Reportagem Espacial

Os 715 km finais da ida ao Rio Grande do Sul – Parte 4

Pedágios com cobrança sem lógica e argentinos pela estrada

NA na estrada 3
Com menos pressa e o corpo mais descansado, o terceiro dia de viagem prepara uma trollada ao despertador. Programado para tocar às 7h15, acordo às 7h13 e tenho prazer de desprogramá-lo sem ouvir aquele bipe chato que me acorda todos os dias. De Criciúma (SC), até Dom Pedrito (RS), faltam 715 km. Criciuma Dom Pedrito
Trecho que, de tão pequeno comparado aos dias anteriores, foi feito com calma e muita facilidade. Com o ponteiro do combustível marcando pouco menos de meio-tanque no painel, a meta era abastecer em Porto Alegre (RS). Carro carregado novamente, vamos embora que ainda falta chão. Mas hoje termina. Ao menos por enquanto. Ainda cedo já estávamos em terras gaúchas. Em Osório, próximo ao litoral norte do estado, a BR-101 se transforma em BR-290. Até a capital gaúcha, rodovia de três ou quatro pistas para cada sentido, asfalto maravilhoso, boa sinalização e vários telefones de socorro em sua extensão, cujos 121 km da rodovia são administrados pela Triunfo Concepa (guardem este nome!). É nela que passaremos grande parte da viagem, entre o norte do estado, a passagem pela capital e a ida rumo à fronteira oeste. Pedágio Ao chegar a Santo Antônio da Patrulha o primeiro pedágio traz a primeira surpresa: no sentido capital, ele é livre. Mas, em Gravataí, já na região metropolitana e poucos quilômetros após a fábrica da GM, não era possível escapar. Cobrança de R$ 5,10, válida pelo trecho de 75 km, que andei até esta praça. Valor justo para o trecho maravilhoso.

Quando a paixão salta aos olhos

Já chegando a Porto Alegre, pegamos um pequeno trecho de lentidão, causado por obras na pista. Em seguida, já na Zona Norte da capital, pude me maravilhar com uma paixão que pode ser traduzida em três cores: azul, preto e branco. Vista de longe, a linda Arena do Grêmio fez com que meu ânimo se renovasse. Arena2
Entorno do estádio pobre: prefeitura da capital gaúcha deve atenção à Zona Norte Eu já me sentia no Rio Grande no Sul. Desta vez, com a banda tradicionalista “Os Serranos” tocando no som, em seu álbum de 40 anos do conjunto, eu me senti em casa. Mesmo com o entorno desfavorecido, o estádio não perde a sua beleza e imponência. Acalmem-se, colorados. Adiantando a próxima etapa da viagem: também vai ter (o belo) Beira Rio por aqui! Pouco depois, era a hora de pegar o acesso à Ponte do Guaíba, deixando Porto Alegre para seguir ao interior. Lembra do plano de abastecer na capital, citados no segundo parágrafo? Foi possível chegar até Eldorado do Sul com alguma gordura, ou melhor, combustível no tanque. Com o litro da gasolina custando caros R$ 3,66, enchemos o tanque. Foram R$ 190 e 51,7 litros de combustível.

Pedágio salgado

Estrada simples
Notem que eu usava a camisa tricolor na foto acima Pouco mais de 10h, viagem retomada. Seguindo pela BR-290, surge um pedágio. Salgados R$ 10,30 são pagos para que a viagem continue. Mas, menos de 1 km depois, eis que pego um desvio à direita para continuar na BR-290 e… Pista simples? Não que ela não tivesse prevista. Mas quer dizer que eu paguei um pedágio pra, em seguida, sair da rodovia? Procurada pelo Novidades Automotivas, a Triunfo Concepa, concessionária responsável pelo trecho, disse que o valor é calculado pela área de abrangência daquele pedágio, que no caso da é de 40,3Km por praça. O valor é proporcional ao trecho utilizado pelo usuário. No caso da praça de Eldorado do Sul, o usuário paga o valor pelo trecho que já utilizou até ali, mais os quilômetros adicionais até Guaíba. De acordo com a resposta da concessionária, que tal fazermos os cálculos? Lá no quarto parágrafo, eu disse que circulei 75 km na BR-290 e paguei R$ 5,10, por todo este trecho, uma vez que o pedágio de Santo Antônio da Patrulha é liberado no sentido capital. Do pedágio de Gravataí até o pedágio de Eldorado do Sul – que fica no km 110 da BR-290 – são 35 km. Como demorei 1 km para sair da rodovia que vai até a cidade de Guaíba, então quer dizer que paguei R$ 10,30 para rodar 36 km? Não faz o menor sentido. Pelo menos pro meu bolso.

