Artigo / Mercado

Esportividade ao volante não pode ser banalizada

Para quem gosta de dirigir, adereços estéticos não substituem desempenho

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Hyundai HB20 R-spec: rodas e para-choques exclusivos

Quem vê cara, não vê coração. Este ditado pode ser levado ao pé da letra na hora de descrever alguns modelos esportivos vendidos no Brasil. No quesito visual eles se diferem do restante da linha, com para-choques esportivos, saias laterais, aerofólio, ponteira de escapamento e rodas pouco maiores que nas versões “civis”.

Ao abrir a porta, entrar e sentar no banco do motorista é possível notar alguns apliques com imitação de fibra de carbono ou em vermelho espalhados pelo painel, que fazem questão de induzir o pensamento do motorista de que esta é uma versão esportiva. Isso quando não há alguma inscrição no encosto do banco ou cintos de segurança em vermelho. Mas na hora de girar a chave, engatar a primeira marcha e acelerar, nada muda. Debaixo do capô, está o mesmo motor de versões sem o apelo visual.

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Bravo Sporting: design dinâmico, mas com motor 1.8 de 132 cv

Se alguns destes modelos ainda possuem leves alterações na suspensão, deixando o automóvel mais próximo ao solo – que interfere a favor do comportamento dinâmico do carro –, poucos deles surpreendem no quesito desempenho. João Pedro Souza, empresário brasiliense, tem um Fiat Bravo Sporting 2013 em sua garagem, e afirma que potência não é o ponto forte do veículo. “A aparência é mais bonita. Mas, para um esportivo, o desempenho é decepcionante”, conta.

Nas décadas de 1980 e 1990 o termo esportivo era considerado algo sério quando o papo era carro. Modelos desejados como o Ford Escort XR3, o tão (justamente!) venerado VW Gol GTI, Corsa e Kadett que compartilhavam a sigla GSI e a tríade de Fiat turbinados, como Uno, Tempra e Marea, entregavam não só visual diferenciado, mas também o mínimo que se esperava destes veículos: desempenho.

Versões diferenciadas

Para Fernando Pires, advogado que teve vários esportivos como Corsa GSI, Uno 1.6R, Gol GTS, Opala SS e Chevette GPII, a diferença não estava somente no desempenho. “Quem comprava estes carros não queria apenas um esportivo, mas algo diferenciado. Seja no visual, no acabamento ou no conforto”, relembra. Crítico, Pires acredita que a diferença nestes quesitos não é tão considerável como era nos anos 1980 e 1990.

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Up TSI e Sandero R.S.: um é econômico e rápido por acaso, outro é um esportivo nato

Se nos anos 2000 algumas fabricantes passaram a priorizar a estética, em vez de dar atenção ao conjunto mecânico, a partir de 2009 houve um resgate da esportividade que, até então, respirava com ajuda de aparelhos. Atualmente alguns veículos vendidos no Brasil dão a mínima esperança de que o jogo vire a favor de quem quer um esportivo de verdade. Exemplos claros são os hot hatches como Fiat Punto T-Jet, Renault Sandero RS, Citroën DS3, Peugeot 208 GT e, quem diria, o VW Up TSI que, segundo a própria fabricante, foi feito para ser um carro muito mais eficiente e econômico do que esportivo.

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Fox Pepper: misto de elementos do CrossFox com rodas maiores e teto preto

Eles são o exemplo de automóveis que mostram a possibilidade de unir direção e diversão. Algo que, geralmente, é buscado por quem deseja mais do que apenas um carro para se locomover pela cidade. Estes compactos apimentados remam contra a maré e, de quebra, podem combater a banalização do termo esportivo no mercado automotivo brasileiro. E nós torcemos por eles.

  • Alexandre Coelho

    A matéria não poderia deixar de fora o Golf GTI. E já que falaram do up!, pq não o Jetta 2.0 TSi.

  • Bruno Brasil

    Ja é banalizada faz tempo, porque brasileiro não tem cultura automotiva, ele não se importa se o carro tem desempenho superior ou não, ele quer é que seja bonito e faça inveja ao vizinho. Algumas montadoras ainda trazem carros com alguma coisa esportiva de verdade, mas são caríssimos e com pequeno publico, pois sai muito melhor e mais barato vc mesmo preparar um carro que vc consegue muito mais potencia do q os q saem de fabrica. Tirando claro as marcas premium.