Alta Roda

Alta Roda – Motivo para comemorar

Por Fernando Calmon

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O Carnaval este ano foi marcado por menos acidentes, mortos e feridos do que o mesmo período carnavalesco do ano passado nas estradas federais do País. Ainda é difícil saber se indica uma tendência, mas a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez um balanço baseado em seus registros e estatísticas. Nesta comparação, por cada milhão de veículos registrados no Renavam, o número de mortos caiu 28%, o de feridos 18% e os acidentes 22%. Morrer 120 pessoas (incluídos os atropelamentos) em quatro dias e meio ainda assusta e muito. Mas é inegável que a PRF se preparou para este período sempre problemático com ações diversas. No total foram fiscalizados 234.038 veículos, recolheram-se 1.901 carteiras de motoristas e 48.754 pessoas participaram de ações de educação para o trânsito. Uma das providências que mais surtiu efeito foram os testes de alcoolemia. Pelo bafômetro passaram 85.677 motoristas, dos quais 2.006 foram autuados e 372, presos. A referência a comemorar aparece quando se comparam as fatalidades nas rodovias federais no Carnaval de 2007 com o de 2015. Em oito anos, as mortes por milhão de veículos registrados baixaram nada menos de 56%: de 3,2 para 1,4. No entanto, a relação com outros países ainda não pode ser feita, pois a frota registrada é cerca de 30% maior do que a real. Afinal, como já comentado nessa Coluna, os carros no Brasil têm certidão de nascimento, mas não de óbito. Milhares de veículos viram sucata todos os anos, mas continuam no Renavam: poucos se habilitam a enfrentar a burocracia e os custos de cancelar a documentação. As estatísticas da PRF, no entanto, têm seu valor porque a mesma base, ainda que errada, serviu de critério em todo o período avaliado. Há alguns fatores importantes deixados de lado entre eles a densidade do tráfego. Não foi possível descobrir se menos veículos circularam neste Carnaval por razões econômicas: combustível mais caro, índice menor de confiança no futuro e o País em ambiente recessivo. Esse dado é tão importante que nos EUA o balanço de acidentes, feridos e mortos leva em conta a frota real (lá bem controlada) e a média de distância percorrida anualmente por veículo. Com organização estatística pode-se medir por amostragem direta e indireta, por exemplo, pelos planos de manutenção nas oficinas. No Brasil deve-se esperar uma melhoria constante na segurança à medida que mais automóveis entrarem em circulação com freios ABS e bolsas infláveis. Nada, no entanto, se equivale à qualidade das estradas como fator de menor risco. São Paulo, o estado com as rodovias mais modernas e seguras do País, comprova isso. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, comparando o período carnavalesco de 2014 e de 2015, o número de mortos caiu de 40 para 21. Deve-se notar que a malha rodoviária federal em São Paulo é minúscula, enquanto a estadual representa mais de 40% do total de rodovias no Brasil, incluídas regionais, estaduais e federais. Números paulistas, portanto, têm extraordinária relevância e se aproximam de países desenvolvidos por qualquer critério de comparação. RODA VIVA PARA quem costuma desdenhar das leis de mercado, basta ver o repasse do aumento do IPI não integral para todos os modelos. Alguns fabricantes oferecem acessórios sem aumento de preço ou subsidiam seu valor. Veículos mais caros que já não tinham IPI menor sofreram até redução nominal de preço. Tudo em razão do ambiente econômico e setorial recessivo. ATUAL geração do Gol deve receber retoques só no início de 2016. Novidades para 2015 são motores turboflex 1,4 l (Golf, A3 sedã e Jetta nacionais) e o 3-cilindros, também turboflex, para o up! GT. Já o Gol G6, previsto para 2017, usaria a mesma arquitetura MQB do futuro Polo e seria modelo global, situado entre up! e Polo. Possivelmente mantendo o nome Gol em todos os mercados. VERSÕES de topo do Etios sedã e hatch, batizadas de Platinum, superaram algumas críticas sobre interior pouco requintado. Visual melhorou, mas simplicidade excessiva ainda aparece nos detalhes. Exigiria um novo painel que certamente só virá na segunda geração. Mecanicamente o carro é muito bom e econômico (em especial o motor de 1,5 L), mas o de 1,3 vence por pouco os atuais 1,0 L de três cilindros. RECENTE regulamentação de segurança sobre cintos de três pontos retráteis para todos os passageiros dos bancos de trás, com cronograma de aplicação até 2020, deixou uma falha inadmissível. Permite-se ainda vender um carro sem cintos retráteis para os dois passageiros das extremidades do banco. Eles têm que ser regulados manualmente: convite para deixar de usá-los. FABRICANTES de rastreadores continuam a investir em produtos complementares para incrementar a segurança contra furtos e roubos de veículos. Agora é a vez da Pósitron de oferecer rastreamento associado ao seguro cujo preço pode ser até 50% menor do que as apólices convencionais. O seguro indeniza pela tabela FIPE cheia em caso de sinistro e obviamente sem franquia.

por 27 de fevereiro de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Soluções verdadeiras