Quando os hermanos apareceram

Estrada Argentino
Acreditem: perdi as contas das barbeiragens e imprudências cometidas por argentinos Com indignação, a viagem continuou pela pista simples. Como esta é uma das principais rodovias que ligam o interior à capital, não seria de se admirar que o trecho seria bastante movimentado. Na paisagem, os típicos pampas gaúchos. Muitas plantações de soja e os campos verdes a perder de vista. Transitando na rodovia, vários motoristas, uma quantidade considerável de caminhões e eles: os argentinos. Daria um capítulo à parte falar deles. Mas vou tentar resumir. Esqueça tudo o que você pensa sobre alguém que dirija mal. Eles são ruins de roda, não respeitam qualquer sinalização e não tomam o menor embalo para ultrapassar. Para 99% deles, basta jogar o carro na outra faixa – mesmo que a sinalização horizontal indique faixa contínua – e acelerar. Em subida, em descida e, alguns arriscam até em curvas. Se havia um argentino na frente, a atenção era redobrada. Nas oportunidades que apareciam, o jeito era ultrapassá-los, para risco menor de ser envolvido em hipóteses de acidentes causados por eles. Próximo ao meio-dia, a fome começou a apertar. Paramos em Pantano Grande (assim, sem acento mesmo!), em um restaurante na rodoviária da cidade, que fica na beira da rodovia. Após uma boa refeição e a compra de duas garrafas d’água, seguimos ao destino final. Em alguns trechos com chuva, na BR-153, que passa próximo a Caçapava do Sul, viajamos praticamente sozinhos na estrada. No trecho final, de Bagé a Dom Pedrito, muito sol. Monumento DP
Monumento homenageia cidade, que foi palco da assinatura do Tratado de Poncho Verde: fim à Revolução Farroupilha
Finalizamos os 715 km do terceiro dia de viagem em pouco mais de 7 horas e 20 minutos, com duas paradas. Foi um trecho bastante empolgante de ser feito.  Chegamos a Dom Pedrito, simpática cidade entre Santana do Livramento e Bagé que tem população estimada em 38.898 habitantes e que traz, comigo, a minha história e de minha família. Agora era a hora de rever os parentes e descansar. No dia seguinte à chegada, foi a vez de um amigo pegar a estrada para me visitar. Eduardo Zaisov, nascido em Santa Rosa (RS), mas que mora em Alegrete, foi à capital da paz me visitar. Mesmo que você seja um leitor assíduo do NA, você pode não se lembrar que Zaisov fez parte da nossa equipe em 2008. Recebido com um chimarrão, Eduardo almoçou conosco e teve a oportunidade de conhecer uma parte da minha família. Muito obrigado pela visita, amigo! Palio e Marea Estatísticas do terceiro dia de viagem: · Combustível: R$ 190 · Consumo médio: 12 km/l · Pedágios: R$ 15,40 · Gasto total: R$ 205,40 Fotos | Arquivo pessoal e Reprodução Google

