Alta Roda

Alta Roda – Prejuízo Brasil

Por Fernando Calmon

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Deu para notar que, de repente, não se comparam mais preços dos carros no Brasil com os de outros mercados, em especial dos EUA? Na maioria das vezes versões diferentes em equipamentos e motorização dificultavam as avaliações, fora frete e impostos lá cobrados à parte. Esta Coluna sempre citou variações cambiais como causa de aberrações para cima e para baixo. Só há uma certeza: automóvel aqui paga impostos altamente abusivos. A carga fiscal real – diferença entre o custo do veículo e por quanto ele sai da loja após todos os impostos e frete embutidos – é a maior do mundo com exceção da Dinamarca, mercado pequeno e diferente do resto da Europa. Mas essa “primazia” começamos a perder até para a Argentina. Sim, o nosso vizinho criou imposto extra para carros considerados “de luxo”, com preço de tabela acima do equivalente a cerca de R$ 70.000. Corolla vendido na Argentina é idêntico ao brasileiro. O preço lá começa em R$ 81.000 e vai a R$ 138.000 (no Brasil, de R$ 70.000 a R$ 100.000). Poucos reverberaram essa distorção combinada de taxa de câmbio e voracidade tributária. No dia 19 de março último o dólar (câmbio oficial) bateu R$ 3,30. Vamos tomar como exemplo o Cruze sedã americano, modelo igual ao produzido em São Caetano do Sul (SP). Versão de entrada LS tem inclusive o mesmo motor, mas é pouco equipado por disputar compradores de menor poder aquisitivo. Sem frete o modelo custava, naquela data, quase US$ 20.000, ou R$ 66.000. Aqui o mesmo carro, na versão LT, parte de R$ 74.000, mas menos equipado o preço ficaria quase igual, apesar da abismal diferença de impostos entre os dois países (8% contra 55%). Já uma S10 LTZ Flex cabine dupla 4×2 saía aqui por R$ 98.000 e lá a versão equivalente por R$ 102.000, pois no Brasil picapes são um pouco menos tributadas que automóveis. Segundo a agência Fitch, a cotação do dólar deveria estar em R$ 3,75 só para compensar a diferença inflacionária da última década, sem considerar o chamado custo Brasil. Aí, então, as comparações seriam aberrantes ao extremo. Teríamos ao mesmo tempo os veículos mais taxados e entre os mais baratos do mundo. Também se criou, antes da escalada do dólar, a fantasia chamada “lucro Brasil” que impregnou até redes sociais. Obviamente, pelo mercado de veículos ter dobrado em 10 anos, os fabricantes ganharam muito dinheiro no período 2005-2013. Lucro operacional – diferença entre preço de custo e de venda – ficou mesmo acima da média mundial, mas isso não explica preços altos como alguns aloprados teorizavam. Afinal, com a cotação do dólar a R$ 1,70 em 2010 a distorção comparativa era enorme e incentivou remessas de lucros para socorrer empresas matrizes na crise financeira das grandes economias. Sem dúvida o País perdeu competitividade industrial por razões mais do que sabidas. E só a desvalorização cambial não resolverá tudo, inclusive a baixa produtividade geral. Agora, chegou a era do “prejuízo Brasil”. Segundo o Banco Central, em março passado nenhum centavo foi remetido ao exterior pela cadeia de produção automobilística. E com queda de produção e ociosidade crescente os preços subirão acima da inflação pela primeira vez nos últimos anos. Preparem-se. RODA VIVA ESTE tem sido ano excepcional de lançamentos concentrados. Apenas coincidência, pois projetos sofrem atrasos em diferentes fases e são difíceis de recuperar. Informantes garantem início de produção do Golf nacional em julho próximo em São José dos Pinhais (PR) e da picape média da Fiat em Goiana (PE) em setembro. Vendas até 60 dias depois. POUCO se sabe ainda sobre Ford GT. Supercarro esporte terá chassi de alumínio e compósito de fibra de carbono. Interior (ainda não exibido) sem alavancas de limpador e setas. Motor V-6 biturbo de 3,5 litros e mais de 600 cv. Produção de 250 unidades/ano e preço superior a US$ 300 mil. Será feito em Ontario, Canadá pela Multimatic. Pronto só em 2016, ao se completarem 50 anos das três primeiras posições do GT 40 original na “24 Horas de Le Mans”. BMW 428i Grand Coupé reúne elegância ímpar de um sedã-cupê de quatro portas ao tamanho racional e desempenho alto. Tudo na medida certa e com muito poucos carros a desafiá-lo no quesito preço-benefício. Janelas sem molduras metálicas conferem toque adicional de esportividade. Mas o teto baixo exige atenção a quem entra no banco traseiro. EXISTE como resolver as 240.000 cotas de consórcios contempladas e não transformadas em vendas. Bastaria voltar às origens: consorciado tinha 90 dias para comprar exclusivamente um carro. Nada de carta de crédito livre para gastar como quiser. Isso mudou na época em que havia ágio para aliviar pressão de demanda. ADIAMENTO de decisões já não surpreende. Contran postergou por um ano as placas veiculares padronizadas do Mercosul para 1º de janeiro de 2017 e não de 2016. Discute-se controle de produção e distribuição. Ou seja, o básico. Então não se deveria marcar data apertada.

por 22 de maio de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Não tão ruim para todos

