxílio gráfico junto à central de mídia e rodas de aro 15, com conteúdo idêntico para Onix e Prisma. Ao se optar pelo câmbio automático, também é disponibilizado Cruise Control e revestimento do volante em couro para ambos os modelos.

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Exceto pela câmera de ré exclusiva do sedã, tal paridade de equipamentos também se verifica na versão topo de linha LTZ 1.4. Ao conteúdo da LT 1.4 são adicionado detalhes internos e externos com revestimento cromado, computador de bordo com cinco funções (consumo médio, velocidade média, autonomia, temperatura externa e cronômetro), vidros traseiros elétricos com a função um toque, bancos com revestimento distinto, retrovisores externos com ajuste elétrico, DRL nos faróis, faróis de neblina, rodas de alumínio e o pacote Exclusive do OnStar, que inclui as funções “Concierge” de atendimento humano personalizado e “Navegação”, que opera de forma distinta ao Google Maps que pode ser executado no MyLink via Android Auto ou Apple CarPlay.

Inovações e reedições, em doses equivalentes

É hora de andar nos carros. Em uma viagem sob forte chuva pela região serrana do Rio Grande do Sul, avaliamos o Onix LTZ com câmbio manual por 240 quilômetros de trechos rodoviários, acompanhados posteriormente por 120 quilômtros realizados à bordo do Prisma LTZ  equipado com câmbio automático. Antes de girar a chave, entretanto, é hora de dar uma olhada no motor, câmbio, suspensão e chassi: as maiores novidades estão justamente no que os olhos não vêem tão facilmente.

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Sob o capô, um velho coadjuvante reeditado para mais uma temporada. Com exatos 1.389 cm³ e fruto da linhagem que se iniciou em nosso país com o C14NZ do Corsa B de 1994, o motor 1.4 SPE/4 ECO é o velho conhecido de todos nós, oriundo da Família 1 de motores da GM. Em sua atual edição, o propulsor entrega 106 cv de potência @ 6.000 rpm e 13,9 kgfm @ 4.800 rpm de torque, números obtidos quando abastecido com etanol. São 76,3 cavalos por litro, enquanto concorrentes chegam aos 82 cv/l sem recorrer à sobrealimentação.

Mas não há milagre: sem soluções técnicas de domínio comum, como duplo comando de válvulas no cabeçote ou variador de fase, o desempenho para o motor em voga é, no mínimo, interessante para um motor que surgiu na Europa em meados dos anos 1980, alimentado por um carburador Pierburg 2E3 de corpo duplo e parcos 74 cv de potência e 11 kgfm de torque…

A engenharia da GM aplicou ao veterano propulsor um novo conjunto móvel no interior dos cilindros, com menor massa – de quebra, menor inercia e dissipação energética. Dentre outros recursos técnicos, verificam-se anéis mais finos, saias de pistão redesenhadas e bielas – forjadas – ainda mais aliviadas. Ainda buscando menor perda energética, o óleo lubrificante é de baixa viscosidade a quente (0W20), aliado o módulo eletrônico de gerenciamento do motor (ECU) que está 40% mais rápido e potente.

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Mudanças no sistema de arrefecimento, com central de controle multivelocidades, ventilador sem escovas – logo, em menor atrito -, trocadores de calor construídos por brasagem, mais leves e menores e menor quantidade de líquido refrigerante resultam em um sistema mais silencioso, leve e eficaz. No campo de gerenciamento de cargas elétricas verifica-se o monitoramento continuo da carga da bateria, que demanda um uso mais racional do alternador, agora de alto rendimento.

Como anteriormente dito, uma novidade para toda a linha é a caixa manual de seis marchas, com a última marcha funcionando como overdrive e baixando a rotação do motor buscando silêncio à bordo e economia. Seu manejo é excelente, com engates suaves –  engates suaves, sem “calos” no acionamento, imprecisão nos engates, curso demasiadamente longo – e escalonamento correto. Mesmo com a adição de mais um par de engrenagens, a nova caixa é mais leve que a antecessora de cinco marchas. Para os que dispensam o pedal de embreagem, a já utilizada caixa automática GF6 chega em nova geração (a terceira, como a utilizada no Cruze), com bomba de óleo mais eficiente e outros melhoramentos. Perdeu-se, entretanto, a chance de se revisar o infeliz comando manual das marchas nesse câmbio, através do nada ergonômico botão na lateral da manopla.

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Reais evoluções são notadas e sentidas no chassi e sistemas afins. Mesmo com um monobloco mais rígido e de um maior número de equipamentos de série em todas as versões, os veículos se mostram mais leves: 32 kg a menos no Onix, 34 no Prisma. Além do reestudo de mais de 100 diversos componentes, a aplicação de aços de alta resistência em painéis e reforços estruturais tem grande importância nessa evolução. Como apregoado por Colin Chapman, a menor massa total do carro resulta, fatalmente, em melhor dirigibilidade em todas as situações. Mas a Chevrolet levou o campo do handling realmente à sério. Logo, mais evoluções estão presentes.