por 3 de março de 2015 Brasil, Fiat, Reportagem Espacial

Seguindo o caminho certo do jeito previsto – Parte 3

Quase 1.000 km, muita chuva, serra e viagem sem erros desta vez

NA na estrada 2
Em Campinas (SP), 7h. Após pouco mais de seis horas de sono, os olhos e o corpo se recusam a acreditar que o despertador toca. Seria uma cena cotidiana para mim e muitos leitores após uma semana cansativa. Mas acredito que, em uma época com passagens aéreas tão (mais) acessíveis, pouca gente acorda sabendo que rodará 950 km. O trecho do dia segue até Criciúma (SC). Trajeto Campinas Criciúma
Manhã de céu fechado no estado de São Paulo. Antes de sair, hora de abastecer: foram quase 57 litros de gasolina a R$ 3,27. Do hotel, no centro da cidade, até a rodovia Anhanguera (BR-050), foram pouco mais de dez minutos de um trânsito intenso. Nada fora do normal em no início de uma manhã de quinta-feira em uma grande cidade. Tanque Campinas Situação que se estendeu à saída da cidade, passou pela Anhanguera, e piorou no acesso ao Rodoanel Mário Covas (SP-021): congestionamento. Já no Rodoanel, o destino era a BR-116 – também chamada de Regis Bittencourt – que liga a cidade de São Paulo a Curitiba (PR). Impossível não comentar sobre a grandiosidade dos túneis nesta rodovia. Quem é de Brasília tem o costume de passar por pontes e viadutos. Já túneis, são poucos na capital federal. Semelhantes aos do Rodoanel, não existem no DF. 3

Serra e chuva

Apesar do trânsito pesado, de algumas fortes pancadas de chuva, e do pouco atraso de acordo com o horário programado, tudo ia bem. Até chegarmos à Serra do Cafezal, que fica entre os municípios de Juquitiba e Miracatu. Neste trecho existem várias obras de duplicações da rodovia. Mas, em cerca de 20 km, há uma área em que a rodovia possui somente uma pista para a descida e foi aí que o bicho pegou. Com chuva, trechos esburacados, curvas sinuosas e um caminhão, que devido ao movimento intenso não pode ser ultrapassado, os 20 km pareceram dobrar. A velocidade máxima era de 50 km/h, a chuva intensa prejudicava a visibilidade e a quantidade de buracos tampados pela água era de deixar qualquer um aflito. 7
Após a tensão, a viagem ficou mais confortável, mesmo com chuva intensa em grandes partes do caminho. As pistas duplas – até triplas, em trechos de serra – e pedagiadas ofereciam bom asfalto e ótima sinalização, o que facilita e tranquiliza muito uma viagem longa como esta. A paisagem também ajudou bastante. Com tranquilidade, paramos para almoçar em um posto à beira da rodovia, na cidade de Barra do Turvo (SP), cidade que faz fronteira com o estado do Paraná. Comida simples, lugar limpo e ajeitado.

Perigo na estrada

8 Alimentados, era hora de seguir adiante. Cerca de meia-hora após o almoço, já tínhamos deixado o estado de São Paulo para trás. Agora era hora de encarar o Paraná. Em Campina Grande do Sul, vimos o primeiro acidente em todo a viagem. Um caminhão tombado após uma curva fechada. Duas pistas ficaram interrompidas. A preocupação seria maior se houvesse ambulâncias no local, uma vez que já havia socorro. Parecia tudo bem, seguimos adiante. Próximo a São José dos Pinhais (PR), outro acidente: um Mille com um reboque estava capotado no canteiro central. Mesmo com muita chuva, um caminhoneiro havia parado para ajudar. Um Sandero prata que estava na nossa frente também parou. Pensando em não causar aumento no volume de carros no local, o que poderia acarretar em outros acidentes, decidimos não parar. 9 A viagem seguia tranquila e, na região de Curitiba, deixamos a BR-116 e seguimos o trajeto pela BR-101. Nela estava o destino do segundo dia, a cidade de Criciúma (SC). Chegando a Joinville, paramos para abastecer. Mais 58 litros de gasolina, desta vez a R$ 3,29. Era o necessário para chegar ao destino do dia e sobrar combustível.