Por Fernando Calmon


Mobilidade é a palavra do momento e preocupa a todos: fabricantes de veículos, motoristas, pedestres, governos e os mundos acadêmico e científico. Nesse contexto, ideias surgem de todos os lados, mas é preciso separar soluções verdadeiras daquelas sem eficácia ou ganho prático limitado. Um exemplo: faixas de pedestres em “X”, em São Paulo, implantadas experimentalmente pela prefeitura em alguns cruzamentos. Trata-se de mera cópia piorada do que foi feito em um bairro de Tóquio. Segundo o engenheiro Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária, a solução japonesa existe em um cruzamento onde o fluxo de pedestres supera a capacidade do passeio público. Usam apenas uma faixa diagonal larga, mas em São Paulo são duas. “No cruzamento das faixas há risco de esbarrões entre os próprios pedestres ao se cruzarem”, destaca Guimarães. Quanto ao cenário por parte da indústria, a tendência é produzir, além de carros, soluções de mobilidade por todos os meios. Foi o recado de Erica Klampfl, gerente de Mobilidade Global no Futuro, da matriz da Ford, em palestra na feira de tecnologia Campus Party, em São Paulo. Megacidades com mais de 10 milhões de habitantes serão pelo menos 41 até 2030. A classe média, que aspira ter um automóvel, passará de 2 bilhões para 4 bilhões de pessoas, a maioria na Ásia. Tudo isso traz riscos de congestionamento permanente e de deterioração da qualidade do ar. No entanto, a executiva confia que o consumidor está mudando suas atitudes e até de prioridade, pelo menos nos EUA. Em pesquisa com múltiplas respostas, 47% gostam de usar seus smartphones para planejar seus deslocamentos, 39% utilizam mais de um meio de transporte e 34% já admitem o transporte solidário em seus carros, se houvesse chance. Assim, o trio conectividade, mobilidade e direção autônoma – ou semiautônoma, no primeiro momento – está nos planos dos grandes fabricantes. Com a eletrônica de bordo de hoje geram-se 25 GB de informações por hora e tal enorme massa de dados pode ser aplicada em soluções alternativas. “Seria muito bom combinar os dados de tráfego em tempo real de aplicativos como o Waze com a velocidade em que o limpador de para-brisa atua. Indicaria chuva pesada e a rota poderia evitar pontos de alagamento catalogados”, exemplificou a executiva. Klampfl acrescentou que o tempo gasto ao volante pode ser mais bem aproveitado, além de ouvir música ou noticiário. Com informações armazenadas em agendas telefônicas, a capacidade de computação de um automóvel pode organizar uma reunião de negócios ou adiantar o atendimento de triagem em um consultório médico. Também não descartou a possibilidade de um operador guiar um veículo a distância usando câmera de vídeo, sensores e a rede de telefonia celular de alta velocidade. Seria a versão terrestre de um VANT (veículo aéreo não tripulado) ou drone. Experiências já são feitas em baixa velocidade, com carros de golfe adaptados, em um campus universitário em Atlanta, nos EUA. No total, a Ford monitora 25 experimentos globais de mobilidade, sendo 14 de sua iniciativa e 11 de desafios de inovações em oito países. A partir de agora, o Brasil é o nono a participar desse esforço mundial. RODA VIVA NÚMERO de dias – 38 – de estoque nas fábricas e concessionárias em janeiro último continua preocupante, mesmo com novo critério de contagem da Anfavea. Vendas caíram 31% sobre dezembro de 2014. Parte do tombaço se explica por emplacamentos sem venda no final do ano passado, na briga entre Fiat e VW pelo modelo mais vendido. Por isso, o Gol caiu de 2º para 7º lugar, em janeiro, além da greve que afetou 10 dias de produção da VW em S. Bernardo do Campo. ESSA estratégia, chamada de rapel e aplicada em geral no último mês do ano para fins de marketing, também fez o Onix encostar no Palio/Palio Fire na classificação de janeiro. Há um custo financeiro para a fábrica e concessionárias, mas em dezembro é um pouco menor por adiantar o pagamento de apenas 1/12 do IPVA. No fim, não é boa tática. FIAT já lançou o Bravo 2016, sem alterações mecânicas, mas com retoques frontais (para-choque e grade) e nas lanternas traseiras. Maior novidade é a tela multimídia de 5 pol, de série em todas as versões, que estreou no Freemont, mas com GPS opcional. Outras novidades: câmera de ré e versão BlackMotion. Preços são competitivos: de R$ 61.990 a 78.490 (T-Jet turbo a gasolina). CITROËN aposta no C4 Lounge com motor turboflex THP. A fábrica aumentou a potência de 165 cv para 173 cv com etanol – gasolina apenas 1 cv a mais (166). A relação final de transmissão, alongada em 11,4%, teve objetivo de economizar combustível, em especial etanol. Dessa forma o bom desempenho de antes ficou marginalmente menor, porém imperceptível no dia a dia. CORREÇÃO: Inmetro homologou bancos infantis com fixação Isofix em outubro do ano passado, resolvendo uma situação incomum. Vários carros já possuem o dispositivo de encaixe. No entanto, os bancos mais seguros dependiam ainda de aprovação oficial e não podiam ser vendidos nas lojas e concessionárias.

por 13 de fevereiro de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Combustível e segurança em foco