Visando melhor experiência durante a condução, adotou-se em toda a linha a direção elétrica, de ação progressiva inteligente. Ela compensa a inclinação da via em longos percursos e reduz as trepidações geradas por eventuais desbalanceamentos das rodas. Tal artifício faz par com a suspensão reestudada, que adota menor altura de rolagem – menos 1cm –, auxiliando a aerodinâmica aprimorada em 5% no Onix e 8% no Prisma – graças a inéditas calibrações de molas, amortecedores, cubos de roda e barra estabilizadora de menor diâmetro. A diferença ao rodar, frente ao Onix 2016, é sensível para qualquer condutor.

O que os olhos não veem, o coração sente

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Rodando na região serrana gaúcha, percebe-se um alto nível de ruído proporcionado pelos pneus de baixa resistência ao atrito, a despeito de um excelente trabalho de isolamento de barulhos, vibrações e aspereza (NVH, em inglês, como normalmente se refere à tal área da engenharia). O motor cumpre bem sua proposta: é feito para rodar com parcimônia, obtendo economia, e não buscando desempenho de um puro-sangue. Ainda no campo do consumo de combustível, ambos o modelos obtiveram nota “A” no Conpet-Inmetro. Com índices de consumo rodoviário de 14,9/10,2 km/l (gasolina e etanol, respectivamente) e urbano na casa dos 12,5/ 8,6 km/l para o Onix LTZ 1.4 equipado com câmbio manual, esperávamos obter números semelhantes durante nossa incursão sulista. E foi isso que alcançamos: 14,8 km/l com gasolina, de acordo com o PC de bordo.

Louros para caixa de câmbio bem escalonada, com overdrive real em sexta marcha, permitindo obter baixas 3.000 rpm a 120 km/h. Mas nas ultrapassagens e subidas, dá-lhe reduções: o motor 1.4 mostra o peso da idade – ou obsolescência – e peca em elasticidade: com apenas 1.200 rpm entre os picos de torque e potência, faz-se necessário o uso de marchas mais reduzidas para que o veículo ganhe velocidade – ou não perca o embalo – de forma decidida. No uso urbano, e colocando-se no lugar do comprador habitual de Onix e Prisma, o motor vai bem: não é áspero e atende bem às demandas do cotidiano.

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Buscando encontrar o limite de Onix e Prisma, uma interessante constatação: ambos são bons de chão. Demonstrando uma rigidez de conjunto, mas passando ao largo do desconforto, o trabalho de chassi dos modelos se mostra muito bem executado, trazendo satisfação ao condutor – o que nos leva à seguinte sugestão: traga o 1.6 16v do Sonic para esse carro, Chevrolet. E ganhe a simpatia de uma horda de entusiastas. Os bancos seguram bem o motorista e o condutor no local nas curvas. Mesmo pulando um pouco com o eixo de torção traseiro, os compactos do fabricante norte-americano estão acima da média do segmento em comportamento dinâmico. Não são os melhores, mas podem arrancar sorrisos de quem gosta de fazer curva. Na hora de parar, tudo ok: Os freios estão de acordo com a proposta, cumprindo bem sua obrigação.

Na hora de se dirigir ao caixa, uma constatação de nosso mercado: nem sempre o carro mais barato é o mais vendido. Vide o Onix agora começar nos R$ 44.890,00 (LT 1.0 básica) e bater nos R$ 64.690,00 para o Prisma LTZ AT. É o preço do sucesso, entretanto, que muitos pagaram. Continuarão pagando? Pelo fiel da balança, com muitos acertos para poucas incoerências, e entendendo como poucos do mercado nacional nos últimos anos, os diretores da Chevrolet podem dormir tranquilos: o caminho para o sucesso está mais pavimentado do que nunca.

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Dados da fabricante

Motor Transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, com injeção indireta no coletor de admissão, bicombustível Cilindrada 1.389 cm³; Potência 98/106 cv a 6.000 rpm; Torque 13/ 13,9 kgfm a 4.800 rpm; Câmbio manual, 6 marchas; Tração dianteira

Dimensões Onix: Comprimento 3,93 m; Largura 1,70 m; Altura 1,47 m; Entre-eixos 2,52 m; Peso 1.042 kg.

Capacidades: Tanque de combustível 54 litros; porta malas 280 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 375 kg.

Aceleração de zero a 100 km/h: 10,5 segundos com etanol

Velocidade máxima: 180 km/h com etanol

Origem: Gravataí (RS)

  • Airplane

    Os carros melhoraram mas os motores deverão evoluir atá 2018 para versão tricilíndrica, mais moderna, que já existe na Europa.