Peculiaridades catarinenses

À Hollywood, a Chevrolet colocou sua gravata e seu nome em um pequeno morro na beira da estrada. Uma maneira de divulgar sua fábrica de motores e cabeçotes na cidade. Em Araquari, município ao lado, é possível ver outdoors divulgando que nesta cidade fica a fábrica da BMW no Brasil. São observações que não podem faltar a um gearhead. Ao andar um pouco mais, chegamos ao litoral catarinense. Em Itapema, foi possível ver o mar de perto, em Plena BR-101. A vontade era de ficar ali mesmo. Mas já tínhamos compromisso de chegar até Criciúma, o que aconteceu por volta de 19h. Como meu pai é militar, ficamos hospedados em um hotel disponível para militares dentro de um quartel da cidade. Menos cansados que no dia anterior, ainda vimos parentes e conhecemos um pouquinho da cidade catarinense. 6 Estatísticas do primeiro dia de viagem: · Combustível: R$ 185,56 e R$192.51 – Total: R$ 378,07 · Hospedagem: R$ 30 (Reserva feita com 15 dias de antecedência) · Consumo médio: 11 km/l · Pedágios: R$ 43,10 · Gasto total: R$ 451,17   Fotos | Reprodução Google, arquivo pessoal

por 25 de fevereiro de 2015 Brasil, Fiat, Reportagem Espacial

Quando os imprevistos nos surpreendem – Parte 2

Se 915 km são transformados em 1.127 km, a situação exige mudança de planos

NA na estrada

Porta-malas absolutamente lotado – com tudo encaixado de uma maneira que tornou o Marea o carro perfeito para esta viagem; níveis de água e óleo perfeitos; tanque cheio (ostentação em época de alta nos combustíveis) e muita vontade de pegar a estrada. Assim começou a manhã da quarta-feira (4), meu primeiro dia de férias, depois de três anos de trabalho intenso e um ano funcionando no automático. IMG_20150204_065112316_HDRIMG_20150206_153024560_HDR
Ainda em Brasília, tanque foi completado com gasolina comum a R$ 3.45. Porta-malas ficou lotado: na medida Após o café da manhã, realizado em uma padaria próxima à minha casa, começamos, às 8h, aquilo que seria a minha primeira grande aventura com o meu carro. Pé na estrada para o começo da diversão. Trânsito bom no Distrito Federal, uma vez que eu pegava o contra-fluxo da manhã, quando as pessoas das regiões administrativas do DF e do Entorno rumam à região central de Brasília para trabalhar. Brasilia campinas Próxima (e primeira) parada: Campinas (SP). Previsão de chegada para as 18h. Tudo às mil maravilhas. Começando pela BR-040, que começa no DF, passa por Goiás, Minas Gerais e termina no Rio de Janeiro (RJ), passamos por cidades de Goiás que estão no Entorno do DF, como Valparaíso de Goiás e Luziânia. A próxima cidade goiana na lista era Cristalina, onde deveríamos pegar a BR-050, rumo a Catalão, ainda no estado goiano. Tudo simples. Moleza. Não poderia dar errado. “Mas a vida é uma caixinha de surpresas”, já diria Ricardo Pipo, ator da companhia de comédia Os Melhores do Mundo, enquanto contava a triste saga de Joseph Climber.