Por Fernando Calmon

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Esta semana duas medidas da área governamental passam a ter impacto sobre os motoristas brasileiros. A primeira já era esperada para fevereiro mesmo: aumento de teor de etanol na gasolina de 25% para 27% (proposta era de 27,5%, abandonada pela dificuldade na aferição nos postos). O problema principal é que o improviso continua, pois não se concluíram os testes com a gasolina premium. Assim até a Anfavea descambou para a improvisação ao recomendar que veículos com motor movidos apenas a gasolina utilizem a premium, por enquanto ainda com 25% de etanol. Tal conselho nem deveria se cogitar porque, além do preço superior, simplesmente é difícil encontrar o produto premium nos postos mesmo nas grandes cidades (em médias e pequenas, praticamente inexiste). Donos de carros a gasolina mais antigos teriam de pagar preço ainda maior pelo combustível. Com os 27% de etanol o preço da gasolina será reduzido, inclusive para compensar um pequeno aumento de consumo da nova formulação? Até hoje o preço sobe quando o teor de etanol cai, mas quanto este teor aumenta o que se vê são distribuidoras e donos de postos “esquecendo” do pormenor. Toda essa confusão começou em razão do grande erro de subsidiar o preço da gasolina, durante pelo menos cinco anos, sob desculpa torta de controle da inflação. Isso inviabilizou o etanol e abriu brecha para propostas paliativas como a atual, quase um ato de desespero dos produtores de combustível verde. Sem contar as distorções frente à gasolina padrão (22% de etanol) utilizada nos testes de emissões e de consumo de combustível. Já a Resolução nº 518 do Contran publicada apenas neste começo de 2015 é responsável pelo atraso de um ano em importantes itens obrigatórios de segurança. Significa que projetos de novos modelos só terão que cumprir as exigências de 2018 em diante e os modelos atuais poderão continuar em produção até 2020. Bancos infantis deverão ter à disposição pelo menos uma ancoragem de alta eficiência no banco traseiro que poderá ser ISOfix, Top-theter ou i-Size (novo padrão europeu, de 2013). Resta saber em quanto tempo os bancos infantis serão igualmente homologados com essas fixações de maior segurança e, em especial, responsáveis por facilitar o encaixe diretamente na estrutura do veículo. Utilizar apenas o cinto, como é feito hoje, pode dar origem a erros na instalação e, em consequência, baixo nível de proteção às crianças. Finalmente se exigirão três cintos retráteis de três pontos também no banco traseiro (salvo em modelos de dois lugares atrás). Até hoje, alguns automóveis de entrada podem ser comprados sem dois cintos retráteis traseiros, verdadeiro absurdo, pois até inviabiliza fixar cadeira infantil. Também naquelas datas haverá até três encostos de cabeça atrás, que curiosamente não são itens compulsórios nem na regulamentação de segurança europeia e nem na americana. RODA VIVA BRASIL conseguiu se manter como quarto maior mercado mundial de veículos em 2014, apenas 67 mil unidades a mais que a Alemanha, apesar da queda de 7% nas vendas sobre 2013. Em compensação o País perdeu a sétima posição entre os maiores produtores para o México. Indústria mexicana tem custos menores e é voltada às exportações, principalmente para os EUA. FORD aproveitou a Campus Party, maior feira da América do Sul voltada à informática e do geek ao empreendedor, em São Paulo, para lançar seu Desafio da Mobilidade. O Brasil é o nono país a encarar essa proposta coordenada pelo fabricante a fim de melhorar os deslocamentos da população por qualquer meio de transporte terrestre. Missão ainda mais difícil para especialistas brasileiros, pois ótimas boas ideias já foram reveladas em outros países. AUDI trocou, tanto no sedã A4 quanto no sedã-cupê-hatch A5, o motor 2 L turbo de injeção direta pelo de 1,8 L turbo de duplo sistema de injeção (indireta e direta). Apesar de a potência ter caído de 180 cv para 170 cv, torque se manteve em ótimos 32,6 kgfm. Objetivo: diminuir consumo de gasolina em até 21% e atender também emissões mais restritas de material particulado exigidas na Europa. Desempenho praticamente não mudou, em avaliação preliminar cidade/estrada, atingindo objetivos de projeto. IMPRESSIONA bem o novo motor de três cilindros que a Nissan oferecerá no March, a partir de março próximo. Com 77 cv (mesma potência com etanol e gasolina, referência não ideal) e 10 kgfm de torque, destaca-se pelo surpreendentemente baixo nível de vibrações. Retomadas em baixas e médias rotações são muito boas (até parece ter cilindrada maior), comprovando o acertadíssimo trabalho de calibração da unidade de gerenciamento eletrônico do motor. PROPOSTA interessante da empresa de internet de origem argentina Rodati. Negocia preços e descontos com as concessionárias para que os clientes não tenham que visitar muitas lojas. Foco inicial é na região metropolitana de São Paulo com promessa de voos mais altos. No momento, atende apenas algumas marcas: Citroën, Chevrolet, Ford, Honda, Hyundai, Renault, Nissan e Toyota. Nada é cobrado do interessado pelo carro.

por 6 de fevereiro de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Empurrar com a barriga

Por Fernando Calmon

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Uma das características menos virtuosas que um povo deve evitar é adiar decisões. Os governos do nosso país parecem cultuar com fervor um velho ditado da política – ilustrado no título desta Coluna – que pode até ser moderadamente aplicado por razões momentâneas. Quem desconhece a lei que não “pega” ou, pior, a lei sem regulamentação e, portanto, de efeito prático nulo? Sem contar a proibição de algo com ausência de penalização que se transforma em letra-morta. Neste começo de ano, apenas no setor automobilístico, há pelo menos 10 pendências que migraram de 2014 ou mesmo de mais de uma década atrás. É a cultura insuportável da postergação sem fim.

  • Inspeção técnica veicular (ITV), que inclui segurança e emissões simultaneamente, já deveria estar implantada na maioria dos Estados há quase duas décadas. ITV em bases sérias e não apenas pró-forma vem sendo postergada em jogo de empurra entre Executivo e Legislativo federais.
  • Inspeção veicular ambiental em São Paulo foi temporariamente suspensa há dois anos. Apesar das promessas da prefeitura de que voltaria em 2014, até agora nada. A reformulação de periodicidade e a frota inspecionável estão corretas, mas não o adiamento.
  • Obrigatoriedade de troca do quase inútil extintor de (princípio) de incêndio para o novo tipo de pó (ABC) foi anunciada há cinco anos para 1º de janeiro de 2015. A data chegou e… tome mais 90 dias de prazo. Para que serviram os outros 1.825 dias?
  • Decidiu-se lançar no seu registro de licenciamento anual, a partir de 2014, os veículos que não atendessem aos chamados para troca de peças defeituosas ligadas à segurança. Muitas vezes o motorista esquece, adia ou não pôde ser informado. Alegação para não implantar: informações pouco robustas…
  • Dez entidades e sindicatos do setor automobilístico, em novembro de 2013, propuseram ao governo federal um programa de substituição de caminhões com mais de 30 anos de uso. “Em estudos, por falta de recursos”, espera-se um programa-piloto este ano.
  • Instalação compulsória (contratação do serviço, opcional) de rastreadores em todos os tipos de veículos novos já se adiou por quatro vezes. Exigência descabida e sem eficiência para inibir furtos e roubos, acredita-se que será revogada depois de só causar prejuízos.
  • Passou 2014 e nem o Contran e nem os fabricantes avançaram na proposta de itens de segurança de baixo custo com prazo de até cinco anos: fixação Isofix para bancos infantis, cintos retráteis no banco traseiro, monitoramento de pressão de pneus (via ABS) e controle de estabilidade (ESC).
  • Governo Federal induziu, ano passado, a melhoria no consumo relativo de etanol (ponto de equilíbrio de 70% para 75% frente à gasolina) em motores flex. Sem estímulos anunciados até agora, ninguém se mexeu.
  • Também de novembro de 2013 é a proposta de aumento de exportações. O Brasil já perdeu para o México, em 2014, a sétima posição na classificação mundial de maiores produtores justamente por exportar menos. Programa Exportar-Auto ainda se arrasta na esfera federal.
  • Contran precisa, por meios estatísticos, revisar dados inflados em cerca de 30% da frota nacional de veículos. Parece que há a intenção, mas nunca sai do papel. Até quando?