Por Fernando Calmon

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A queda de vendas em 2015 sobre 2014 é estimada entre 13% e 19%, dependendo do otimismo ou pessimismo da fonte, mas nem todas as marcas foram tão atingidas. Há mais inclinação em encolher a procura por modelos de menor preço e dessa forma os quatro fabricantes mais antigos e dominadores por décadas estão sofrendo. Pela primeira vez desde a chegada de novos entrantes com produção local na segunda metade dos anos 1990, Fiat, GM, VW e Ford juntas ficaram abaixo da barreira simbólica de 60%. Para ser mais exato, 59,1% de participação somada no mês passado. As marcas orientais tradicionais conquistaram aparentemente uma zona de conforto, sem precisar dar férias coletivas, implantar bancos de hora, suspender contratos de trabalho ou promover programas de demissões voluntárias. A Hyundai continua a funcionar em três turnos com redução mínima de vendas: 2,4% frente à queda geral acumulada no primeiro quadrimestre de 19,2%. Mas as japonesas Honda, Toyota e Nissan foram além. As três cresceram 12,5%, 12,4% e 3,4%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2014. Há explicações conjunturais, além da tradicional prudência oriental ao fazer investimentos em fábricas. Segundo Marcelo Cioffi, da consultoria PWC, “trata-se de marcas de menor volume, com produtos novos ou renovados e, portanto, menos afetadas pelos recuos de mercado”. No entanto, outros fatores também influenciam. A Honda, particularmente, só concluirá a nova fábrica em 2016 e, assim, poderá ter até de sacrificar vendas do Civic e do City para atender a demanda muito boa do HR-V este ano. Se a unidade de Itirapina (SP) já estivesse em produção talvez ficasse mais difícil. Nissan, ao contrário, tem produtos mais baratos e tende a ficar com capacidade ociosa a exemplo das marcas de maior presença. Mas ao partir de bases comparativas muito baixas, quando dependia de importações controladas do México, tem como crescer um pouco mais este ano. Até 10% sobre 2014, estima com otimismo o fabricante. Também se deve considerar que apenas a Nissan atua de forma significativa na faixa de produtos mais importante e sacrificada em torno de R$ 30,000. Hyundai, Toyota e Honda têm tíquete médio de venda superior, em que a queda vem sendo menor. Toyota admite que espera repetir os números de 2014, o que seria ótimo resultado em cenário tão recessivo como o atual. Exceção é a Mitsubishi cujo tombo acompanhou a média de mercado, em torno de menos 19%. Quanto às orientais chinesas a situação é bem diferente. Aproveitaram o real muito valorizado para oferecer modelos equipados a preços superconvidativos. Com o aumento dos impostos do programa Inovar-Auto importadores anunciaram a intenção de construir fábricas. Mas, ano passado, todas juntas ocupavam menos de 1% do mercado. No auge estimavam ter, em conjunto, 5%. Só a Chery inaugurou uma unidade industrial, em 2014. Mal funcionava e a produção do Celer parou por greve de um mês que terminou semana passada. Assim, o lançamento do QQ nacional sofreu outro adiamento para o final deste ano. Quanto à JAC, os planos dependem de linha de financiamento do governo da Bahia. Sobre as demais chinesas e as fábricas prometidas, não se fala mais nisso. RODA VIVA ANFAVEA viu um indicador levemente positivo no mês de abril. Vendas alcançaram 11.240 veículos/dia, aumento de 8,2% sobre março, com mais dias úteis do que o mês passado. Estoques totais passaram de 49 para 50 dias (50% acima do normal), apesar da diminuição de produção. Confiança dos compradores continua abalada. FENABRAVE, por sua vez, contabiliza fechamento de 250 concessionárias, em especial nos grandes centros. Ainda não assusta tanto, pois existem mais de 8.000 lojas e a associação congrega, além de fabricantes de veículos leves e pesados, também os de motocicletas e de máquinas agrícolas. De qualquer forma, 12.000 funcionários a menos. LEVE reestilização pegou bem no Duster 2015 para enfrentar, com preço mais em conta, os quatro novos concorrentes. SUV compacto da Renault ficou mais silencioso. Motor de 1,6 L melhorou respostas em baixas rotações sem mudanças em torque e potência. Já o 2L ganhou 6 cv com etanol (agora 148 cv) e a versão 4×4 não se sai mal em fora de estrada de exigência leve a média. INDÚSTRIA de autopeças também tem sido obrigada a demissões: a cada emprego perdido numa fábrica de veículos, dois desaparecem nos fornecedores. Bosch, a maior do setor, conseguiu administrar a situação em 2014, quando o sistema ABS se tornou obrigatório. Em 2015 confia em alguma recuperação de exportações para América Latina e assim melhorar seus resultados. MICHELIN se antecipou à onda de crescimento dos SUVs e desenvolveu em grande parte no Brasil, em três anos, a linha LTX Force, de olho também na Índia e China. Entre as novidades estão desenho, parcela do composto de borracha vinda dos ralis, banda de rodagem que se estende pelas laterais do pneu e reforços entre blocos de rodagem para maior estabilidade em asfalto.