Traídos pela sinalização

A partir de março de 2014, a Invepar assinou o contrato de concessão da rodovia. Por 30 anos a empresa será a responsável pela recuperação, manutenção, conservação, ampliação e melhorias na rodovia. Com várias obras na pista, a qualidade do asfalto tem muito boas condições de rodagem. Cristalina Paracatu Asfalto bom representa uma boa porcentagem de importância em uma viagem. Mas não é tudo. Ao chegar a Cristalina, deveríamos pegar um acesso à BR-050, uma saída à direita. Mas não foi bem o que aconteceu. Seguimos reto e, quando nos demos conta, estávamos em Paracatu (MG), cidade que não fazia parte da rota planejada e que nos fez rodar 212 km (ida e volta) a mais do que o planejado. Eu sei, você pensou em perguntar porque diabos eu não usei um GPS: eu usei. Mas o sinal da minha operadora me deixou na mão. Ao chegar em Paracatu, pedimos orientação em um próprio posto da concessionária responsável por cuidar da estrada. Ainda em Minas, poderíamos seguir rumo a Uberlândia pela BR-040, passando por Montes Claros, ou voltaríamos para Cristalina, fazendo caminho inverso nos 100 km que andamos até Paracatu. 1 Após ouvir que, mesmo com duas placas, isso acontecia com várias pessoas – o que atesta que a sinalização do local não é eficaz – fomos orientados a voltar. Os argumentos foram: a estrada estava boa, tinha acostamento, os pedágios ainda estão em construção, e teríamos assistência em caso de necessidade. Indo para Uberlândia, os funcionários nos informaram que pegaríamos trechos perigosos e sem acostamento. Como não teríamos nenhum ônus, além do tempo e do combustível a mais, resolvemos acatar o conselho e voltar. O aprendizado foi: se em algum momento você ficou em dúvida, pare, analise e pergunte. Mesmo que você tenha certeza depois de algum tempo. É melhor perder 10 ou 15 minutos do que duas horas.

Alterações nos planos

Voltei, Goiás! Com 200 km a mais no hodômetro e duas horas perdidas, os planos de almoçar e encher o tanque no triângulo mineiro foram antecipados. De volta ao caminho certo, a visita inesperada a Paracatu (MG), foi tratada de maneira bem humorada no restante do caminho. Apesar da frustração de ter errado o caminho em um trecho em que minha família já estava acostumada a viajar de carro. Aí começaram algumas mudanças inesperadas nos planos. Nada que atrapalhasse a viagem e nos causasse mau humor. Acabamos almoçando em Pires Belo, distrito do município goiano de Catalão. E foi lá que eu abasteci meu carro com a gasolina mais cara da minha vida, até o momento. IMG_20150204_131915753_HDR Para completar o tanque, foram suficientes 53.4 litros, ao custo de R$ 196,15, totalizando em R$ 3,669 cada litro da gasolina comum. O abastecimento foi o necessário para chegar a Campinas. A primeira média de consumo registrada foi de 9.3 km/l. As condições de rodagem foram: ar-condicionado ligado durante todo o trajeto, vários trechos acima da velocidade permitida de 100 km/h. Não era difícil olhar para o velocímetro e se assustar quando me deparava com o ponteiro próximo aos 150 km/h em alguns trechos de retas desertas. Com um carro excelente para viajar, era preciso vigiar com frequência o medidor de velocidade para não ir tão depressa.

Tudo nos conformes

Após abastecer, a viagem voltou ao planejado. Com hotel já reservado e compromisso marcado com alguns amigos, a meta de chegar a Campinas era praticamente uma obrigação. Em Minas Gerais, na BR-050, vimos vários pedágios em construção. O que, com certeza, encareceria ainda mais a aventura, se estivessem prontos. Asfalto de ótima qualidade e sinalização bastante melhor ajudaram bastante ao fazer a viagem render. Em terras mineiras, c chuva forte em alguns trechos nos fez diminuir a velocidade, mas nada que durasse muito tempo. Ao chegarmos no estado de São Paulo, onde a BR-050 é conhecido como Anhanguera, ou ainda como SP-330, é que a viagem rendeu o esperado. Ao entrar no estado de São Paulo, fizemos uma parada rápida para um lanche em Aramina, segunda cidade ao norte do estado por essa rodovia, que fica a cerca de 340 km de Campinas, destino final do primeiro dia. Lanche feito, alongamento caprichado e de volta a estrada. 2 Somente até Campinas foram oito pedágios, com preços que variaram entre R$ 5.80 e R$ 11.30. No total, gastamos R$ 57,50. Caro? Com certeza. Mas as condições de rodagem, a sinalização e as largas rodovias compensaram bastante. Placas no canteiro central alertavam que o motorista dirigia em uma das 10 melhores rodovias do país. E elas não estavam mentindo! Lembram que no terceiro parágrafo deste texto eu disse que a previsão de chegada a Campinas era às 18h? Com as duas horas de atraso, chegamos às 20h. Ou seja: se não tivéssemos errado o trajeto, com certeza seguiríamos à risca o cronograma para os 916 km entre Brasília e Campinas.