RODA VIVA

BRIGA pela posição de hatch mais vendido em 2014 entre Fiat e Volkswagen (Palio+Palio Fire x Gol), em que a primeira levou a melhor, se estendeu ao ranking dos mais econômicos neste início de ano. Segundo o Inmetro, o VW up! venceu entre carros com ar-condicionado e direção assistida, seguido pelo Uno Evolution e Ka. Entre os 10 primeiros, dois modelos da Fiat e dois da VW. NOVENTA anos da GM no Brasil foram marcados com inauguração esta semana do novo centro logístico de abastecimento dentro de sua fábrica mais antiga, a de São Caetano do Sul (SP). Área que estoca 4.000 itens de peças, além de gerenciamento de conceito avançado para a indústria, surgiu da “desconstrução assistida” de velhos galpões existentes há décadas. PEUGEOT RCZ é daqueles carros esportivos derivados de arquitetura de alta produção (no caso, o 308) que impressionam aonde chegam. Cupê de 2+2 lugares tão ousado como Audi TT, tem direção e suspensões de calibragem mais firme que estimulam uma tocada rápida, mas responsável, e inclui aerofólio autorregulável com a velocidade. Para seus 165 cv tem preço bem razoável: R$155.090. SAIU o ranking dos 10 modelos mais vendidos na Europa em 2014, segundo a Focus2Move. Mais uma vez Golf venceu por margem de 66% sobre o segundo, Polo. Depois, vieram Clio, Fiesta, Corsa, Focus, (Nissan) Qashqai, (Skoda) Octavia, 208 e Astra. Pela primeira vez aparece um carro da Skoda e nenhum da Fiat.

por 1 de fevereiro de 2015 Alta Roda

Alta Roda – Vencedores e vencidos 2014

Por Fernando Calmon autowp.ru_fiat_palio_attractive_24
Primeiro ano em que as novas regras de segurança forçaram o fim de linha de veículos superados – Kombi, Mille e Gol Geração 4 – o fechamento de 2014 deixou executivos da Fiat e da Volkswagen de plantão até o dia 31 de dezembro. É que estava em jogo a liderança de 27 anos do Gol, depois do Fusca o mais bem-sucedido modelo já fabricado no País. Essa luta de bastidores certamente incluiu a prática do rapel, jargão do setor para licenciamento de carros com efeito estatístico sem venda efetiva, no último mês do ano. Locadoras e outros frotistas também fazem parte de táticas nessa batalha. Por uma diferença de apenas 385 unidades, a soma da dupla Palio e Palio Fire (este defasado de duas gerações e, portanto, com preço bastante atraente) levou a melhor, como já acontecia na maior parte do ano passado. A VW não quis entregar os pontos e tentou no último mês reverter o cenário de forma artificial. É usual no Brasil a convivência de diferentes gerações do mesmo modelo, como Celta e Classic, mantendo ou não o mesmo nome. Mas, na comparação direta, deve-se pontuar, o Gol Geração 5 vendeu cerca do dobro em relação ao Palio contemporâneo. Em 2014 pela primeira vez um modelo chinês liderou: por apenas 2 unidades passou o francês C4 Picasso. O Corolla recuperou a liderança entre os médios-compactos. O ranking da Coluna tradicionalmente agrega hatches e sedãs de mesma família, critério usado com frequência no exterior. Ficam de fora da soma apenas os sedãs “desgarrados’ (sem um hatch-irmão): Cobalt, Grand Siena e City. Classificação é por distância entre eixos, largura e, secundariamente, preço. Tem por base o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores). Só se citam modelos mais representativos do mercado. Dados compilados por Paulo Garbossa, da ADK. Compacto: Gol/Voyage, 13%; Onix/Prisma, 12%; Palio/Fire/Siena, 11%; HB20/X/S, 9%; Logan/Sandero, 7%; Fiesta hatch/sedã 6,6%; Uno/Mille, 6%; Fox/CrossFox, 5%; Celta/Classic, 4,5%; Grand Siena, 4%; Etios hatch/sedã, 3,3%; up!, 3%; Ka/Ka+, 2,5%; Cobalt, 2,3%; March/Versa, 2%; Punto/Linea, 1,6%; C3/DS3, (1,45%); 207/208, (1,4%); City, 1,2%; Clio, 1%. Gol, isoladamente, perdeu para dupla Palio/Fire. Médio-compacto: Corolla, 22%; Civic, 18%; Cruze hatch/sedã, 14%; Focus hatch/sedã, 10%; Golf/Jetta, 9%; Sentra, 5%; C4/Lounge/DS4, (3,7%); Peugeot 308/408, (3,1%); i30/Elantra, 3%; Fluence, 2,9%. Corolla reassumiu a ponta. Médio-grande: Fusion, 39%; BMW Série ¾, (24%); Mercedes C/Coupé, 15%; Azera, 6%. Leve avanço do Fusion. Grande: Mercedes E/CLS, 36%; BMW Série 5/6, (26%); Jaguar XF, 18%. Líder com mais margem. Topo: Chrysler 300 C, 35%; Classe S, 15%; Panamera, 12%. Preço bom garante. Monovolume pequeno: Fit, 43%; Spin, 29%; Idea, 13%. Fit ainda em ascensão. Monovolume médio: J6, (29,7%); C4 Picasso, 29,6%; Mercedes Classe B, 21%. Surpreendente líder. Picape pequena: Strada, 56%; Saveiro, 31%; Montana, 13%. Strada com grande folga. Picape média: S10, (30%); Hilux, 26%; Ranger, 14%. S10, atenção. Crossover: ASX, 48%, Freemont/Journey, 26%; Ranger Rover Evoque, 23%. ASX, tranquilo. Utilitário esporte compacto: EcoSport, 39%; Duster, 35%; Tracker, 10. EcoSport menos sossegado. Utilitário esporte médio-compacto: Tucson/ix35, 40%; Sportage, 12%; RAV4, (10%). Líderes incontestes. Utilitário esporte médio-grande: Hilux SW4, (43%); Santa Fe, 13%; Sorento, 7%. Sem preocupações. Utilitário esporte grande: Pajero Full/Dakar, 43%; Edge, 18%; Discovery, 11%. Bem consolidado. Esporte: BMW Z4, (40%); Boxster/Cayman, 23%; Corvette, 10%. Liderança confortável. RODA VIVA Anfavea e Fenabrave têm previsões bem próximas para as vendas totais (automóveis e comerciais leves/pesados) em 2015. A primeira espera crescimento zero e a segunda, menos 0,5%. Com o revertério de 2014 (menos 7%, frente a 2013) parece que as assessorias econômicas das duas entidades preferiram a prudência em relação ao otimismo com os números. Curiosamente, Anfavea prevê este ano a produção – importante para geração de empregos industriais – crescer 4% em razão de novo recuo na participação de modelos importados, que em 2014 encolheu para 17,6% (em 2012 eram 20,7%). As exportações ajudarão pouco nesse cálculo, pois devem subir apenas 1%. A entidade espera que dólar alcance R$ 3,10 no final de 2015, ou seja, uma mididesvalorização. Números preliminares da consultoria italiana Focus2Move indicam que o Grupo VW assumiu pela primeira vez a liderança mundial em vendas de automóveis e comerciais leves: sua meta era alcançar essa posição apenas em 2018. Foram 100.000 unidades a mais que o Grupo Toyota. Para tanto a VW contou com 190.000 modelos Porsche, muito acima do esperado. Grande vexame: novo extintor para princípio de incêndio, do tipo ABC, não deu conta do recado numa reportagem exibida pela afiliada da Rede Globo, em Goiás. Extintor descarregado não debelou as chamas, no que seria uma demonstração de eficiência dessa quase inutilidade. Obrigatoriedade continua…

