Autônomos / Mercedes-Benz

Sistema autônomo da Mercedes salvará os passageiros em casos extremos, a qualquer custo

Mercedes-Benz F015 - Luxury in Motion

Carros totalmente autônomos, que dispensam a atenção do motorista ao que acontece na rua, já circulam em testes pelo mundo. Com isso, decisões que antes ficavam por conta de um humano agora precisam ser programadas. Isto inclui situações extremas. Atropelar uma criança que correu para a rua ou bater em um caminhão que vem no sentido contrário, arriscando os passageiros? A Mercedes já encontrou a resposta, que será aplicada aos seus primeiros autônomos nos próximos anos.

Mercedes-Benz F015 - Luxury in Motion

O problema é semelhante ao problema do bonde, resolvido abaixo por um jovem de dois anos. Pesquisas sobre o assunto já aconteceram (você pode participar de uma delas, do MIT, clicando aqui). Uma delas, realizada pela revista Science concluiu que a maior parte das pessoas defende prioridades aos pedestres. Neste mesmo estudo, os entrevistados afirmaram que não comprariam um carro programado para arriscar suas vidas. Isto deixou fácil a decisão para uma empresa que pretende vender carros.

Assim, a fabricante alemã decidiu tomar frente na questão, enquanto outras aguardam. De acordo com o responsável pelos departamentos de segurança ativa e assistentes de condução da Mercedes-Benz, Christoph von Hugo, os carros da empresa serão programados para salvar quem estiver dentro do carro.

O argumento apresentado por ele, em entrevista durante o Salão de Paris, é que não há controle sobre o que acontecerá com os pedestres depois do carro sacrificar seus passageiros. É possível que outro carro acabe os atropelando, ou que o próprio Mercedes, após atingir obstáculo, atinja quem tentou salvar. “Se você pode salvar ao menos uma pessoa, pelo menos salve ela. Salve o que estiver no carro. Se você tem certeza que uma morte pode ser prevenida, então esta é sua prioridade.” Afirmou.

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Apesar da complexidade moral da questão, ele afirma esta não será uma grande preocupação. A equipe de engenharia trabalha para que o carro detecte a possibilidade destas situações ocorrerem e evite-as. A confiança é tão grande que Audi e Volvo já anunciaram que assumirão responsabilidade por qualquer acidente ou dano provocado por seus sistemas. O mesmo deve ser feito pela Mercedes.

O sistema autônomo da Mercedes nos níveis 4 e 5, que não requerem qualquer auxílio humano, já está em testes simulados com mais de 1000 pessoas. Durante estes, o computador é exposto a inúmeras situações e dados são coletados.

Ao tirar da equação a questão psicológica, que pode atrapalhar a reação de motoristas humanos, a expectativa é ter um carro capaz de tomar a melhor decisão a qualquer momento. Radares, câmeras e computadores não sofrem de variações emocional. Ou seja, o objetivo é ter um sistema mais seguro do que um motorista humano comum, em qualquer situação. Os primeiros carros chegam a partir de 2020.

Fonte | CarandDriver

  • Paulo

    Esse tipo gélido de pensamento é típico dos chucrutes. São frios o suficiente pra tirar uma vida se as probabilidades assim o indicarem. A um fabricante nunca deveria ser permitido esse poder de decider. A decisão deve ser do ser humano.

    • Hater x Haters

      Entre vc dirigindo e um autônomo que decide as ações, pode ter certeza que prefiro o autônomo…

  • Pedro Cunha

    Imagina o dilema da mercedes…
    Na iminência de atropelamento, 2 pedestres atravessando a rua em sentidos opostos um ao outro:
    -1 cidadão alemão, 100% ariano, atravessando a rua em trajes típicos comendo chucrute;
    -1 imigrante israelense, judeu e em trajes típicos.
    Qual será a “orientação” do computador?
    Lembrando que computadores não “auto-programam-se”, há um geniozinho que insere o que eles devem ou não fazer e quando fazer.