Hospedagem e camaradagem

Tínhamos reserva feita em um simpático hotel na região central de Campinas. Fomos muito bem recebidos em um hotel de bom preço, bem localizado, com ótimo atendimento e muito bem limpo. Um quarto para três pessoas saiu por R$ 135 reais. Em seguida, fomos a um restaurante tradicional da cidade encontrar alguns amigos. Amigos, esses, que mesmo convivendo há quase 10 anos, eu sequer conhecia pessoalmente. Quando cheguei ao restaurante, fui recebido por eles como se fossemos amigos de infância. Parte da viagem foi planejada para que, então, eu pudesse encontrá-los. 10959588_757321610983364_1233059948369550080_n Gostaria de deixar um abraço aos amigos Gustavo de Marchi, Paulo Oliveira e também ao Maximiliano Moraes, que moram em cidades próximas a Campinas e que tive o prazer de conhecer pessoalmente nesta viagem após anos de amizade virtual que nasceu por uma paixão em comum: carros. Este foi o primeiro dia de 915 km que viraram 1.127km mas que compensaram pela amizade. Fica um agradecimento especial a quem comentou na primeira postagem sobre a viagem. Espero que tenham gostado! Luzes apagadas, hora de descansar. Amanhã tem mais 950 km de muita diversão! Estatísticas do primeiro dia de viagem:

  • Combustível: R$ 136.90 e R$196.15 – Total: R$ 333.05
  • Hospedagem: R$ 135 (Reserva feita com um mês de antecedência)
  • Consumo médio:  10 km/l
  • Pedágios: 57.50
  • Gasto total: R$ 522.55

Fotos | Reprodução Google, arquivo pessoal

por 8 de fevereiro de 2015 Brasil, Fiat, Reportagem Espacial

Da Capital do Brasil até a Capital da Paz –Parte 1

Um Marea, 2.554 km e a primeira grande aventura

NA na estrada

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) dizem que 10 entre 10 autoentusiastas adoram pegar estrada. Na verdade, este levantamento não existe, mas tenho certeza que quem gosta de dirigir defenderá as viagens de carro, mesmo em época de aumento de combustíveis. Você acompanha aqui no Novidades Automotivas uma série de relatos de uma viagem em família realizada a partir desta quarta-feira (4). Enquanto você lê este texto, minha família, meu Marea e eu já estamos em uma viagem cujo trajeto – somente de ida – possui 2.554 km, de acordo com o Google, entre Brasília (DF) e Dom Pedrito (RS), capital da paz, onde foi assinado o Tratado de Ponche Verde, que pôs fim à revolução Farroupilha (movimento separatista com duração entre 1835 e 1845). Nas próximas partes você vai conhecer melhor os destinos desta viagem ainda sem rumo (totalmente) certo. Quanto à quilometragem, espero que ela não esteja sujeita à margem de erro do ibope. O bolso agradece. rota Planejada com dois anos de antecedência, para alinhar férias de faculdade, trabalho e também com as férias dos meus pais, a viagem será feita em três dias, e passará por Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em um caminho de ida e volta. Estão marcadas duas paradas estratégicas em Campinas (SP) e Criciúma (SC), para visitar amigos que moram na região e familiares respectivamente. A intenção é se divertir ao máximo, com a menor pressa possível. Paisagens, condições das rodovias, preço dos combustíveis e dos pedágios. O plano é não deixar passar absolutamente nada em branco pra você, leitor do NA.