por 19 de janeiro de 2015 Alta Roda

Alta Roda – O que nos espera em 2015

Por Fernando Calmon

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O ano automobilístico de 2014 realmente não deixará saudades em razão da queda de vendas no mercado interno em torno de estimados 10%. Mesmo que seja ligeiramente menos, se somada ao encolhimento de 0,9% em 2013, significará que em relação ao ano recorde de 2012 os brasileiros terão comprado 10% menos. Este ano tão difícil não estava no radar dos analistas em dezembro de 2013. Até a Anfavea, que costuma acertar previsões, fez inesperadas revisões para baixo ao longo dos meses. E o que esperar para 2015? Que passe o mais rápido possível, segundo os mais pessimistas? peugeot_2008_za-spec_9
Na indústria automobilística a maioria das previsões aponta para crescimento nulo por razões tangíveis ou mesmo medo de errar: subida de impostos, inflação alta, PIB de novo perto de zero, aperto nos gastos públicos, balança comercial deficitária. Bem poucos apostam em alguma alta por outros fatores: base comparativa baixa sobre 2014, possível expansão de crédito (por retomada do veículo facilitada em caso de inadimplência) e reação nas exportações se o real continuar em desvalorização com tendência do dólar a R$ 2,80. A Coluna aposta em 2 a 3% de aumento nas vendas. Quanto à oferta de novos produtos, 2015 será uma festa e olhe que ninguém pôde reclamar de 2014. Afinal este ano foram mais de 50 lançamentos entre nacionais e importados, de subcompactos a modelos grandes, de automóveis a comerciais leves, de reestilizações a novas gerações (Corolla e Fit/City), sem contar modelos inteiramente novos (Ka e up!) e importados a serem nacionalizados (A3 sedã e Classe C). Até novo carro elétrico, BMW i3, fez sua estreia. Para o próximo ano o ritmo esperado é o mesmo e os SUVs terão relevância como nunca. De produção local serão três produtos inteiramente novos: Honda HR-V, Jeep Renegade (volta da marca americana à produção nacional e arquitetura inédita no Brasil) e Peugeot 2008. O Renault Duster receberá reestilização. Utilitários esportivos importados também se destacarão com a chegada do novo ix35 (a nacionalizar em 2016), do JAC T6 e do Suzuki S-Cross, entre outros.jeep_renegade
Comerciais leves terão um ano importante, no segundo semestre. Fiat lançará sua primeira picape média para uma tonelada de capacidade, inédita estrutura monobloco no segmento, cabine dupla de quatro portas e motorização flex e diesel. Renault contará com a Duster Oroch, primeira picape compacta (anabolizada em dimensões) a oferecer cabine dupla e quatro portas. GM planeja nova geração da Montana construída na mesma plataforma de Onix/Prisma/Cobalt, inclusive cabine dupla, mas talvez a produção não se inicie em 2015. VW partirá para um furgão leve, baseado na Saveiro, na mesma faixa de mercado do Fiorino. Também haverá novidades entre os automóveis, a começar pelo Focus argentino alinhado ao europeu. Além do Golf nacionalizado, sua versão sedã, o Jetta, terá operação de montagem embora com poucas peças brasileiras. A Volkswagen já decidiu produzir o crossover derivado do Golf (em 2016), mas o Taigun, com base no up!, ainda carece de confirmação. Fiat apresentará reformulação de meia geração do Palio e leves reformas no Punto e Bravo. Seu novo subcompacto é para 2016. No próximo ano a GM entra na reta final para o substituto do Celta, que estará mais para Ka do que para up!, e incluiria também sedã e SUV compactos. Chery terá seu segundo produto nacional, o subcompacto QQ em nova geração. RODA VIVA AGITAÇÃO em 2015 graças à nova leva de motores turboflex de última geração. VW terá o de 1,4 litro (Golf, Jetta e A3 sedã); Ford, o EcoBoost de 1 litro 3-cilindros (EcoSport e Fiesta); Honda, o de 1,5 litro (City, Civic e HR-V). Se somarão aos da BMW e da Citroën. A GM igualmente produzirá na Argentina motores turboflex para o Cruze, mas só a partir de 2016. TEREMOS final de ano emocionante para as lideranças, ambas envolvendo a VW. No plano mundial, talvez ultrapasse o Grupo Toyota pela primeira vez, embora resultados de vendas nos EUA e no Brasil tenham puxado para baixo o desempenho do grupo alemão. E aqui há a disputa roda a roda entre Gol e Palio (mais Palio Fire), depois de o compacto da VW estar à frente por 27 anos. A diferença entre os dois produtos será mínima no fechamento do ano. SANDERO Stepway demonstra que superar buracos, quebra-molas e valetas é com ele mesmo. Sem grande prejuízo para estabilidade direcional e em curvas, cumpre seu papel em ótimo acerto da engenharia brasileira da Renault. Direção e comando do câmbio deixam algo a desejar. Mas a decoração aventureira não está exagerada e no interior há retoques discretos e válidos nesta versão. NOVA carteira nacional de habilitação será adotada em junho de 2015. Vem em boa hora porque terá elementos adicionais de segurança e se tornará até mais confiável do que cédulas de identidade tradicionais. Placas de veículos com quatro letras e três algarismos, unificadas no Mercosul, estão previstas para 2016, embora já em 1º de janeiro próximo estreiem em carros novos na Argentina.

