Pergunta da Semana

Pergunta da Semana – Você já atolou um carro?

Às vezes a natureza vence o automóvel…

Off road vehicle splashed mud

Sim, meus caros e fiéis leitores. Portugal ganhou um título e o Grêmio ainda não, o Cunha caiu (e isso tem ligação com o tema, você verá) e uma novidade: é a primeira Pergunta da Semana com trilha sonora dedicada! Mas antes do DJ soltar o som,  farei uma rápida viagem por aspectos diversos que convergiram no assunto que aqui trataremos.

Bom, inicio a peleja falando de uma rápida passagem familiar que não se passou comigo, mas historicamente famosa no meu lar. Meu avô, em meados dos anos 1970, era o proprietário de uma Willys Rural. Com uma família grande, uma fazenda distante da sede do município aonde ele ainda reside e com a ausência quase total de pavimentação na cidade e arredores, era uma escolha óbvia em termos de automóvel.

Dentre as inúmeras qualidades do Sr. Gil, meu admirado patriarca, seguramente o dom da pilotagem de um carro não estava entre elas. Assim, os simples deslocamentos poderiam ser roteiro de filme hollywoodiano pelo fator surpresa contido nos rolês. Soma-se a isso o relevo acidentado entre a cidade e a fazenda e as estreitas estradas de terra: o quadro nababesco estava implantado. Sendo assim não me surpreende que uma de minhas tias, em sua confissão que anteciparia a primeira comunhão na Igreja Católica, tenha relatado ao padre que ela sentia medo de andar com meu avô na Rural.

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“Linda história de vida, seu patife. E qual a relação disso com a Pergunta da Semana?”

Simples. Além de saber que meu avô frequentava os barrancos à beira da estrada de forma involuntária, lembrar desse caso colocou em minha cabeça a trilha sonora dessa PS. Sente a canção aí:

Sensacional, diria eu! A parte de desatolar a Rural, inclusive com solicitações de acunhar uma ré (engatar a ré, em mineirês regional arcaico), é digna do Grammy, não concorda? Falando em acunhar uma ré, a lama do Cunha é ruim. Mas vocês já devem ter percebido que eu sou fã de fora de estrada – embora não mais do que de asfalto. É uma questão de amor pelos automóveis em sua generalidade mesmo.

Bom, não obstante, esses dias levei um SUV com construção tradicional para uma volta na terra. Tração 4×4 com reduzida, construção do tipo chassi-carroceria e relativo bom vão livre central me encorajaram a tal. Pé na tábua, poeira no ar, e chegou a hora de transpor uma valeta profunda e sacana. Só Jesus na causa: uma roda no ar, chassis submetido a forças torcionais, e ângulos de entrada e saída não necessariamente adequados. Mas foi: com alguma paciência e muita técnica, passei pelo obstáculo. Na volta, subestimando o ângulo de entrada do veículo, parei de forma errada no meio da valeta. Pneus urbanos e a falta de bloqueio de diferencial quase me fizeram empacar por lá: se ficasse agarrado na valeta, estaria por lá até hoje e minha cara linda estaria nos telejornais do Brasil. Como é que dois caras, sem nada ao redor, tirariam mais de 2,2 toneladas de dentro daquele buraco? Nos finos braços do meu zequinha é que não seria.

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Bom, poderia ficar aqui até amanhã falando das minhas enrascadas no mundo off-road. Mas a bola da vez é você, meu caro leitor! Você já ficou atolado alguma vez na vida? Onde, com qual carro? E como foi seu processo de salvação – ou você está no mesmo lugar até hoje, como um náufrago em terra firme? Vamos, compartilhe conosco a sua experiência logo abaixo!

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E até a próxima!

  • awatenor

    Lembro de ter atravessado um lamaçal gordurento a bordo de um 147, lá nos oitentas, e o bichinho entrou e saiu, berrando, mas saiu. Coisas de adolescente. Também de uma praia de areia muito fofa. E de umas e outras pirambeiras onde o meu pai metia o caixinha achando que era jipe, e curiosamente ele sempre saía. Até tirar uma F4000 de um areia ele tirou, believe me!

  • millemiglia

    Atolar realmente, não. Quase atolei minha Palio Weekend 1.0 6 Marchas no interior de Sarandi-RS mas consegui sair engatando a ré. Uma outra vez, com um Verona 1.6 LX 91, escorreguei da estrada e o pneu dianteiro direito caiu dentro de uma valeta. Por sorte um dos meus cunhados morava perto e me rebocou com o trator.