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A Internet, a Nissan Frontier e as salsichas de papelão

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Na última semana a Nissan lançou a nova geração da Frontier. Um ou dois dias antes da imprensa dirigir o carro houve a apresentação para representantes das concessionárias. E alguém conseguiu a façanha de capotar uma Frontier. Ou melhor: alguém filmou uma Frontier capotando durante exercício.

Quando criança eu imaginava que, das duas uma: ou as pessoas forjavam as videocassetadas, ou passavam o dia inteiro filmando aquele tio mais aloprado a espera de algo engraçado. Hoje você pode filmar qualquer coisa em qualquer lugar com seu smartphone: se não prestar você apaga, se prestar é só mandar o vídeo para algum grupo no WhatsApp para ele ganhar o mundo. Assim nasce o viral.

A Frontier laranja de roda para os ares viralizou. Certamente aquele vídeo já estava em vários grupos de WhatsApp, páginas do Facebook e perfis do Instagram antes de seus pneus encontrarem a terra novamente. E, claro, puseram em xeque a qualidade do carro que estava fazendo o exercício, não a perícia do motorista.

Não é difícil perceber que o problema estava entre o banco e o volante. A caixa de ovos é um exercício para ser feito com o volante reto e sem muita velocidade. Certamente foi pela aceleração brusca e pelo movimento no volante para cima da ondulação que fez a Frontier perder o equilíbrio. Nenhum veículo permanece de pé depois que seu centro de gravidade ultrapassa o ponto de apoio, mas é muito mais fácil que isso aconteça em uma picape ou um SUV.

Nenhum site de notícias compartilhou o vídeo, justamente por estar mais para um vídeo de barbeiragem do que para um acidente filmado em Vladvostok por uma câmera presa no vidro de um carro. Qualquer colega do setor automotivo é capaz de ver que foi erro do motorista. Mas precisei explicar isso a pessoas de fora que já haviam ficado assustadas com o carro. Os fãs das concorrentes.

O grande assunto nos grupos de WhatsApp no fim de semana, porém, foi a tal da “Carne fraca”. Todas as piadas (minhas, inclusive) e todos os comentários alarmistas proporcionados pela operação da Polícia Federal também podem ter sido originados por falta de conhecimento do que se passa e pela velocidade da informação. Porque engenharia de alimentos é uma coisa, no mínimo, estranha.

“Carne mecanicamente separada” é quase um eufemismo para as sobras do animal que será triturada até se transformar na pasta que dará origem à salsicha e à mortadela. É para não assustar quem lê rótulos, como eu. O que já se fala agora é que o tal papelão teria sido colocado no mesmo ambiente protegido que esta carne – e sim, isso é um erro –, mas não misturado a ela.

O “perigoso” ácido ascorbico pode ser misturado a esta pasta de salsicha e mortadela para estabilizar ela, mas não na carne in natura, um outro erro que teria sido cometido. Só que ácido ascorbico é a vitamina C, seu Cebion, seu Redoxon. E, até onde se sabe, não está ligado a câncer. Fato é que até oxido de di-hidrogênio faz mal em excesso. Estou falando da água. Contudo, as investigações ainda abrangem muitos outros desvios dos frigoríficos.

Picapes também são sensíveis a excessos, tanto de velocidade quanto de inclinação. Nas circunstâncias do vídeo, qualquer outra picape poderia ter capotado. A gravidade é para todos.

  • Carlos

    A fábrica criou um ambiente no qual tentava passar a impressão de que o carro seria um “Tanque de Guerra” que supera qualquer obstáculo.

    Pagou caro pela pretensão.

    Precisa ser muito treinado para evitar o que aconteceu. Se um jornalista “especializado” errou, imagina o consumidor.

  • Ringow

    Legal o site

  • Milton Quadros

    Pois é, concordo com o autor, se não fossem os celulares, essa seria abafada. Mas malabarismos no texto não conseguem impedir qie uma pergunta seja feita: o curso da suspensão está pequeno? Parece que aumentaram a altura do solo, estão de parabéns, mas o curso da suspensão, não.

  • Eli Rarvor

    Maravilha de texto, vou repassar nas lista de Whatsapp.

    Parabéns.