por 29 de dezembro de 2014 Alta Roda

Aprender com a Fórmula 1

Por Fernando Calmon Efficiency equals performance - as F1 has to make drastic steps in improving efficiency, so does the Mercedes-Benz production car development
Afinal o que as corridas de F-1 e, especificamente, seus carros podem trazer de vantagens e conquistas para o motorista em ruas e estradas? Há controvérsias sobre isso, mas o regulamento atual da categoria máxima do automobilismo introduziu conceitos de eficiência energética bastante severos que podem perfeitamente migrar, com as devidas adaptações, para os automóveis comuns. Existem, porém, pontos menos visíveis que merecem análise mais meticulosa. Este ano já se sabe que os monopostos Mercedes-Benz AMG Petronas não tiveram adversários na competição. Foi um passeio poucas vezes visto na categoria em razão da superioridade técnica do seu motor em particular. A empresa alemã aceitou o desafio de demonstrar que, sim, há transferência de tecnologia das pistas para as ruas. Mais do que isso, a F-1 é um imenso laboratório de testes que ajuda e acelera o desenvolvimento de novas soluções. Para se ter ideia da rápida evolução basta o exemplo do KERS, sistema de recuperação de energia cinética. Em 2007 ele pesava 107 kg e sua eficiência era de apenas 39%. Apenas cinco anos depois o peso caiu para 24 kg e a eficiência foi a 80%, o que permitiu adaptá-lo à versão elétrica do Mercedes AMG SLS. As áreas-chave de cooperação são as seguintes: Hidridização: no campo de motores elétricos, baterias e sistema de controle há uma importante integração de componentes a serem aplicados no sedã de topo S 500 híbrido, plugável em tomada. Simulação: avanços permitiram encurtar prazos de projetos. Substituiu-se o método tradicional de tentativa-e-erro por técnicas de simulações em programas de computador. Na F-1, até 5.000 componentes e 15.000 desenhos podem ser concluídos em apenas quatro meses. No caso importa menos o que os engenheiros estão desenvolvendo e sim como estão fazendo. Aerodinâmica: as ferramentas utilizadas são semelhantes como túnel de vento e dinâmica de fluidos computacional. Turbocompressor: pesquisas em conjunto levaram à solução criativa de distanciar a turbina do compressor, no motor de F-1, que permitiu grande vantagem. Em um automóvel comum não seria fácil aplicar a mesma solução. Lubrificação: pacote complexo de aditivos para óleos sintéticos, que diminuem desgaste e atrito, poderá estar disponível para automóveis de grande desempenho da divisão AMG. Redução de atrito: novos revestimentos e tratamentos de superfície interna dos cilindros em blocos de motor de alumínio estão paulatinamente sendo transferidos para os modelos de produção de maior volume. Alívio de peso: preocupação de sempre desde que as competições automobilísticas começaram em 1894. Exemplo recente é a aplicação de compósitos em fibra de carbono conhecidos por sua extrema leveza e resistência. Desde 2003 começaram a fluir para os carros esporte de ponta, como o Mercedes SLR McLaren, que estreou as estruturas de cabine e frontal anticolisão. O carro compacto elétrico i3, da BMW, tem cerca de 80% de seus componentes estruturais feitos nesse material para compensar em parte o peso das baterias. Os altos custos tornam as transferências de tecnologias mais lentas. À exceção dessa limitação, os objetivos são semelhantes dentro e fora das pistas, em termos de eficiência e desempenho.

por 20 de dezembro de 2014 Alta Roda, F1

Alta Roda – Barato que não sai caro

Por Fernando Calmon POST_ABS_1
Ao apagar das luzes de 2014 surgem boas notícias em relação à segurança veicular e equipamentos obrigatórios para veículos de duas rodas. Afinal, o Brasil tem uma frota de motocicletas e motonetas (scooters) de cerca de 14 milhões de unidades, segundo estudos que levam em conta sucateamento natural (sem baixa oficial), acidentes, roubos e furtos. Como expõe mais o condutor a riscos do que um veículo fechado, além dos conhecidos problemas de má habilitação, abusos no trânsito e pavimentação esburacada, qualquer avanço em segurança ativa só pode ser muito bem-vinda. A exemplo dos automóveis, as motos acima de 300 cm³ de cilindrada fabricadas ou comercializadas no País terão que vir de série com freios antitravamento (ABS). O cronograma começa em 1º de janeiro de 2016 (10% do total) e termina em 1º de janeiro de 2019. ABS será opcional em modelos abaixo de 300 cm³, mas todas deverão ter ao menos o CBS (em inglês, Sistema Combinado de Freios), recurso de relação preço-benefício bastante adequado, pois aciona juntos os freios traseiro e dianteiro, este parcialmente. Podem surgir críticas em razão de na Europa o ABS ser obrigatório em modelos de 125 cm³ em diante, mas só a partir de 2016. É o mesmo falso discurso de sempre que desconsidera a realidade socioeconômica bem diferente no Brasil. O sistema mais eficiente encareceria uma moto básica em pelo menos 20% e, portanto, não seria razoável alijar tantos compradores. Nada impede, porém, a partir de 2020 e se o poder aquisitivo subir, ampliar a exigência para 200 cm³ e, depois, 125 cm³. O setor de duas rodas também pode se beneficiar se entrar em vigor uma lei em discussão no Congresso Nacional (aprovada na Comissão de Viação e Transporte, semana passada). Estabelece multa para fabricantes, importadores e lojistas que comercializem bicicletas sem equipamentos obrigatórios de segurança. Ou seja, a lei existe, mas como não há punição, se vendem até hoje bicicletas sem campainha, espelho retrovisor esquerdo e sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais. São mais de 60 milhões em circulação e em processo de uso nas grandes cidades estimulado menos por razões práticas do que populistas. Para os automóveis, no entanto, o ano se foi sem novas regulamentações que exigem de quatro a cinco anos para abranger toda a produção. Apesar das trapalhadas consecutivas do Latin NCAP, o instituto tem razão em clamar pelo fim da comercialização na América Latina de carros sem nenhuma estrela nos testes de colisão contra barreira. Aqui estamos praticamente livres destes modelos, mas os vizinhos continuam a comercializá-los por preços atraentes, uma dificuldade às exportações brasileiras. Ao menos dois equipamentos já deveriam estar em cronograma de obrigatoriedade: cintos de segurança retráteis em pelo menos duas posições do banco traseiro e encaixes Isofix para no mínimo dois bancos infantis. Há o risco de em 2019 ainda se produzirem modelos sem esses recursos. Outros itens de custo baixo e prioritários são o aviso de cintos (pelo menos os dianteiros) não atados e o monitoramento de pressão dos pneus baseado no sistema de freios ABS que já existe em todos os modelos novos. RODA VIVA TANTO GM como Ford, ao contrário da VW (com o up!) e da Fiat (novo produto para Betim, em 2016), relutam em se convencer de que o mercado aceita bem modelos subcompactos, com menos de 3,6 m de comprimento. Por isso, GM ainda não fechou a equação de custos do sucessor do Celta e Ford nem cogita de algo menor que o Ka. Apostas de risco? SINAL dos tempos: Chrysler e Fiat vão sumir do nome corporativo e prevalece abreviação de Fiat Chrysler Automobiles. Nos EUA, se identificará como FCA US, na Itália, FCA Italy e aqui, possivelmente, FCA Brazil. As marcas, claro, continuarão a existir como sempre. Curiosamente a nova instalação de Goiana (PE), em 2015, vem sendo chamada de fábrica Jeep. FLUENCE ganhou competitividade ao manter preço (R$ 66.890 a R$ 82.990) na linha 2015 e acrescentado retoques na dianteira (LEDs diurnos), além de quadro de instrumentos digital e novo sistema multimídia com tela tátil. Mecanicamente nada mudou, salvo bons ajustes nas suspensões. Pena que não herdou o câmbio CVT (seis marchas virtuais) do Sentra, bem mais adequado. CHERY decidiu se associar à Anfavea e abandonar a Abeifa que reúne importadores e, agora, apenas dois futuros fabricantes: JAC e JLR. O Celer nacional ficará um pouco mais caro que o chinês por ter evoluído. Com ajuda do novo QQ brasileiro pretende triplicar vendas em 2015 para 30.000 unidades. Confirmou o SUV novo Tiggo para 2016. INDIANOS continuam a agarrar oportunidades. Depois do negócio mais que inspirador da Tata adquirir, da Ford, Jaguar e Land Rover, chegou a vez da conterrânea Mahindra. Esta fábrica de utilitários já havia se apossado da sul-coreana Ssangyong e agora comprou de uma massa semifalida a sueca Saab, que já produziu automóveis bem interessantes.