por 15 de maio de 2015 Alta Roda

Coluna Alta Roda – Tentativa válida

Por Fernando Calmon
Fabrica Chevrolet Brasil
Com a perspectiva de aprofundamento da crise de vendas neste ano, várias ações criativas estão em curso. Todo o elenco de estratégias – desde a “troca com troco” até os intermináveis feirões – foi sacado numa tentativa de animar o comprador a entrar na loja e sair com um carro zero-quilômetro. Apenas o mercado de veículos usados conseguiu uma reação – previsível – depois de anos de apatia e queda de preços. Há clara tendência de valorização do usado e movimentação de trocar um modelo mais antigo por um menos antigo ou mesmo seminovo (até cinco anos de fabricação pelo entendimento geral). A maioria das concessionárias vem tomando ações proativas para ter mais relevância neste mercado. Em suas entrevistas coletivas mensais a Anfavea tem citado com frequência as estatísticas da Fenauto, associação dos lojistas independentes que tem forte presença na compra e venda de veículos usados inclusive na formação de preços. Agora as atenções se voltam ao consórcio, por duplo motivo: oferta menor (e a juros maiores) de crédito e estoque de cotas contempladas que não se transformaram em vendas efetivas. A indústria automobilística sempre viu com bons olhos o crescimento desta modalidade ao garantir uma demanda fixa por seus produtos. Segundo a Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), o número de consorciados aumentou 8% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Embora não existam estatísticas precisas – só o Banco Central tem controle efetivo sobre cartas de crédito em circulação –, o sistema de consórcio responde em média por 10% das vendas de veículos leves, podendo dobrar essa participação em períodos de crise como o de hoje. A situação atual está mais delicada porque 8% dos três milhões de consorciados de veículos leves e pesados (sem contar motocicletas) foram contemplados em sorteio e decidiram não usar o seu crédito. São 240.000 compradores que simplesmente preferiram sentar em cima do dinheiro (que continua aplicado pelas administradoras) e não adquirir nenhum veículo. Esse cenário motivou Anfavea, Fenabrave e Abac a lançarem, em conjunto, uma promoção, inicialmente por 45 dias, para tentar convencer as pessoas a usar imediatamente suas cartas de crédito. Sempre há um percentual de compradores que adiam compras por motivos variados, como aguardar um lançamento, mudança de ano de fabricação e até a contemplação por sorteio antes do período planejado. De início, 16 fabricantes aderiram e prometem oferecer condições especiais (descontos e opcionais e IPVA grátis). Todos os tipos de ações promocionais são válidos, mas essa em especial talvez obtenha alcance limitado. O contemplado pode simplesmente estar se sentido inseguro em retirar o carro no momento em que a falta de confiança permeia a economia brasileira. Afinal, tem de enfrentar despesas correntes de uso (combustível, manutenção, impostos, estacionamento, multas injustas), além de se sentir perseguido só por usar um automóvel. A Abac afirma que os 8% de contemplados sem uso imediato do seu crédito estão dentro da média histórica. Se for isso mesmo, poucos estariam à espera de dias melhores para efetuar sua compra, o que não parece refletir a realidade atual. RODA VIVA DECISÃO pragmática e elogiável do governo, publicada em 26 de março, estimulará adoção de novos recursos para aumentar eficiência energética (economia de combustível) dentro do programa Inovar-Auto. Estão contemplados sistema desliga-liga o motor de forma automática, monitor de pressão dos pneus, indicador de troca de marcha e ajuste aerodinâmico de grades frontais. IMG_8882
SUZUKI
S-Cross é novo contendor interessante na faixa de SUVs e crossover compactos que oferece, além de bom acabamento, a racionalidade de aliar um motor de 1,6L/120 cv a peso contido (1.125 kg com câmbio automático CVT). Oferece versões 4×2 e 4×4 (com controle eletrônico sofisticado), além de porta-malas de 440 litros. Preço começa em R$ 74.900 e vai a R$ 105.900. TOUAREG na versão de topo agora inclui acabamentos antes cobrados à parte na versão R-Line. Preço é alto – R$ 298.800 –, porém mais em conta que um Porsche Cayenne com o qual divide o projeto. Destaques: posição de dirigir, suave motor V-8 de 360 cv, câmbio automático de oito marchas e consumo de combustível razoável para o alto desempenho oferecido. ANTECIPAR a venda do subcompacto QQ reestilizado, antes de sua produção nacional no segundo semestre, ajuda a Chery a enfrentar a greve que paralisa a fábrica onde produz o Celer. Agora partindo de R$ 31.990 – 25% mais caro que a versão básica anterior montada no Uruguai – já embute, além das melhorias técnicas e de acabamento, as dores do chamado Custo Brasil. SMART Light Evolucar, lanterna extra vendida como acessório com sensor que detecta movimentos do veículo para indicar mudança de direção pode exacerbar o pouco uso convencionais, sem contar o mau hábito de esquecer de consultar os espelhos. Outros acham que ligar a seta é suficiente, sem ter certeza se a manobra foi consentida ou percebida.

por 1 de maio de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Peugeot 2008 pede passagem

Por Fernando Calmon

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A verdadeira invasão de SUVs compactos e crossovers no mercado – três modelos novos em menos de um mês – certamente terá impacto em outros segmentos. Na realidade, acrescentando outros dois nacionais (Ford EcoSport e Renault Duster) e importados como Chevrolet Tracker e Suzuki S-Cross, além dos chineses, haverá mudanças até certo ponto radicais. IMG_2310 Stations e monovolumes pequenos serão ainda mais atingidos, mas os próprios hatches e sedãs, tantos os compactos como os médios-compactos, perderão participação. O mercado está ávido por modelos com maior altura livre do solo e inspirados no modo “aventureiro”. Um fenômeno mundial, sem explicações racionais, em tempos de economia de combustível e preocupações com gás carbônico (CO2). Veículos mais pesados e altos vão na contramão do viés de “salvar o planeta”. O 2008 é um típico crossover sem possibilidade de tração 4×4 e nem mesmo versão de entrada. Peugeot assumiu que o público prefere modelos completos e abandonou pacotes de opcionais. É o produto mais em conta (à exceção do Duster) ao partir de R$ 67.900 (Allure) e chegar a R$ 79.590 (Griffe). Como referência, um Jeep Renegade Trailhawk a diesel 4×4 automático, com tudo que tem direito, pode passar de R$ 140.000, se aparecer comprador disposto.IMG_2371
Em estudo meticuloso a marca francesa fez comparações com os concorrentes, inclusive precificando itens que estes dispõem e o 2008, não. Na planilha apresentada no lançamento sempre apareceu com menor preço em versões equivalentes, mas faltaram alguns itens como superfícies de plástico suave entre aqueles visíveis e suspensões independentes nas quatro rodas, entre os poucos visíveis. Também não se justifica eliminar encaixes Isofix (originais) para bancos infantis por uma diferença de R$ 100. Em manobras há avisos sonoros, mas é melhor câmera de ré. Entre características bastante apreciáveis estão menor diâmetro do volante, o que permite leitura do quadro de instrumentos por cima dele e o teto panorâmico de vidro (Griffe somente). Tela multimídia colorida de 7 pol. inclui aplicativo para telefones inteligentes com funções extras. Porta-malas de 355 litros é maior em relação a EcoSport e Renegade, mas perde para os do Honda HR-V e Duster.
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A engenharia fez um belo trabalho nas suspensões para conciliar estabilidade e um vão livre de 20 cm. Equipado com o primeiro motor turboflex – THP de 173 cv e 24,5 kgfm – em modelos pequenos (antes do up! que chega dentro de um mês), o 2008 Griffe faz jus ao título dessa Coluna. Por ser relativamente leve, pede passagem até a carros maiores: acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,1 s com câmbio manual de seis marchas. Há quatro modos de assistência à tração nesta versão mais cara, suficientes para uso leve fora-de-estrada. A Peugeot garante que não há espaço físico para um câmbio automático de seis marchas no seu modelo de topo. Mas fontes asseguram que o de quatro marchas será totalmente substituído pelo de seis, já em 2016, em todos os compactos tanto da Peugeot quanto da Citroën, inclusive no motor aspirado de 1,6 L/122 cv. O câmbio automático atual foi recalibrado, tem modo econômico, mas deixa a desejar embora vá representar 70% das vendas, segundo prevê o fabricante. RODA VIVA LAND ROVER guarda uma surpresa para o início de 2016, quando inaugura fábrica de Itatiaia (RJ). Conforme a Coluna adiantou, o primeiro modelo a entrar em produção é o Range Rover Evoque, atualmente o mais vendido da marca no Brasil e no mundo. Alguns meses depois chegará a vez do Discovery Sport. Venda começa agora, importado da Inglaterra. ANFAVEA assumiu que, pelas condições atuais da economia, os números de produção (com impacto direto sobre empregos), vendas e exportações em 2015 serão (bem) piores do que previa. Agora admite queda de 10% e 13,2%, respectivamente, para os dois primeiros indicadores. Restou apenas um dado positivo: mais 1,1% nas exportações. ESTOQUES totais (fábricas e concessionárias) caíram de 50 dias em fevereiro para 46 em março, ainda em torno de 50% acima do ideal. Sindipeças prevê declínio de 11,5% no faturamento nominal de seus cerca de 500 associados. Durante a feira Automec, só setores de peças de reposição e manutenção confiavam na grande frota circulante para sopro de otimismo. EXISTE equilíbrio de vendas entre versões do Cruze: 52%, sedã e 48%, hatch (Sport6). Em termos de câmbio, automáticos estão em 80% dos hatches e nada menos que 95% dos sedãs. Aperfeiçoamentos no automático aparecem claramente no uso cotidiano, em cidade ou estrada. Ambos muito agradáveis de guiar, mas suportes laterais dos assentos dos bancos dianteiros são duros. INMETRO anunciará nos próximos dias a extensão do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) a veículos leves a diesel. Picapes e SUVs de todos os portes terão índices de consumo de combustível para compradores conhecerem os mais econômicos. A GM deve, finalmente, readerir ao PBE, embora não 100% de seus modelos, o que só acontecerá em 2018.

