Automobilismo / Splash and Go

Splash and Go! – O sabor amargo da vitória

AI 29 comemorando a primeira vitória na MotoGP

O Grande Prêmio da Áustria de MotoGP, realizado em 14 de agosto, marcou o fim do jejum de 6 anos da Ducati sem vitórias na categoria. A última foi com o piloto australiano Casey Stoner, em 2010. Porém, o triunfo do italiano Andrea Iannone deve ter causado um desconforto no boxe da equipe italiana.

Desde o início da temporada de 2015, a Ducati conta com a dupla de italianos Andrea Dovizioso e Andrea Iannone como pilotos titulares. Os dois são bons pilotos. Mas uma equipe que, na última década, teve Casey Stoner e Valentino Rossi, não pode se contentar apenas com bons pilotos.

Para a temporada de 2017, a equipe italiana abriu o cofre e vai pagar um caminhão de dinheiro para ter o espanhol Jorge Lorenzo como piloto principal. E a segundo moto? A Ducati tinha duas opções: o regular, porém, acomodado Dovizioso, ou o ousado e inconstante Iannone. Com o posto de primeiro piloto definido, a Ducati quis evitar problemas e ficou com o Dovizioso. Na minha opinião, a dispensa de Iannone foi uma decisão covarde, pois todo mundo sabe que o Dovi não vai oferecer perigo ao novo companheiro de equipe. Já o Iannone, não aceitaria tão bem o papel de coadjuvante do tricampeão espanhol.

O Dovizioso já correu com a melhor moto do grid, mas sempre foi ofuscado por seus companheiros de equipe. O Iannone tem outro estilo, nunca se contenta em andar atrás de outro piloto, busca a ultrapassagem a qualquer custo. Só neste ano, ele já derrubou o Dovizioso e o atual campeão Jorge Lorenzo, atual piloto da Yamaha, em tentativas de ultrapassagens mal sucedidas. Talvez ele seja um pouco inconsequente, mas é o tipo de piloto que faz bem para o espetáculo do esporte.

E ainda tinha uma improvável terceira opção, que seria a mais fantástica para os fãs da MotoGP: Casey Stoner, atual piloto de testes da equipe.
Stoner abandonou a categoria no auge da carreira, em 2012. Ele tinha apenas 27 anos de idade e dois campeonatos conquistados. Até hoje, ele alega que saiu da categoria para dedicar-se à família. Eu não acredito muito. O australiano, como todos os outros ídolos que tenho no esporte a motor, sempre foi polêmico em atitudes e palavras. Ele paga um preço caro por isso até hoje.

O Valentino Rossi é um monstro, um deus do esporte, da mesma forma que considero o Michael Schumacher na Fórmula 1. Porém, o Casey Stoner é o meu piloto favorito, como na Fórmula 1 será para sempre o Jacques Villeneuve. Coincidência ou não, os dois consagraram-se com o número 27.

Desde o ano passado, quando era piloto de testes da Honda, Stoner demonstrou interesse em voltar a disputar provas da MotoGP. Em 2015, a oportunidade apareceu na Honda, durante o período de afastamento do espanhol Dani Pedrosa, devido a problemas de saúde. Mas Stoner foi barrado pela equipe. O mesmo aconteceu na Ducati neste ano, só que na equipe satélite, a Pramac, durante a ausência do italiano Danilo Petrucci. Novamente não deixaram o bicampeão alinhar uma moto no grid de largada. É como se o Ayrton Senna fosse piloto de testes da McLaren, preparando carros para serem pilotados por Rubens Barrichello e Felipe Massa.

A Ducati deve ao Stoner muito do progresso da moto nesta temporada. E por que não Casey Stoner ao lado do Jorge Lorenzo na próxima temporada? A meu ver, mais uma atitude covarde da escuderia italiana. O Stoner acabaria com o reinado do Lorenzo em dois tempos (em cima da 4 tempos).

A tão esperada vitória veio, mas com o dispensado Iannone, que conseguiu garantir uma vaga na mediana Suzuki para a próxima temporada.

Será que o gerente geral da Ducati, Luigi Dall’Igna, se arrependeu de ter preterido Iannone por Dovizioso? No lugar dele, eu estaria muito arrependido.

A vitória incontestável de Andrea Iannone não foi pelo campeonato nem pela equipe. Foi uma questão de honra!