por 19 de dezembro de 2014 Alta Roda

Alta Roda – Pensar, antes de decidir

Por Fernando Calmon

Nissan-Frontier-Attack-01
A primeira refinaria do País que terá 75% de sua produção direcionada ao diesel começa agora a processar cargas (trens, no jargão próprio) de petróleo. Localizada em Ipojuca, Pernambuco, continua envolvida na confusão atual da Petrobrás e em um inexplicável aumento de custos – cerca de 10 vezes – que envergonha os brasileiros. Exige um tempo até alcançar os 200 mil barris diários de diesel, que podem diminuir, mas não eliminar de todo a dependência de importação desse derivado. Há duas novas refinarias projetadas, sem data nem de início das obras. Esse acontecimento traz à discussão o momento de liberar o uso de diesel em automóveis no Brasil. Existe até lobby de produtores de autopeças em esforço de convencimento, porém curiosamente nenhuma fábrica de veículos. Mais curioso ainda foi a decisão do governo francês, anunciada semana passada, de desestimular veículos de passeio a diesel. Na França 70% das vendas de modelos novos das marcas locais, Citroën, Peugeot e Renault, se concentram em motores diesel. Será estreitada a diferença de preço para a gasolina e tomadas as providências para diminuir a frota que usa o mesmo combustível de caminhões, ônibus, trens e outros veículos e máquinas comerciais. Note-se que o governo tem 15% das ações da Renault e 14% da PSA Peugeot Citroën. Ambas se queixaram de perda de competitividade, maior dificuldade em atender as emissões de CO2 (gás carbônico), mas nada se reverteu. No entanto, utilização de turbocompressor em motores a gasolina de menor cilindrada (chamado de downsizing) vem tirando a desvantagem de consumo e de nível de torque frente aos a diesel. Mesmo na França é preciso rodar 20.000 km por ano para valer a pena porque um automóvel a diesel tem custos (e preços) até 10% superiores. Com essa rentabilidade camarada é fácil compreender a existência de lobbies, mesmo que desbalanceie a estrutura de refino de combustíveis. Nos EUA, o governo também “atrapalha” a dieselização de veículos leves e autorizou apenas gasolina no programa de forte redução de consumo (e também de CO2) até 2022. Como sobra diesel no país exportam para a Europa que, há décadas, investiu nesse combustível para se defender dos carros japoneses a gasolina. Quanto ao Brasil, existe o etanol nessa equação, alternativa capaz de reduzir em 80% as emissões de CO2 no ciclo fechado da produção ao consumo. Se liberado diesel indiscriminadamente para automóveis, emissões de gás carbônico aumentarão, autossuficiência em diesel ficará difícil de alcançar e tornará ainda menos rentável produzir etanol – cerca de 50 usinas já fecharam. Ao contrário do que se pensa, há poucos estímulos no Brasil para etanol. Cide, por exemplo, incide apenas sobre gasolina, mas foi zerada para “combater a inflação”. Propulsor de 1 litro responde por quase metade das vendas e tem a mesma alíquota de IPI para flex ou gasolina. IPVA, idem, para gasolina ou flex, enquanto motor só a etanol tem alíquota apenas 1% menor. Colocar o diesel com Arla 32, contaminável por água depois de 30 dias armazenado e biodiesel de várias fontes como quarto combustível (somado o GNV), precisa ser muito bem pensado e pesado. RODA VIVA CASO as vendas em 2014 caiam um pouco menos de 10% frente a 2013 já será um pequeno alívio. Ao longo deste ano atípico se temeu queda ainda maior. Estoques voltaram a subir de 40 para 42 dias entre outubro e novembro. Este mês se espera pequena reação pela maior oferta de crédito e compras antecipadas para fugir do aumento do IPI em janeiro próximo. FORD antecipou, sem pormenores, que terá oito novidades em 2015, sendo duas em caminhões leves. Já se tem como certo reestilizações de Focus (hatch e sedã), Ranger (cabines simples e dupla), nova geração do crossover Edge (estreia em janeiro no Salão de Detroit) e, a concluir o processo de homologação, o Mustang. ARGENTINO Citroën C4 Lounge 2015 tem versões intermediárias e de topo com primeiro motor turboflex, 1,6 L, do segmento de médios-compactos. Importado da França e desenvolvido em conjunto com engenharia brasileira, ganha 7 cv (agora, 173 cv) quando abastecido a etanol. Câmbio automático também foi melhorado e o conjunto impressiona bem. Preços: R$ 78.790 a 85.490. NISSAN não importará o Nissan GT-R, de 545 cv e nada menos de 64 kgfm, pela dificuldade de homologar e nem tanto pelo preço que seria competitivo (menos de R$ 500 mil) em relação ao desempenho excepcional. Afinal, baixar de três segundos de 0 a 100 km/h o coloca em um clube que se conta os sócios pelos dedos de uma mão. Sua produção muito limitada também é empecilho. EMPRESAS de rastreamento estão se sofisticando. A Ituran, multinacional israelense, já oferecia seguro total contra furto/roubo de veículo que usasse seu sistema e não fosse recuperado. Agora agregou também seguro contra danos materiais e físicos a terceiros, cobertura acessível e muitas vezes pouco valorizada. A empresa espera atrair mais clientes das classes C e D.