por 17 de abril de 2015 Alta Roda

Coluna Alta Roda – Falta de confiança

Novo Fit Twist chega em 2016Honda Fit Twist 2013 - Rodriguez (15)[4] Por Fernando Calmon A grande indagação durante o VI Fórum da Indústria Automobilística, organizado pelo grupo de comunicação Automotive Business, em São Paulo foi por quanto tempo o cenário atual de retração persistirá. Apesar do primeiro trimestre desastroso, sem dúvida haverá uma reação no restante do ano que servirá apenas para mitigar a projeção de queda anual. No primeiro trimestre as vendas acumuladas de veículos leves e pesados recuaram 17%, enquanto as projeções mais pessimistas apontam que o ano fecharia com recuo de 12%. O grande problema de curto prazo são estoques altos demais, o que aumenta o índice de ociosidade da indústria e as perspectivas de desemprego. A produção pode ser um pouco menos afetada por uma conjugação de fatores: leve aumento nas exportações em razão da desvalorização do real e, pelo mesmo motivo, a perda de competitividade de veículos importados a serem substituídos pelos de fabricação nacional. Este é um ano com muitos lançamentos, em especial no segmento de SUVs. Mesmo em 2014 houve um balanço positivo: 431 lançamentos e 225 descontinuações ao se somarem todos os modelos e versões disponíveis no mercado interno. Para a consultoria Carcon, no entanto, a produção poderá preservar o único número positivo em 2015: crescimento de 1,7%, ou seja, 3,05 milhões de unidades. E os fatores acima citados se repetiriam até 2019, quando o Brasil alcançaria 3,82 milhões de veículos produzidos. Seria ainda um nível desconfortável, pois a capacidade instalada anunciada pelas antigas e novas empresas ficará acima de cinco milhões de unidades. Ideal é utilizar ao menos 75% desta capacidade para que investimentos em novos produtos se justifiquem e não se crie a espiral negativa do passado. Pesquisa eletrônica durante o Fórum indicou que os participantes acreditam que só em 2017 o mercado interno voltará a apresentar números positivos, indicando três anos consecutivos de vendas em retração. É provável a Índia ultrapassar o Brasil, que cairia para a quinta posição no ranking mundial. Ainda que condições econômicas e políticas atuais expliquem grande parte do mau momento do setor, essa crise demonstra que artificialismos atrapalham mais que ajudam. Reduções temporárias de imposto induzem movimentos de antecipação de compras e se usados por períodos longos criam vícios. Ideal seria reforma tributária, pois a indústria de veículos representa 5% do PIB, porém recolhe 10% de todos os impostos. Na realidade, enquanto perdurar o atual clima de falta de confiança dos entes da economia as vendas de veículos não se recuperarão. As correções estão no rumo correto, mas ainda há incertezas de como os políticos se conduzirão. Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, citou dois exemplos positivos na Índia e nos EUA. O primeiro ministro indiano, Narenda Modri, preconiza menos governo e mais governança. Já o ex-secretário de Tesouro americano, Lawrence Summers, construiu a frase lapidar: “Confiança é o estímulo mais barato”. Nos EUA, com carga fiscal bastante baixa para consumidores, a política econômica deve focar nas causas, não nos efeitos. Sem experimentalismos do Brasil e sua conta pesada em forma de pessimismo generalizado. RODA VIVA CONFORME a Coluna adiantou, reestilização de meia-geração do Gol ficou para o primeiro trimestre de 2016 e a nova geração (arquitetura MQB do futuro Polo alemão) só no final de 2017. Volkswagen espera vender (somando Audi) cerca de um milhão de unidades no Brasil em 2018. Ou seja, confia em recuperação do mercado interno e também aumento de participação. RENAULT Duster 2016 ganhou atualização visual: grade, grupo ótico, para-choques dianteiro e traseiro, rodas e lanternas traseiras com LEDs. No interior, costura dupla no estofamento, novo painel e tela com GPS. Motor 2-litros ganhou 6 cv (agora 148 cv), porém torque caiu um pouco para 20,7 kgfm. No 1,6 L só mudou curva de torque. Preços: R$ 62.990 a R$ 78.490 (4×4). MOTOR turbo do Fiat Bravo T-Jet 2016 é ponto alto no carro, em especial ao se apertar o botão de Overboost (sobrepressão). Potência se mantém em 152 cv, mas o torque de 23 kgfm faz nítida diferença. Retoques estilísticos são modestos. Relevante é a monitoração de pressão dos pneus. Pena que a caixa manual de seis marchas tenha curso de engate longo. GANHOU outra vida o Mercedes-Benz GLA 250 com motor turbo de 2 L/211 cv. Faltava essa versão no crossover (SUV de teto baixo) alemão que será produzido no Brasil, logo no início de 2016. Apenas o motor de 1,6 L turboflex será nacionalizado. São duas versões: Vision por R$ 171.900 e Sport, R$ 189.900. Ambas se destacam por materiais de ótima qualidade. HONDA lançará em 2016 novo Twist, pseudo-aventureiro baseado no Fit. Desta vez, a mudança é mais radical e não superficial como na geração passada do monovolume compacto (ou hatch de teto alto) da marca japonesa. Filão de modelos que remetem a “aventuras” no asfalto mesmo ou em (boas) estradas de terra não parece ter fim.