Personagem principal

Marea [69]2

Fica a cargo de meu Marea HLX 2.4 Automatic 2002 branco banchisa (pausa pra respirar!) o papel de protagonista da viagem. Ele foi um dos 53.270 vendidos no Brasil entre 1998 e 2007, de acordo com a Fiat. Em 2002, fez parte dos poucos 5.894 Marea na configuração três volumes (sedã) comercializados pela marca no país. Com 123 mil km no hodômetro (foi comprado com 87 mil), e há dois anos e sete meses na família, o Marea passará pela primeira grande viagem comigo. Agora ele vai muito além de trechos entre 70 km e 150 km. O que mal dá pra se considerar uma viagem, e sim um passeio. Passeios feitos em uma quantidade suficiente para conhecer o que me leva e me traz todos os dias pelas ruas de Brasília. Vale ressaltar que cuido deste carro melhor do que de mim mesmo. Mesmo que ele seja alvo de bullying do dono, não há amor por ele maior do que o meu.

Antes da estrada

Marea Longa exposição

Há quem se engane acreditando que a viagem começa apenas na hora de pegar a estrada. A viagem começa na idealização, no planejamento e… Na revisão! Oras, impossível pegar a estrada sem fazer uma checagem geral no carro. É um momento importante para verificar itens cruciais para a segurança da viagem. Como dono de Marea, é óbvio que estou acostumado a não pagar muito barato. Quase tudo no mundo tem seu preço. Mas manter a sua segurança e da sua família é algo que não há valor que pague. Até para revisão é necessário planejamento. Afinal, ficar três dias sem carro é difícil quando se vive em uma metrópole com deficiência no serviço de transporte público e que conta com diversas paralisações de rodoviários devido a atrasos de pagamento. Coisas que foram muito frequentes neste início de ano em Brasília. Marea Revisão Feita com 20 dias de antecedência, a revisão exigiu três dias para verificações minuciosas e trocas de componentes desgastados ou que pudessem estar próximos do fim de sua vida útil. Feita dias antes, ainda seria possível testar o carro para que, se tivesse algo errado, desse tempo para corrigir antes de pegar a estrada. Dito e feito: foi necessário voltar. Por algo pequeno, mas que poderia representar um gasto a mais, principalmente em mais de 2.500 km. Observei que o consumo de combustível estava elevado. Pedi para que fosse feita uma consulta de rotina, com o scanner. A sonda lambda (não é “lambida” e nem “lâmina”, ok?!), que envia à injeção eletrônica a mistura entre ar e combustível, acusava mistura pobre. Para equilibrar a mistura, taca-le (pau) combustível nessa mistura. Com isso, o consumo subia para beberrões 7 km/l na cidade, enquanto eu estava acostumado a fazer pelo menos 9 km/l. Agora, imagine o quanto isso não elevaria o custo em uma viagem longa. Erro corrigido e vida que segue. É hora de aumentar o som e voltar a curtir a estrada! Vejo vocês na próxima parte do relato.

por 4 de fevereiro de 2015 Brasil, Fiat, Reportagem Espacial

Maré de gastos no Senado

Veículos leiloados em 2012 pela Casa não pagam um ano de aluguel de atual frota. Renan Calheiros gasta mais de R$ 200 mil em locação de apenas três veículos
Por Douglas Lemos
Marea leilão 2[10]
Leilão de veículos que pertenciam ao Senado arrecadou menos do que um ano de aluguel da nova frota