por 12 de dezembro de 2014 Alta Roda

Alta Roda – Sem perda de tempo

Por Fernando Calmon

Chevrolet Cruze Sport6 2015
O Programa Nacional de Renovação da Frota de Veículos Automotores (PNRF), por enquanto, não passa de uma proposta, mas segue longe das prioridades do governo federal. Até agora, depois de um ano, não veio resposta para a iniciativa de dez entidades, incluindo sindicatos, que propõem um programa inicial de substituição de caminhões com mais de 30 anos de uso. Estima-se que até 200.000 desses veículos ainda circulem por ruas e estradas em condições precárias de funcionamento, manutenção deficiente (ou mesmo sem nenhuma) e sob ameaça constante de se envolver em acidentes. Na melhor das hipóteses sujeitam-se a panes constantes que poderão atrapalhar o trânsito. No estudo se apontou que veículos pesados representam em torno de 7% da frota de caminhões, mas respondem por 25% dos acidentes graves no País. O objetivo é até modesto: trocar 30.000 unidades/ano por modelos usados menos velhos e, se possível, por seminovos ou até novos em segmentos como os leves. De fato, o governo deveria criar algum incentivo – a exemplo de outros países – para viabilizar a proposta. Sem contar enormes prejuízos humanos e materiais, apenas a economia de combustível alcançaria R$ 5 bilhões em 10 anos. Entretanto, a situação fiscal do governo se deteriorou nos últimos 12 meses. Se já era difícil quando das sugestões iniciais, no momento está ainda pior. Fala-se apenas em aumento de impostos ou retirada de incentivos. Triste, mas a solução não aparece nem mesmo no horizonte. Infelizmente, certas iniciativas parlamentares mais atrapalham do que ajudam. Na semana passada, a primeira comissão da Câmara dos Deputados a avaliar um projeto de lei, de 2011, sobre o tema, optou pela rejeição. A proposição está bem longe da realidade: determina a troca obrigatória (grifo da Coluna) de qualquer veículo com tempo de uso superior a 15 anos, além de criar incentivos para a substituição. Segundo a Agência Câmara, o Poder Público ofereceria linha de crédito para compra do carro novo, enquanto os usados seriam aceitos como parte do pagamento do financiamento. O projeto ainda passará por quatro comissões na Casa, mas se trata de pura perda de tempo mesmo que as finanças públicas não estivessem em situação tão ruim. De pouco adianta reconhecer o problema, sem se debruçar sobre alternativas viáveis. Renovação de frota deve ser precedida por um programa bem elaborado de inspeção veicular. É inadmissível que um País com frota real de 40 milhões de automóveis e veículos comerciais, mais 13 milhões de motocicletas deixe de submetê-los a controles de segurança, manutenção e emissões. Claro que inspeção técnica veicular (ITV) deve começar apenas no quarto licenciamento (três anos de uso em diante), ser bienal até o décimo ano e anual depois desse prazo. Em outros termos, já existe escala bastante alta para regulamentar o serviço em vários Estados brasileiros e a preço razoável. A partir da inspeção, viriam iniciativas de reciclagem e a renovação de frota ocorreria a reboque. A Câmara dos Deputados ajudaria muito se desengavetasse estudos de mais de 15 anos e criasse condições econômicas e técnicas para a ITV. Sem mais perda de tempo. RODA VIVA DESDE o último dia 1o de novembro o ESC (sigla em inglês para controle eletrônico de estabilidade) passou a ser obrigatório em todos os carros novos vendido nos EUA e também na Europa. É complementar ao ABS (obrigatório aqui) por uma relação custo-benefício bem razoável. Falta o Brasil estabelecer prazo de aplicação escalonada, no que a Argentina já se adiantou.Chevrolet Cruze 2015
CRUZE
2015 recebeu modificações discretas: grade frontal mais elegante, luzes diurnas de LED e novas rodas de aro 17 pol. Câmbio automático ficou um pouco mais rápido nas trocas ascendentes e reduzidas. Motor não recebeu modificações, mas para concorrer com Corolla e Civic de igual para igual deveria oferecer também um 2-litros para assegurar mais torque. MUITO prática a seleção de marchas por botões, no lugar da alavanca, no Uno Sporting de câmbio automatizado. Usando só uma embreagem ainda há limitações, mas já se vê evolução. Se esta opção não combina com a sigla Sporting e nem com o motor de 1,4 L (mesmos 85 cv), o carro melhorou muito em acabamento e equipamentos: até câmera de ré opcional no espelho interno. PRINCIPAL executivo da Jaguar Land Rover, Ralph Speth, veio ao Brasil para a pedra fundamental da nova fábrica de Itatiaia (RJ), primeira 100% do grupo, fora da Inglaterra. Confirmado o Discovery Sport nacional para o início de 2016, continua a dúvida sobre o segundo produto. Empresa foi evasiva na resposta, mas pelo menos não negou que estuda o sedã Jaguar XE. INAUGURADO na Grande São Paulo um conceito diferente de abrigar até 400 veículos antigos de colecionadores. A empresa Box 54 se assemelha a uma marina de barcos. Além do aluguel do estacionamento em amplo galpão, o serviço completo inclui conservação e possibilidade de fazer funcionar regularmente carros, motos e até tratores.

por 5 de dezembro de 2014 Alta Roda