por 10 de abril de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Renegade, o abre alas

Por Fernando Calmon

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Íntegro. Se fosse o caso de usar uma só palavra para definir o Jeep Renegade, esta é sob medida. Adjetivo de largo espectro cobre desde sua fidelidade ao estilo e conceitos da marca até sensação verdadeira de robustez quando se exige dele fora de estrada. Surpreende ainda o acabamento interno e a longa lista de equipamentos e opções inéditas. IMG_1778
Trata-se do primeiro SUV a diesel abaixo da barreira simbólica de R$ 100.000 (exatos R$ 99.900) com tração 4×4 não permanente, bloqueio central do diferencial, modo virtual de reduzida e caixa de câmbio automática de nove marchas. Suspensão independente nas quatro rodas, freio de estacionamento elétrico e controle de trajetória (ESC) compõem itens de série. Entre os opcionais se destacam o inédito (entre carros nacionais) sistema de assistência eletrônica para estacionar e dois tetos solares de compósito de fibra de vidro (o dianteiro, elétrico) destacáveis para guardar no porta-malas. Em termos de segurança, o Renegade deverá obter nota máxima porque estruturalmente é igual ao produzido na Itália. Aqui pode ter também até sete bolsas de ar. Apesar de produzido em uma fábrica inteiramente nova, em Goiana (PE), com investimentos pesados, longe de alguns fornecedores e ainda à espera de investimentos atrasados em infraestrutura, o utilitário esporte compacto da Jeep tem preços bastante competitivos, em especial frente ao EcoSport e ao recém-lançado HR-V. O preço inicial de 69.900 na versão Sport já o coloca em posição privilegiada e dentro de dois meses terá versão despojada por R$ 66.900. A intermediária Longitude, de tração dianteira como a primeira, custa R$ 80.900 e traz câmbio automático de seis marchas. Todos os modelos a diesel nesse segmento, por legislação, devem ter tração nas quatro rodas, o que encarece bastante, além de não se encontrar combustível S-10 em todos os postos. No outro extremo se coloca a Trailhawk (2 L, 170 cv e impressionantes 35,7 kgfm) por R$ 116.900 que deve ter participação quase simbólica. IMG_1734
Cerca de 80% das vendas serão mesmo com motor flex de 1,75 L que manteve potência de 132 cv, mas teve ligeiro aumento de torque para bons 19,1 kgfm e em giro mais baixo. Em torno de metade do mix inicial está previsto com câmbio automático e aí começam alguns pontos fracos. Pela robustez do projeto este SUV pesa 1.432 kg e suas acelerações são relativamente modestas. Fábrica informa 0 a 100 km/h em 11,5 s, mas dá a impressão de ficar acima de 13 s (câmbio manual o deixa mais ágil). Versão a diesel, com 250 kg extras em razão do motor, sistema de tração e equipamentos, acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 s (segundo o fabricante). Porém, o que se destaca é a 120 km/h o motor sussurrar a pouco menos de 2.000 rpm. Em uso fora de estrada o Renegade impressiona pela capacidade de vencer obstáculos sem ser desconfortável. Nos congestionamentos o rival HR-V tem a vantagem do freio de estacionamento elétrico de aplicação automática e liberação ao toque no acelerador, sempre muito conveniente. Porta-malas do Renegade é limitado, apenas 260 litros, menor que alguns hatches compactos. No entanto perde por pouco para o EcoSport (com estepe fixado na tampa) e por muito para os 437 litros do HR-V. Entre estes três modelos o Jeep é o mais cotado para liderar, mas a Ford deve reagir e a Honda brigará para-choque a para-choque. RODA VIVA CONFORME comentado pela Coluna a consolidação mundial ainda não terminou. Uma possível fusão entre Peugeot Citroën e FCA (Fiat Chrysler Automobiles) era especulada há tempos. O presidente do grupo francês, o português Carlos Tavares, admitiu abertura a negociações logo que superar a fase atual de recuperação financeira. RENAULT garante: Logan e Sandero continuarão a ser fabricados em São José dos Pinhais (PR). Parte da produção será transferida para a Argentina pela complicada situação cambial e econômica do país vizinho. A marca francesa (ainda) não confirma, mas se dá como certo o compacto de baixo custo, sucessor do Clio, na fábrica paranaense. SPIN Activ surgiu de pesquisas sobre atratividade do estepe fixado na tampa traseira. Para evitar danos involuntários em outros veículos, em manobras de ré, o sensor de distância é de série. De fato, indispensável no uso cotidiano. Retrovisão fica algo prejudicada e o peso extra do robusto sistema de suporte exige muito do motor de 1,8 L/108 cv, em especial com câmbio automático. CRISE econômica do País não desanimou a Rolls-Royce. Decidiu importar seu modelo mais em conta, o Ghost Series II. Há um interessado em pagar R$ 2,9 milhões. Subsidiária da BMW, a centenária marca inglesa oferece duas opções de entre-eixos (3,2 m e 3,46 m). Como cresce agora em todo o mundo, por que não aqui em longo prazo? MAIS uma prova da descentralização no mercado brasileiro. Em 2004 São Paulo respondia por um terço dos veículos novos vendidos. Uma década depois, em 2014, o estado representou 26% do total. Tendência é cair para 25%, ou menos.