Brasília (DF) – Quando o contrato de aluguel dos veículos Renault Fluence, que tem duração de três anos, entrou em vigência, era uma questão de tempo para que o Senado se desfizesse dos modelos Fiat Marea que faziam parte do patrimônio da casa. Do início do contrato de locação da nova frota de veículos oficiais – a partir do dia 19 de setembro de 2011 – ao leilão, realizado no dia 5 de maio de 2012, foram mais de seis meses. Os 84 Marea, dos anos 2003 e 2005, foram vendidos em leilão público por valores entre R$ 11 mil e R$ 20,2 mil. No total, o foi arrecadado R$ 1 milhão e o recurso foi recolhido ao Fundo do Senado Federal, destinado à despesa com investimentos. O valor equivale a cerca de seis meses do custo do aluguel dos 78 novos carros oficiais, que consomem R$ 1,934 milhão por ano dos cofres públicos. Os dados sobre o leilão foram obtidos pelo Novidades Automotivas por meio da Lei de Acesso à Informação Pública. Questionada, a assessoria de imprensa do Senado justificou a troca afirmando que os Marea tinham, em média, oito anos de uso e sua manutenção e consumo de combustível representavam gastos crescentes à Casa. Guilherme Araújo, gerente de uma oficina mecânica, explica que o custo de manutenção do Marea chega a superar em 50% o de modelos semelhantes por conta da a mão de obra e escassez de peças. “São carros que exigem ferramental e técnica especializada.”

Frota alugada

Fluence Alugado 1[4]
Renault Fluence se enquadrou nas exigências que excluíram outros sedãs médios na época do contrato (Foto: Douglas Lemos)

A licitação para a locação dos novos veículos exigia airbags para motorista e passageiro, freios antitravamento (ABS), ar-condicionado e direção hidráulica ou elétrica. A motorização mínima deveria ser de 2.0 litros e potência a partir de 140 cavalos. Bancos em couro com regulagem de altura e CD Player com tomada auxiliar para Ipod, Iphone e MP3 também faziam parte das exigências. Questionado sobre itens que ofereceriam conforto aos senadores, o Senado respondeu que os veículos “estão equipados com itens e acessórios de segurança exigidos por lei” e que “estas especificações são compatíveis com a grande maioria dos veículos da categoria sedan médio ou superior, existentes no mercado”.

Contrato Senado[5]
Contrato exigia itens de conforto nos carros funcionais

A vencedora da licitação foi a LM Transportes, que cobra R$ 1.990 mensais por cada um dos automóveis. O custo dos três anos de contrato é de R$ 5,8 milhões. Os carros alugados são avaliados em R$ 64 mil, segundo o site da montadora, e devem ser substituídos a cada dois anos. Dos 81 senadores, apenas três abdicaram do uso de veículo oficial: Eduardo Suplicy (PT-SP); João Capiberibe (PSB-AP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Rollemberg, que usa um carro próprio, diz que não há prejuízo à atividade parlamentar quando não se utiliza um veículo oficial. Ele conta ter aberto mão de verba indenizatória para combustível e de apartamento funcional. “É uma política de redução de custos”, explica.

Chefe da Casa

Como presidente do Senado, Renan Calheiros tem direito a três veículos, de modelos mais caros. O contrato de um ano, que foi assinado no último dia 26 de março, é referente ao modelo Hyundai Azera, avaliado em mais de R$ 100 mil. Cada um dos veículos custa R$ 5,6 mil de aluguel mensal. Nos primeiros quatro meses do contrato, Calheiros usou um veículo blindado, cujo aluguel era de R$ 7,8 mil. O valor total do aluguel dos automóveis utilizados pelo senador alagoano é de R$ 212.057,20. Questionada sobre o valor do aluguel dos veículos, que custam quase o triplo dos carros utilizados pelos outros parlamentares a Casa, a assessoria de imprensa do Senado afirmou que “o modelo adotado é da categoria sedan superior, seguindo o padrão de veículos utilizados por presidentes de outros Poderes republicanos” e que os veículos antigos, modelo Chevrolet Omega, foram substituídos por possuírem manutenção difícil e onerosa. Fotos | Douglas Lemos Para conferir o contrato de aluguel dos 78 veículos funcionais utilizados pelos Senadores, clique aqui. Para conferir o contrato de aluguel dos três veículos utilizados pelo Senador Renan Calheiros, clique aqui.

por 9 de novembro de 2013 Reportagem Espacial