Indian

Indian retorna ao mercado com três lançamentos

Te cuida, Harley-Davidson!

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Quando se fala em motos americanas grandes, com muita força e aptas a rodar por longos quilômetros de estrada, o primeiro nome que vem à cabeça de quase todos os motociclistas e aficionados pelo mundo das duas rodas é o das Harley-Davidson. Mas dessa vez não é ela que é o assunto, e sim uma antiga (e respeitável) arquirrival que ressurgiu das cinzas recentemente: a Indian.
a2bbf93abe3d49cf67c86a643650e74f A marca, tão americana quanto a Harley, viveu por décadas no ostracismo, até ser comprada pela Polaris (marca que também faz o radical Slingshot, já visto aqui no blog). E a aquisição fez bem: Numa tacada só, quatro modelos novos (divididos em duas linhas diferentes) foram apresentados . A linha Chief (chefe em inglês), que tem os modelos Chief Classic, Chief Vintage e Chietftain, e a outa linha, a Scout.
2014IndianChieftain02-lg Cada uma segue por uma vertente diferente. A linha Chief é mais clássica e voltada às origens da marca. Todas têm o poderoso motor Thunder Stroke, um V2 de 1.819cc e o volumoso torque de mais de 15,89kgfm (quase equivalente a um carro de mesma cilindrada). O importante desse motor é que ele foi inspirado em tendências das Chiefs dos anos 40. A Chief Classic segue a estética tradicional das custom atuais, enquanto que a Vintage não nega o parentesco com as parentes antigas, com itens como alforjes, assento marrom e uma grande bolha dianteira. A Chieftain é para quem quer fazer longas viagens, sendo o topo de linha da marca, com características touring, a exemplo da bolha ainda mais larga na dianteira e maletas laterais Novidades e futuro no Brasil

080414middle2 Mas nem só da volta às origens está sendo feita a “nova” Indian. A nova Scout, apesar de seguir o padrão custom, revela mais modernidade e esportividade que o esperado para uma moto do seu segmento. Equipada com um V2 de 1.133ccque trabalha em conjunto com um câmbio de seis marchas, ela segue traz alguma modernidade com itens como freios ABS de série.
2015_Indian_Scout_5 Feita para apenas uma pessoa (não há banco do carona) a Scout mistura linhas clássicas com toques mais modernos (vide a imagem abaixo), e carrega no nome uma herança de respeito: Numa motocicleta de mesmo nome, em 1968, o neozelandês Burt Munro usou uma versão de 1920 dessa moto para bater um recorde de velocidade nos estados Unidos (feito reprisado no filme Desafiando os Limites, onde Anthony Hopkins interpreta Munro).
2015-Indian-Scout-2 E para os aficionados por este tipo de moto, uma boa notícia: a Indian tem planos de comercializar seus produtos no Brasil. Executivos da Polaris já confirmaram o interesse da vinda das clássicas americanas para o Brasil, inclusive com possibilidade de montagem das motos aqui, que se daria em Manaus. IMC_LA

por 13 de agosto de 2014 Indian, Motocicleta

A bicicleta motorizada com uma pena de enfeite

Por Thiago Ramos 1928 Indian Scout 101 45 cu. in. 750 cc
A Indian roubou meu coração. No instante em que a vi, seus cabelos por entre os suspiros do vento pareciam formar um longo cocar. Todo alinhado. Sua pele era bronzeada e de simples beleza. Apaixonei-me. Claro! Alguém não se apaixonaria? Foi criada para ser irresistível. E, excepcionalmente naquela noite, a tela do cinema ultrapassou os seus limites: Ela brilhou – atuou. Moldou todo o precioso momento de aparição da clássica motocicleta. A arte transfigurada em magia da sala cinematográfica preencheu-se de cor no desbotar da ferrugem do tanque da velha Scout 101. A moto confunde-se com a Indian. Springfield, América. O primeiro veículo de duas rodas estava ainda quente. Em 1902 algo que era um pouco mais que uma bicicleta estava quebrando a casca do ovo. Do talento do engenheiro sueco Carl Oscar Hedstrom e do ímpeto do também jovem empresário George M. Hendee foram criados os estalos dos famosos cilindros em V. Mil novecentos e três foi o ano em que as Indians portavam, não só com o lindo borbulhar do motor, como com suspensão traseira com braço oscilante e caixa de duas ou três velocidades.Indian-1902 No topo da glória, em 1912, a fabricante americana arrebatou os 3 primeiros lugares na corrida Tourist Trophy (TT), Isle of man. Inflou-se em atrevimento ao experimentar o arranque elétrico. Logo tornou-se em 20 mil cópias vendidas ao ano. Emplacada e entusiasmada pelo crescimento, a pioneira fábrica tornou-se a maior construtora de motocicletas do mundo, até 1916. A partir de então a Indi sofreu com os desafetos entre seus fundadores e diretores. Os fundadores retiraram-se e a marca decaiu.
Indian-1902
O entre guerras foi penoso para a menina que escorregou de “cacique” à simples “cunhã-poranga”. Mesmo assim, em profundos lamentos e desgastes, a marca conseguiu um contrato de fornecimento de todas as suas motos para o exército americano. Mas sua grande concorrente, uma tal de Harley-Davidson, conseguiu se manter no mercado mesmo fornecendo motos para militares, e desta forma se fortaleceu. A Indian era absolutamente desejada por dois principais atributos. A Scout era a primogênita. Produzida a partir de 1919, teve por base o motor Powerplus. As classificações de cilindradas percorriam desde das 600 ate as 1200. As 750 e 1000 cc também incluíam-se entre os modelos. Especialmente não só de admirações e paixões a senhorita Scout era colecionadora. Ela e sua irmã, Sport Scout, também colecionaram vitórias em pistas por aquelas décadas. Foi criada para competir: Charles B. Franklin, seu idealizador, era um vencedor piloto na Isle of Man.Indian_BigChief_1923
As saias que cobrem as pernas em forma de lindas rodas raiadas nasceram da Chief. O segundo atributo foi lançado em 1921 com um motor de 1000 cc. Posteriormente o propulsor foi ampliado a 1200, no que denominaram Big Chief. A respiração tornou-se menos ofegante em 98. Declarada falência, três empresas uniram-se e puderam injetar mais oxigênio aos já velhos pulmões da Indian Motorcycle Company. A produção passou para a Califórnia e os modelos escolhidos para a comercialização foram o Chief, o Scout e o Spirit.Indian1942
Em dias atuais a Indiana pode ser considerada decadente se comparada aos dias de luz. O charme e a tradição indígena passou com a ascensão do conceito de contemporâneo. Antiquada talvez seja a palavra para definir uma Indian. Mas no meu imaginário, uma índia será sempre uma mulher desnuda estrategicamente borrada pela tinta extraída da mata.
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por 2 de junho de 2013 Indian