por 3 de abril de 2015 Alta Roda

Invasão de carros conectados

Por Fernando Calmon

Mercedes F 015
“As duas invenções do século, o automóvel e o computador, estão gradualmente convergindo. Precisamos projetar a mobilidade do futuro ainda mais inteligente e conectada”, afirmou Martin Winterkorn, presidente mundial da Volkswagen, ao comentar por que chegou a hora de os fabricantes de carros de massa entrarem de cabeça nessa onda. Nos últimos anos, as marcas premium alemãs Audi, BMW e Mercedes-Benz investiram nessas tecnologias pois, inicialmente, elas são caras e os seus clientes de maior poder aquisitivo têm como pagar. Touch  Gestensteuerung
Evidente demonstração do irreversível casamento entre carros e informática é o investimento que os produtores de veículos estão despejando em salões internacionais de produtos eletrônicos. Caso da Feira de Eletrônica de Consumo (CES, em inglês), em Las Vegas, EUA, a maior do mundo, literalmente invadida, na edição de janeiro deste ano, por nada menos que 10 fabricantes de automóveis. Tudo começou em 2007 quando a Ford alugou um pequeno estande de 36 m² para mostrar um sistema de comando por voz desenvolvido em parceria com a Microsoft e batizado de Sync. Este ano mais de 15.000 m² da exposição eram ocupados por marcas que, em princípio, pouco teriam a ver com um salão de eletrônica. No entanto, o automóvel vem se tornando um notável dispositivo móvel – não portátil, evidentemente – que entre outras vantagens não depende de uma bateria de baixa autonomia como telefones inteligentes ou tabletes. Qualquer usuário de dados móveis se sente aliviado ao entrar em um carro e saber que pode ser socorrido por energia de fornecimento seguro. No Facebook, maior rede social, o acesso móvel já supera o fixo via PC/Web na média mundial. E ao mesmo tempo os 36 milhões de veículos conectados de hoje vão quadriplicar para 152 milhões até 2020, segundo pesquisa da americana IHS. Entre as diversas atrações da CES 2015 destacaram-se tecnologias que chegarão nos próximos anos em modelos mais caros. O Audi A7 Concept autônomo rodou 900 quilômetros até estacionar no estande da marca em Las Vegas. BMW mostrou o elétrico i3 que procura vaga e estaciona sem intervenção do motorista. A Mercedes-Benz exibiu o protótipo F 015, sedã autônomo de topo de gama com extenso uso de compósito de fibra de carbono. Já a Volkswagen, estreante na CES, revelou estratégias de curto, médio e longo prazos. Antes do final do ano, seus modelos vão estrear interfaces de telefones inteligentes com o sistema de infotretenimento a bordo de três fornecedores: Mirror Link, Android Auto (Google) e Car Play (Apple). Apresentou o carro-conceito Golf R Touch, primeiro médio-compacto a interpretar gestos e convertê-los em comandos. Um exemplo: acenando com a mão em direção ao para-brisa o teto solar pode ser fechado e no sentido oposto, aberto. Em breve todos os instrumentos serão personalizáveis (grafismo, som e iluminação), como em automóveis mais caros. E oferecerá navegação com alternativas de rotas em tempo real e procura automática de vagas em estacionamentos. A VW também destacou a versão elétrica do Golf com sistema de recarga das baterias por indução, sem plugues e cabos, mas ainda demora alguns anos.

por 23 de março de 2015 Alta Roda, Tecnologia

Alta Roda – Briga será muito boa

Por Fernando Calmon

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Cenário raro em termos de lançamento no Brasil: três modelos estreiam ao longo de 30 dias para disputar o mesmo mercado de SUVs compactos, que os americanos também chamam de crossovers só por ter aspecto de utilitário porém com estrutura monobloco e mais baixos. Conceitualmente crossover é mais do que isso e o Honda HR-V “abre os trabalhos”, seguido nas próximas três semanas pelo Jeep Renegade e Peugeot 2008. Um degrau acima em porte, ainda em abril, estreará o chinês JAC T6. O EcoSport criou, em fevereiro de 2003, o que seria considerado pouco mais que um nicho. Ideia nasceu no Brasil, cresceu em vendas de modo impressionante e o modelo da Ford só teria concorrente em outubro de 2011, Renault Duster. O mexicano Chevrolet Tracker surgiu em outubro de 2013 e enfrenta cota de importação. Suzuki Jimny, de tração 4×4 temporária, não se enquadra exatamente no conceito. Chegou do Japão em 1998, saiu de mercado, mas em 2012 passou a ser fabricado aqui. O goiano Mitsubishi TR4, de 2002 (também diferenciado pela tração 4×4 não permanente) cumpriu papel modesto, mas já saiu de produção. IMG_1136
O HR-V pretende ser nova referência dentro desse segmento e deve incomodar bastante Ford, Renault, Jeep e Peugeot. Em relação ao líder EcoSport tem 5 cm a mais no comprimento, porém garante espaço interno maior pelos 9 cm extras de entre-eixos. Mesmo sendo 11 cm mais baixo que o pioneiro rival, só pessoas com mais de 1,85 m tocam de leve a cabeça no teto, porém há recurso de reclinar — pouco — o encosto do banco traseiro. Estilo é marcante e harmônico sem estepe pendurado na porta de carga (ótimos 437 litros) e maçanetas traseiras ocultadas nas colunas traseiras. Na parte interna, quadro de instrumentos, volante pequeno diâmetro ajustável em dois planos e console central com a parte inferior vazada agradam. Como o ar-condicionado digital não é de duas zonas, a Honda criou uma discreta saída de ar tripla de fluxo diferenciado e regulável mais facilmente pelo passageiro. Recurso inédito e de série entre os carros aqui produzidos, o freio de estacionamento elétrico acionado por botão a tem liberação automática ao se tocar o acelerador. No para-e-anda do trânsito é um recurso de extremo valor, quanto mais que 99% dos HR-V serão produzidos apenas com câmbio automático CVT de sete marchas virtuais. Compensa com folga a ausência de itens secundários, a exemplo do sensor de iluminação para acendimento dos faróis. A Honda fez um balanceamento de custos razoável entre as versões, a partir de R$ 69.900 (LX, de câmbio manual e rodas de aço, representará simbólico 1% das vendas, ou seja, só para constar). Intermediária EX custa R$ 80.400, sem GPS. A de topo, por R$ 88.700, tem GPS e inédita tela tátil (entre carros nacionais) que aceita movimentos de pinça com os dedos. Carros japoneses e alemães não são baratos e isso não vai mudar. Por acaso, dominam vendas no mundo… Dinamicamente o HR-V vai muito bem, embora deva um pouco de potência para sua massa de 1.271 kg. A exemplo de todo câmbio CVT, quando se exige a fundo o motor, apresenta comportamento linear sem entusiasmo. Em acelerações normais é aceitável, inclusive pelo freio-motor e seleção manual de “marchas”. O motor flex de 1,8 L (igual ao do Civic com câmbio automático convencional) entrega 139 cv/etanol e 140 cv/gasolina. Na prática não muda nada, mas é estranho no caso de motores aspirados (sem turbo). Fabricante atribui aos câmbios diferentes e à necessidade de conter consumo com etanol. RODA VIVA COTAÇÃO do dólar, que atingiu R$ 3,25 na semana passada (Anfavea previu R$ 3,10 para dezembro), muda de forma radical as tais comparações de preços alopradas feitas há menos de dois anos. A referência eram carros “idênticos” vendidos no exterior, em especial nos EUA, onde a carga de impostos é menos de um terço da brasileira. Muitos se revoltaram. Coluna voltará ao assunto em breve para pôr pingo nos is. MINI passa a oferecer Cooper (R$ 105.950) e Cooper S (R$ 123.500) com quatro portas, de melhor acesso ao banco traseiro. Cresceu 16 cm no comprimento (7,2 cm no entre-eixos), mas largura mantida em 1,72 m não ajuda no conforto de quem vai atrás. Essencialmente, trata-se de carro de imagem para 2 adultos + 2 crianças. Motores turbo de 1,5 L (3-cilindros, 136 cv) e 2 L (192 cv), por ora só a gasolina. MOTOR turbo dá nova vida ao redesenhado (no final de 2013) Lexus NX 200t, que chega ao Brasil a partir de R$ 216.300. Marca do Grupo Toyota (antes o menos entusiasmado com motores superalimentados) tem forte presença mercadológica nos EUA e se esforça para se tornar mais conhecida no Brasil. Seu estilo agrada bastante, acabamento é ótimo, salvo pormenores pouco visíveis. CORREÇÃO. Ao contrário do Focus RS (320 cv), o hatch médio-compacto Honda Civic Type R (310 cv), citado na coluna da semana passada como uma das atrações do Salão de Genebra encerrado dia 15 último, tem tração apenas dianteira e não nas quatro rodas como seu rival.

por 20 de março de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Revelar sem mostrar tudo

Por Fernando Calmon

Uma-visao-geral-do-Salao-de-Genebra
Clima de recuperação econômica na Europa, ainda que bem modesta, reflete-se no Salão do Automóvel de Genebra que continua até o próximo domingo. Não há um grande destaque, enquanto o público volta a crescer. Os supercarros se exibem sem pudor, mas mesmo nessa categoria o avanço dos híbridos fica evidente. Inclusive no Honda NSX (inspirado nos conceitos de Ayrton Senna) que dispõe de dois motores elétricos dianteiros e um traseiro e ainda não tem data de estreia. Certamente chegará ao Brasil mesmo com dólar alto. Ferrari também aprofunda sua opção pelo turbocompressor no novo 488 GTB (substituto do 458 Italia) visando a baixar consumo e CO2. Afinal, concorrentes de preço mais baixo como a estreante segunda geração do Audi R8 (610 cv e 50 kg mais leve) sempre acabam beliscando alguns clientes e ninguém pode ficar parado. Enquanto Bugatti Veyron se despede do mercado com a versão La Finale, Bentley EXP 10 Speed 6 mostra o caminho dos cupês de dois lugares da marca inglesa do Grupo VW. Esta por sua vez exibe o sucessor do CC (cupê de quatro portas) que batizou de Sport Coupé. Ele se baseia na arquitetura superflexível MQB do Golf e também estará nos futuros Polo e Passat. Nota-se que modelos médios-compactos com potência acima de 300 cv já voltam ao radar dos consumidores. Em Genebra dois chamam atenção: Honda Civic Type R – turbo 2 L, 310 cv – e Ford Focus RS – turbo 2,3 L, 320 cv. Ambos têm tração integral com até 70% direcionada para as rodas traseiras, mas o Focus inova com a opção de controle de derrapagem conhecida como “drift” que atrai fãs ao redor do mundo. Land Rover foi além de simplesmente reestilizar meia geração do Ranger Rover Evoque. Apresenta primeira versão conversível de um SUV, no caso o Evoque. Mercado é muito restrito, embora traga prestígio em países de alto poder aquisitivo e apreciadores ao máximo dos dias ensolarados. Grupo PSA Peugeot Citroën montou um estande separado pela primeira vez para sua marca de prestígio, reafirmando a independência da marca DS. Renault, com o novo SUV médio-compacto Kadjar, tem ambições internacionais. Graças ao euro em forte queda (melhora a competitividade da Eurozona, inclusive da Itália) sua exportação ao Brasil passa a ser viável. Duster com leves retoques visuais antecipa em Genebra a versão nacional 2016 no fim deste mês. Compacto Sway, ainda em forma de carro-conceito, demonstra que a Nissan vira a página em termos de estilo. Modelos de baixo apelo visual, como foram Tiida e Livina, não se repetirão. No seu estande, portanto, está o futuro Micra (aqui, March, lá para 2017). Basta retirar alguns rasgos de ousadia que sempre aparecem para revelar sem mostrar tudo e não entregar cedo demais as linhas definitivas. Tucson novo, aliás cada vez mais marcante em estilo, sucede o atual ix35 e o nome poderá ser aquele em todo o mundo. Grupo Hyundai-CAOA tratou logo de desmentir sua chegada ou fabricação em Anápolis (GO). No entanto, condições de concorrência no Brasil são cada vez mais duras e veículos defasados tendem a diminuir de importância, apesar do fator preço. BMW Série 1 também evoluiu em estilo e quando for produzido aqui, no segundo semestre, vai agradar bastante. RODA VIVA TOMBO, realmente, forte nas vendas de fevereiro: primeiro bimestre 23% inferior ao mesmo período de 2014. Estoques, pelo novo critério da Anfavea que calcula o número de dias dentro de realidade ampliada, atingiu 50 dias. Significa mais de 40% acima do considerado normal (35 dias). Em março, a entidade vai rever para baixo previsões para 2015. PARTE desses números bem negativos deve-se ao Carnaval no início de fevereiro (ano passado, em março). Se calculado em número de dias úteis, as vendas em fevereiro deste ano foram piores 14% contra 2014 e não 28% quando se compara diretamente mês a mês. Preocupa ainda o nível de emprego 10% menor em relação a fevereiro de 2014. ALGUMAS regiões do interior de São Paulo começarão a revelar primeiras concessionárias, digamos, “geminadas” do Grupo PSA. Em certas cidades um só aglomerado assumirá vendas de Peugeot e Citroën, dependendo de qual marca prepondere. Embora oficinas sejam unificadas, salões de exposição continuarão completamente separados, mesmo um ao lado do outro. LAND ROVER Discovery Sport, ainda importado nos próximos 18 meses, tem preço definido que será referência para modelo idêntico produzido em Itatiaia (RJ). Partirá de R$ 179.900, em abril, e ao longo do tempo sofrerá correções. SUVs tiveram pequena queda de participação no mercado total este ano, mas será revertida logo com lançamentos ANTECIPAÇÕES de ano-modelo geram mais distorções. Um dos maiores imbróglios está no programa de etiquetagem de consumo de combustível: colabora para confundir o consumidor. No mesmo ano-calendário poderão ser vendidos veículos de três anos-modelo. Salvo identificação de “novo”, “new”, “plus”, todos terão a mesma etiqueta e os mesmos dados. Absurdo.

por 13 de março de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Invasão de área

Por Fernando Calmon

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Uber, Google e Apple. O que estes três nomes da indústria de telemática e aplicativos têm a ver com coluna sobre Automóveis? Tudo. Google e Apple dispensam apresentações, mas Uber é a empresa que desenvolveu um aplicativo para telefones inteligentes que facilita oferecer caronas entre pessoas conhecidas ou não. Evolução foi rápida, mas as coisas encrencaram quando se iniciou, digamos, a “profissionalização”, algo mais de que dividir combustível, taxas, pedágios, manutenção e – por que não? – uma remuneração básica… Em vários países os taxistas consideraram o serviço uma concorrência desleal e ilegal. Imagine o caso de Londres e seus milhares de ruas estreitas, curtas e nomes variados. Um profissional para trabalhar na capital inglesa passa por severas exigências, inclusive de saber percursos de cor. Em plena era do navegador GPS essa decoreba não deveria fazer mais sentido. Uber colecionou vários processos de banimento ao redor do mundo, inclusive no Rio de Janeiro. Envolveu-se também em polêmicas por tentar prejudicar aplicativos concorrentes. Até o Goggle resolveu participar do capital da empresa americana e, segundo especulações, a gigante californiana ensaia lançar seu próprio aplicativo de caronas, inicialmente para seus funcionários. O passo seguinte é fácil de entender. A menos conhecida entre as três marcas citadas montou uma parceria com a Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, para desenvolver carros sem motoristas. Na realidade poderia produzir uma frota de táxis autônomos. Se hoje parece loucura, na projeção de uma década ou menos pode não ser. Google já tem alguns carros autônomos em testes autorizados por ruas e estradas da Califórnia. Sua arquirrival Apple, obviamente, nunca vai querer ficar para trás. Há informações de que um dos projetos secretos da criadora do telefone inteligente seria desenvolver e lançar um carro elétrico. Pode ser apenas coincidência, porém vários executivos e engenheiros da indústria automobilística foram contratados pela Apple nos últimos anos. A Tesla, que produz o sedã elétrico grande Model S, se queixou de aliciamento de alguns de seus funcionários. No entanto, os dois gigantes da telemática devem saber sobre os grandes riscos inerentes à indústria de veículos. Há fases boas e ruins, alternância de lucros e prejuízos, sem contar exigências de capital e regulamentos de emissões e segurança. Além disso, os fornecedores de componentes e autopeças muitas vezes são ajudados nos gastos de pesquisa e desenvolvimento. Improvável os fabricantes automobilísticos assistirem passivos a todas essas mudanças, inclusive em relação à invasão de áreas e competências. Trata-se de realidades industriais e de rentabilidade financeira bastante diferentes de um veiculo com 4.000 a 5.000 peças. Google iniciou uma aproximação com os cinco maiores conglomerados de marcas. “Eles têm muito a oferecer”, disse Chris Urmson, diretor do programa de carros autônomos. Seria ótimo também se a autonomia de um automóvel elétrico fosse bem maior do que 8 a 12 horas de um telefone inteligente usado normalmente. RODA VIVA COTAÇÃO do dólar beirando os R$ 3,00 já diminuiu a distância de preços entre automóveis vendidos no Brasil e nos EUA. Basta fazer comparação com as versões equivalentes de modelos nos dois mercados, não apenas de versões de entrada. Ao retirar a carga de impostos – aqui a maior do mundo, lá a menor – muita gente terá surpresas. Há previsões de o dólar superar os R$ 3,00 até o final do ano. VOLKSWAGEN incluiu retoques de estilo na frente e na traseira, inclusive na tampa do porta-malas para melhorar o acesso, no Jetta 2015, ainda importado. O de topo Highline tem motor turbo de 2 L/211 cv e continuará vindo do México, enquanto o de entrada e o intermediário serão montados (pouco conteúdo nacional) em São Bernardo do Campo (SP). O sedã agora começa em R$ 75.000, mas com motor 2 L de apenas 120 cv. Não existe mais câmbio manual: todos são automáticos. O novo 1,4 L turboflex nacionalizado, do Golf e sedã A3 paranaenses, também estará no Jetta, segundo fontes da Coluna. Tudo, porém, no segundo semestre do ano. CIVIC Si cupê atrai olhares por onde passa e resgata a sensação ainda inebriante de poder esticar as marchas na faixa das 7.000 rpm – ao contrário de um motor turboalimentado. Seu motor aspirado de 2,4L/206 cv combinado unicamente ao câmbio manual de 6 marchas (sem opção de automático), suspensões bem firmes e equipamento de ótimo nível estão na medida certa. Distoa apenas o aerofólio traseiro algo exagerado que acaba atrapalhando um pouco a retrovisibilidade. E, claro, preço puxado, pois vem do Canadá. TOUAREG recebeu discretas atualizações na dianteira e na traseira. Todas as versões 2015 continuam com tração 4×4 e dividem arquitetura com Porsche Cayenne. SUV de topo da VW oferece motor V-8 de 360 cv (80 cv a mais que o V-6) e incorporou agora o pacote estético R-Line. Faixas de preço entre R$ 250.000 e R$ 300.000.

por 6 de março de 2015 Alta Roda, Tecnologia